Google+ Badge

Google+ Followers

Se você procura um serviço de tradução português-espanhol profissional e de máxima qualidade, podemos ajudar-lhe...

sexta-feira, 13 de março de 2009







UMA REUNIÃO QUE VALEU A PENA
Por Fidel Castro Ruz.
2009-03-09

Finalizado o evento sobre Globalização e Desenvolvimento com a presença de mais de 1500 economistas, destacadas personalidades científicas e representantes de organismos internacionais reunidos em Havana, recebi uma carta e um documento de Atilio Boron, Doutor em Ciências Políticas, Professor Titular de Teoria Política e Social, diretor do Programa Latino americano de Educação a Distância em Ciências Sociais, PLED, além de outras importantes responsabilidades científicas e políticas.
Atilio, firme e leal amigo, participou o dia 6 no programa da Mesa Redonda da Televisão Cubana, junto a outras eminências internacionais que assistiram à Conferência sobre Globalização e Desenvolvimento.
Soube que se marcharia no domingo e decidi convidar lhe a um encontro as 5 da tarde do dia anterior, sábado 7 de março.
Havia decidido escrever uma reflexão sobre as idéias contidas em seu documento. Utilizarei na síntese suas próprias palavras:

“… Achamo-nos ante uma crise geral capitalista, a primeira de uma magnitude comparável à que estalara em 1929 e á chamada ‘Longa Depressão’ de 1873-1896. Uma crise integral, civilizacional, multidimensional, cuja duração, profundidade e alcances geográficos seguramente haverá de ser de maior envergadura que as que lhe precederam.
“ Trata se de uma crise que transcende com acréscimos o financeiro o bancário e afeta à economia real em todos seus departamentos. Afeta à economia global e vai muito mais além das fronteiras estadunidenses.
“Suas causas estruturais: é uma crise de superprodução e à vez de subconsumo. Não por casualidade estourou em EEUU, porém este país faz mais de trinta anos que vive artificialmente da poupança externa, do crédito externo, e estas duas coisas não são infinitas: as empresas se endividaram acima de suas possibilidades; o Estado se endividou também acima de suas possibilidades para fazer frente não a uma senão a duas guerras não só sem aumentar os impostos senão que reduzindo os, os cidadãos são sistematicamente impulsionados, por via da publicidade comercial, a endividar se para sustentar um consumismo desorbitado, irracional e esbanjador.
“ Mas a estas causas estruturais há que agregar outras: a acelerada financeirização da economia, a irresistível tendência à incursão em operações especulativas cada vez mais arriscadas. Descoberta a ‘fonte de Juvência’ do capital graças à qual o dinheiro gera mais dinheiro prescindindo da valorização que lhe aporta à exploração da força do trabalho e, tendo em conta que enormes massas de capital fictício se pode alcançar em questão de dias, ou semanas como máximo, a adição do capital o leva a deixar de lado qualquer cálculo ou qualquer escrúpulo.
“Outras circunstâncias favoreceram o estouro da crise. As políticas neoliberais de não regulação e liberalização fizeram possível que os atores mais poderosos que pululam nos mercados impuseram a lei da selva.
“ Uma enorme destruição de capitais em escala mundial, caracterizando lo como uma ‘destruição criadora’. Em Wall Street esta ‘destruição criadora’ fez que a desvalorização das empresas que cotizam nessa bolsa chega quase a 50 %; uma empresa que antes cotizava em bolsa um capital de 100 milhões, agora tem 50 milhões! Caída da produção, dos preços, dos salários, do poder de compra. ‘O sistema financeiro em sua totalidade está a ponto de estourar. Já temos mais de $ 500.000 milhões em perdas bancarias, existe um bilhão mais que está a chegar. Mais de uma dúzia de bancos estão em bancarrota, e há centos mais esperando correr a mesma sorte. A estas alturas mais de um bilhão de dólares foram transferidos desde a FED ao cartel bancário, mas um bilhão e meio a mais será necessário para manter a liquidez dos bancos nos próximos anos’. O que estamos vivendo é a fase inicial de uma longa depressão, e a palavra recessão, tão utilizada recentemente, não captura em tudo seu dramatismo o que o futuro depara para o capitalismo.
“A ação ordinária do Citicorp perdeu 90 % do seu valor em 2008. A última semana de fevereiro cotizava em Wall Street a $ 1.95 por ação!
“ Este processo não é neutro, pois favorecerá aos maiores e melhor organizados oligopólios, que expulsarão a seus rivais dos mercados. A ‘seleção darwiniana dos mais aptos’ despejará o caminho para novas fusões e alianças empresariais, enviando aos mais fracos à quebra.
“Acelerado aumento do desemprego. O número de desempregados no mundo (uns 190 milhões em 2008) poderá incrementar se em 51 milhões mais no decorrer de 2009. Os trabalhadores pobres (que ganham apenas dois euros diários) serão 1.400 milhões, ou seja, 45% da população economicamente ativa do planeta. Nos Estados Unidos a recessão já destruiu 3,6 milhões de postos de trabalho. A metade durante os últimos três meses. Na UE, o número de desempregados é de 17,5 milhões, 1,6 milhões mais que há um ano. Para 2009, se prevê a perda de 3,5 milhões de empregos. Vários Estados centro-americanos assim como México e Peru, por seus estreitos laços com a economia estadunidense, serão fortemente golpeados pela crise.
