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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009





FELIZ NAVIDAD!!!
Para os bons momentos, gratidão.
Para os ruins, muita esperança.
Para cada dia, uma ilusão.
E sempre, sempre, felicidade.
FELIZ NATAL!
Para los buenos momentos, gratitud.
Para los malos, mucha esperanza.
Para cada día, una ilusión.
Y siempre, siempre, felicidad.

Este é nosso desejo ....Este es nuestro deseo para el 2010 -

ImportaRSE FLORIANÓPOLIS



Entrevista a Silvia Ribeiro, investigadora e responsável de programas do Grupo ETC

"A gripe suína drenará os recursos públicos a favor das transnacionais"

Manoel Santos – Altermundo 29/11/2009

Biopirataria, geo-engenharia, nanotecnologia, transgênicos, biologia sintética, agro combustíveis… Uma rede de poderosas transnacionais brinca de romper as regras da natureza. Silvia Ribeiro*, investigadora e responsável de programas do Grupo ETC** em México, está entre as maiores expertas mundiais na luta contra estas nocivas práticas.

1. - Olá, Silvia. Você trabalha no México, estas semanas no centro da atenção mundial por causa da chamada gripe suína. Pouco se fala na imprensa hegemônica da relação entre esse A/H1N1 e a cria industrial de animais. E menos ainda dos efeitos destes métodos sobre a vida dos campesinos e campesinas. Qual é sua reflexão a respeito?

Eu acredito que a gripe suína, ademais da gravidade do fato em si mesmo para quem a sofre, é uma amostra clara dum aspecto das crises múltiples que vivemos, do que pouco se fala: a crise da saúde. Ouvimos falar das crises econômicas e financeiras, que parecem embaçar nos titulares a outras muitas mais graves, como a alimentícia, a climática e a ambiental, porém quase não se fala da crise da saúde, que é uma conseqüência lógica e gravíssima do modelo imperante.

A gripe suína é um bom exemplo dele, pese a que até a OMS se fez cúmplice das empresas cambiando o nome ao asséptico “gripe A/H1N1”, para desvincular-la da cria industrial de suínos. Sem embargo, o vírus estava presente em suínos de estabelecimentos industriais nos Estados Unidos desde uma década, embora não se conheciam casos de contágio a humanos e entre humanos, porém teve várias alertas de virologistas que diziam que isto poderia acontecer em qualquer momento, pela alta taxa de recombinação dos vírus, porém sobre tudo, porque a cria industrial confinada de animais acelera e intensifica este processo.

Não é o único fator, mas é clave na origem da atual epidemia e as que vêm, porque os suínos atuam, mais que outras espécies, como “crisóis para a recombinação de novos vírus. As condições de amontoamento de milhares de animais onde circulam diferentes cepas de vírus que podem infectar simultaneamente o mesmo animal, o estresse, as freqüentes vacinações com antivirais e antibióticos, a exposição continua as praguicidas para combater os parasitas e insetos que pululam nessas instalações, exacerbam esta capacidade.

Não se trata somente dos suínos, também da cria industrial de frangos e gado, que têm um efeito similar. Os suínos são particularmente receptivos a vírus de outras espécies, e por isso foi na cria industrial de suínos onde se gerou este vírus. Mas já tínhamos o antecedente da gripe aviária que têm a mesma matriz de formação. De por si, o vírus da gripe suína têm segmentos de gripe suína, da gripe aviária e da gripe humana.

E um contrafaz, como você menciona, é o deslocamento dos pequenos criadores, dos campesinos e campesinas, que podem produzir alimentos de forma sã, sem gerar estas enfermidades. Por suposto, os porcos dum campesino podem contrair o mesmo vírus, mas se assim fosse, não o disseminariam em forma massiva, porque seriam poucos animais. Ademais, a cria familiar não acelera a mutação, porque os animais estão em condições muito melhores, e não estão bombardeados desde que nascem com antivirais e antibióticos, como sucede na cria industrial.

No México, onde se supõe que começou a gripe que agora é definida como pandemia global, a cria industrial de animais em grande escala se desenvolveu junto com o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (TLCAN), porque então as grandes empresas de cria industrial de suínos e frangos invadiram o campo mexicano, deslocando a muitos criadores pequenos. Trasladam-se a México em parte pela crítica e multas a que começaram a ser submetidas nos Estados Unidos (pela devastação ambiental que acarretam), porém ademais porque o TLCAN lhes abre a porta, inclusive subsidiando-lhes ao não ter que pagar vários impostos, ademais que a mão de obra e a terra são mais em conta. O local onde se encontra o chamado "paciente zero" da gripe suína, é um povoado em Veracruz, perto a Granjas Carroll, que é propriedade majoritária de Smithfield, a maior produtora de carne suína industrial do mundo. Em Granjas Carroll se criam quase um milhão de porcos por ano. Em pouco mais duma década, os grandes criadores industriais de porcos se apropriaram de quase a metade do mercado mexicano.

Como diz Mike Davis, o mais perigoso de todo são os porcos com terno. Nos Estados Unidos, em 1965 havia 55 milhões de porcos em mais dum milhão de granjas dos Estados Unidos; hoje existem 65 milhões, concentrados em 65.000 instalações, a metade das quais têm mais de 5.000 animais. Ou seja, a produção não aumentou tanto, o que desapareceram foram os pequenos criadores.

“Em essência”, nos diz Davis, "se trata duma transição desde os pequenos chiqueiros para vastos infernos de excremento, de natureza sem precedente, nos quais centos de milhares de animais com sistemas imunes debilitados se sufocam entre o calor e os dejetos e intercambiam patógenos a velocidade de vertigem com seus companheiros de presídio e suas patéticas progênies."