“ Uma crise que afeta a todos os setores da economia: a banca, a indústria, os seguros, a construção, etc... e se espalha por todo o conjunto do sistema capitalista internacional.
“Decisões que se tomam nos centros mundiais e que afetam as subsidiarias da periferia gerando demissões massivas, interrupções nas cadeias de pagamentos, caída na demanda de insumos, etc... EEUU há decidido apoiar as Big Three (Chrysler, Ford, General Motors) de Detroit, mas só para que salvem suas plantas no país. França e Suécia anunciam que condicionaram as ajudas a suas indústrias automotivas: só poderá beneficiar aos centros sediados em seus respectivos países. A ministra francesa de Economia, Christine Lagarde, declara que o protecionismo poderia ser ‘um mal necessário em tempos de crise’. O ministro espanhol de Indústria, Miguel Sebastián, insta a ‘consumir produtos espanhóis. ’ Barack Obama, nos agregamos, promove o ‘buy American! ’.
“ Outras fontes de propagação da crise na periferia são a caída nos preços das commodities que exportam os países latino-americanos e do caribe, com suas seqüelas recessivas e o aumento da desocupação.
“Drástica caída das remessas dos emigrantes latino-americanos e caribenhos aos países subdesenvolvidos. (Em alguns casos as remessas são o mais importante item no ingresso internacional de divisas, por cima das exportações).
“ Retorno dos emigrantes, deprimindo ainda mais o mercado do trabalho.
“Se conjuga com uma profunda crise energética que exige trocas ao atual, baseado no uso irracional e predatório do combustível fóssil.
“ Esta crise coincide com a crescente tomada de consciência dos catastróficos alcances do cambio climático.
“Agregue a crise alimentaria, acentuada pela pretensão do capitalismo de manter um irracional padrão de consumo que há levado a reconverter terras aptas para produção de alimentos para ser destinadas à elaboração de agro-combustiveis.
“ Obama reconheceu que não tocamos fundo, ainda, e Michael Klare, escreveu em dias passados que ‘se o atual desastre econômico se converte no que o presidente Obama há denominado década perdida, o resultado poderia consistir numa paisagem global lotado de convulsões motivado pela economia. ’
“Em 1929 a desocupação em EEUU chegou a 25%, ao passo que caíam os preços agrícolas e das matérias primas. Dez anos após, e pese as radicais políticas de Franklin D. Roosevelt (o New Deal), a desocupação seguia sendo muito elevada (17 %) e a economia não conseguia sair da depressão. Só a Segunda Guerra Mundial deu fim a essa etapa. E agora, por que haveria de ser mais breve? Se a depressão de 1873-1896, como expliquei, durou 23 anos!
“ Com estes antecedentes, por que agora sairíamos da atual crise em questão de meses, como vaticinam alguns publicitários e ‘gurus’ de Wall Street.
“Não se sairá desta crise com um par de reuniões do G-20, ou do G-7. Se uma prova há de sua radical incapacidade para resolver a crise é a resposta das principais bolsas de valores do mundo logo de cada anuncio ou cada sanção de uma lei aprobatória de um novo resgate: invariavelmente a resposta dos “mercados’ é negativa.
“Segundo testemunha George Soros ‘a economia real sofrerá os efeitos secundários, que agora estão cobrando brio. Posto que nestas circunstâncias o consumidor estadunidense já não pode servir de locomotiva da economia mundial, o Governo estadunidense deve estimular a demanda. Dado que nós enfrentamos aos retos ameaçadores do aquecimento do planeta e da dependência energética, o próximo Governo deveria dirigir qualquer plano de estímulo à poupança energética, ao desenvolvimento de fontes de energia alternativas e à construção de infra-estruturas ecológicas.
“ Se abre um longo período de puxas e negociações para definir de que forma se sairão da crise, quais serão os beneficiados e quem deverá pagar seus custos.
“Os acordos de Bretton Woods, concebidos no marco da fase keynesiana do capitalismo, coincidiram com a estabilização de um novo modelo de hegemonia burguesa que, produto das conseqüências da guerra e a luta antifascista tinham como novo e inesperado telão de fundo o fortalecimento da gravitação dos sindicatos obreiros, os partidos de esquerda e as capacidades reguladoras e interventoras dos estados.
“ Já não está a URSS, cuja presença e a ameaça da extensão a Ocidente de seu exemplo inclinavam a balança da negociação a favor da esquerda, setores populares, sindicatos, etc.
“Na atualidade China ocupa um papel incomparavelmente mais importante na economia mundial, mas sem atingir uma importância paralela na política mundial. A URSS, em cambio, pese a sua debilidade econômica era uma formidável potência militar e política. China é uma potência econômica, mas com escassa presença militar e política nos assuntos mundiais, se bem está começando um cauteloso e paulatino processo de reafirmação na política mundial.
“ China pode chegar a jogar um papel positivo para a estratégia de recomposição dos países da periferia. Beijing está gradualmente reorientando suas enormes energias nacionais ao mercado interno. Por múltiplas razões que seriam impossíveis discutir agora é um país que necessita que sua economia cresça ao 8 % anual, seja como resposta aos estímulos dos mercados mundiais o aos que se originem em seu imenso –só parcialmente explorado- mercado interno. De confirmar se esse giro é possível predisser que a China seguirá necessitando muitos produtos originários dos países do Terceiro Mundo, como petróleo, níquel, cobre alumínio, aço, soja e outras matérias primas e alimentos.
“Na Grande Depressão dos anos 30, em cambio, a URSS tinha uma débil inserção nos mercados mundiais. China é distinto: poderá seguir jogando um papel muito importante e, ao igual que Rússia e Índia (estas em menor medida) comprarem no exterior as matérias primas e alimentos que necessite a diferença do que acontecia com a URSS nos tempos da Grande Depressão.
“ Nos anos 30 a ‘solução’ da crise se encontrou no protecionismo e a guerra mundial. Hoje, o protecionismo encontrará muitos obstáculos devido à interpenetração dos grandes oligopólios nacionais nos distintos espaços do capitalismo mundial. A conformação de uma burguesia mundial, arraigada em gigantescas empresas que, pese a sua base nacional, opera em numerosos países, faz que a opção protecionista no mundo desenvolvido seja de escassa efetividade no comercio Norte/Norte e as políticas tenderão -ao menos por em quanto, e não sem tensões- a respeitar os parâmetros estabelecidos pela OMC. A carta protecionista aparece como muito mais provável quando se aplique como seguramente se fará, em contra do Sul global. Uma guerra mundial motorizada por ‘burguesias nacionais’ do mundo desenvolvido dispostas a lutar entre si pela supremacia nos mercados é praticamente impossível porque tais ‘burguesias’ foram deslocadas pela ascensão e consolidação de uma burguesia imperial que periodicamente se reúne em Davos e para a qual a opção de um enfrentamento militar constitui um fenomenal despropósito. Não quer dizer que essa burguesia mundial não apóie como há feito até agora com as aventuras militares de Estados Unidos em Iraque e Afeganistão, a realização de numerosas operações militares na periferia do sistema, necessárias para preservação da rentabilidade do complexo militar-industrial norte americano e, indiretamente, para os grandes oligopólios dos demais países.
“A situação atual não é igual à dos anos trintas. Lênin dizia ‘o capitalismo não cai se não há uma força social que o faça cair’. Essa força social hoje não está presente nas sociedades do capitalismo metropolitano, incluso Estados Unidos.
“ USA, UK, Alemanha, França e Japão dirimiam no terreno militar sua pugna pela hegemonia imperial.
“Hoje, a hegemonia e a dominação estão claramente em mãos de USA. É a única garantia do sistema capitalista em escala mundial. Se USA cair se produziria um efeito dominó que provocaria o derrube de quase todos os capitalismos metropolitanos, sem mencionar as conseqüências na periferia do sistema. Em caso de que Washington se veja ameaçado por uma insurgência popular todos acudirão a socorrer lhe, porque é o sustém último do sistema e o único que, em caso de necessidade, pode socorrer aos demais.
“ EEUU é um ator insubstituível e centro indiscutido do sistema imperialista mundial: só ele dispõe de mais de 700 missões e bases militares em uns 120 países que constituem a reserva final do sistema. Se as demais opções fracassam, a força aparecerá em tudo seu esplendor. Só EEUU pode despregar suas tropas e seu arsenal de guerra para manter a ordem a escala planetária. É como falara Samuel Huntington, ‘o xerife solitário’.
“Este ‘escoramento’ do centro imperialista conta com a colaboração dos demais sócios imperiais, ou com seus competidores na área econômica e inclusive com a maioria dos países do Terceiro Mundo, que acumulam seus reservas em dólares estadunidenses. Nem China, Japão, Coréia ou Rússia, para falar dos maiores detentores de dólares do planeta, podem liquidar seu stock nessa moeda porque será uma movida suicida. Claro está que esta também é uma consideração que deve ser tomada com muita cautela.
“ A conduta dos mercados e dos investidores de todo o mundo fortalece a posição norte americana: a crise se aprofunda, os resgates demonstram ser insuficientes, o Dow Jones de Wall Street cai por debaixo da barreira psicológica dos 7.000 pontos-descendo por baixo da marca obtida em 1997!- e pese a isto a gente busca refugio no dólar, caindo às cotizações do euro e o ouro!
“Zbigniev Brzezinski há declarado: ‘estou preocupado porque vamos ter milhões e milhões de desocupados, muita gente passando realmente muito mal. E essa situação estará presente por um tempo antes que as coisas eventualmente melhorem’.
“ Estamos na presença de uma crise que é muito mais que uma crise econômica, o financeira.
“Se trata de uma crise integral de um modelo civilizatório que é insustentável economicamente; politicamente, sem apelar cada vez mais à violência em contra dos povos; insustentável também ecologicamente, dada a destruição, em alguns casos irreversíveis, do meio ambiente; e insustentável socialmente, porque degrada a condição humana até limites inimagináveis e destrói a trama mesma da vida social.
“ A resposta a esta crise, por tanto, não pode ser só econômica ou financeira. As classes dominantes farão exatamente isso: utilizar um vasto arsenal de recursos públicos para socializar as perdas e re flutuar aos grandes oligopólios. Encerrados na defesa de seus interesses mais imediatos carecem sequer da visão para conceber una estratégia mais integral.

“A crise não há tocado fundo”, diz. “Achamo-nos ante uma crise geral capitalista. Nunca alguma outra foi maior. A que teve lugar entre 1873 e 1896, durou 23 anos, se chamou Longa Depressão. A outra muito grave foi a de 1929. Durou igualmente não menos de 20 anos. A atual crise é integral, civilizacional, multidimensional.”
De imediato agrega: “É uma crise que transcende com acréscimo o financeiro, o bancário e afeta à economia real em todos seus departamentos”.
Se alguém toma esta síntese e a leva no bolso, leia de vez em quando ou a aprende de memória como uma pequena Bíblia, estará mais bem informado do que acontece no mundo que os 99% da população, onde o cidadão vive assediado por centos de anúncios publicitários e saturado com milhares de horas de noticias, novelas e películas de ficção reais ou falsas.

Fidel Castro.
Março 8 de 2009
11,16 AM.


“La ignorancia es el peor enemigo de la civilizacion, y la ignorancia suele ser, en sus efectos y frecuentemente en sus impulsos, tan malvada como la misma maldad.” Eugenio Maria de Hostos

“A ignorancia é o pior inimigo da civilização,e a ignorancia costuma ser em seus efeitos e frequentemente em seus impulsos, tão malvada como a mesma maldade.”
Se procura um serviço de máxima qualidade e profissionalidade, podemos ajudar-lhe