2-. Você mesma têm definido a questão como “epidemia de lucro". É os vírus um negócio mais? Quem lucra com tudo isto e que fazem os governos à respeito?

Em primeira instância, é um grande lucro para os criadores industriais de animais. Porém já na enfermidade, é um tremendo negócio para as empresas farmacêuticas. Já antes da gripe suína, as empresas farmacêuticas estavam logrando grandes lucros com a venda de vacinas para adultos, que em 2007 superou por primeira vez a venda de vacinas pediátricas a nível global. As vacinas para a gripe são um grande negócio porque os vírus mudam o tempo tudo, então as empresas veem neste uma fonte interminável (digamos cinicamente "renovável") de ganhos. Em 2008, cinco empresas farmacêuticas controlavam o mercado mundial de vacinas: Merck, GlaxoSmithKline, Sanofi Pasteur (a divisão de vacinas de Sanofi Aventis), Wyeth (agora propriedade de Pfizer) e Novartis. As quatro maiores controlam o 91,5% do mercado mundial. As empresas que estão mais adiantadas na carreira para gerar uma nova vacina para a gripe suína, são justamente Glaxo (em colaboração com Baxter), Novartis e Sanofi Pasteur, que serão os grandes ganhadores. Há outras produtoras de vacinas algo menores, que também estão no negócio com a gripe suína, por exemplo, Novavax e Medinmune (da AstraZeneca).

O enfoque da vacinação massiva contra a gripe suína, que já foi imposto em vários países europeus e nos Estados Unidos, não será muito útil para a saúde pública, já que o vírus seguirá mudando–inclusive o mais provável é que estas campanhas acelerem a mutação– porém as compras governamentais a essas empresas são um negócio espetacular para elas. Pior ainda, com a histeria construída oficialmente de vacinar a todo o mundo, se estão processando aprovações em fast-track de novos métodos de elaborar vacinas que não têm sido realmente avaliados e podem ter conseqüências muito perigosas, já que são métodos experimentais, que por certo, na maioria dos casos implicam o uso de organismos transgênicos e vírus manipulados, agregando novos riscos desconhecidos até agora.

Nenhuma destas políticas dirigidas aos sintomas toca as causas que levam ao surgimento de novos patógenos, garantindo que o processo seguirá tal como vinha. Para pior, como muitos tem sinalado, a gripe suína nem sequer está entre as enfermidades que mais mortes causam no mundo, mas sim é uma das que mais drenará os recursos públicos a favor das transnacionais.

3-. Bio-piratería, biologia sintética, geo-engenharia, nanotecnologia, transgênicos, agro-combustíveis… Brincamos demasiado com a natureza, com a vida?

Definitivamente estão brincando demasiado com a vida, incluindo a vida do planeta, porém não "brincamos", o plural é demasiado amplo. É sobre todos os grandes interesses comerciais transnacionais, que ademais têm uma enorme ingerência na investigação científica, no desenvolvimento de novas tecnologias e nos governos. Em quase todos os casos por meio de dinheiro, que se apresentam como "subsídios" das empresas, mas na realidade são formas econômicas para as corporações de aceder e beneficiar-se da infra-estrutura, recursos e formação acadêmica dos setores públicos.

O famoso e controvertido geneticista Craig Venter, que logrou sua fama por encabeçar a parte privada do seqüenciamento do genoma humano, agora está construindo micróbios artificiais com biologia sintética, ou seja, construídos artificialmente desde zero para produzir combustíveis e outros materiais. Quando a imprensa lhe perguntou se estava brincando de ser Deus, Venter contestou "Não estou brincando".

Sua arrogante resposta é uma boa mostra da mentalidade que impera no complexo científico-industrial das novas tecnologias: não se trata de ver quais são as causas dos problemas para resolver-los, senão aproveitar as crises e os desastres como novas fontes de negócios, embora com as “soluções” propostas se ameace ainda mais o meio-ambiente, os ecos-sistema, a saúde, a vida. Como diz Craig Venter, não estão brincando, só estão fazendo dinheiro a custa de tudo e todos os demais.

Por certo, Craig Venter instalouse em Valencia com seu barco-laboratório até 2010, apoiado por autoridades locais, para "aproveitar" a biodiversidade microbiana das praias mediterrâneas para seus experimentos. Seria interessante conhecer de que forma o que faz não deve ser considerado biopirataria.

4-. E quais consideram que são os jogos mais perigosos? A tecnologia terminator e os transgênicos, as patentes de sementes? Pode pôr algum exemplo?

É difícil contestar esta pergunta, porque todas as novas tecnologias e as políticas que as acompanham (como as patentes) acarretam riscos consideráveis, não só ao ambiente, senão também às culturas e formas de vida que possibilitam a vida no planeta, como os camponeses.

Quiçá o mais perigoso seja a convergência das novas tecnologias, o que em ETC chamamos um novo "BANG", parafraseando ao Big Bang. Trata se da convergência dos Bits, Átomos, Neurociências e Genes, ou seja, "BANG". O governo dos Estados Unidos o chama a convergência NBIC, Nanotecnologia, Biotecnologia, Informática e Ciências Cognitivas. Dessas tecnologias, a nanotecnologia é a plataforma de desenvolvimento de todas as outras.

Em termos imediatos, quiçá o mais perigoso pelos alcances vastíssimos que teria, são as propostas de geo-engenharia, é dizer, a manipulação do planeta em seu conjunto, ou de grandes pedaços do planeta ou ecossistemas inteiros para, teoricamente, frear o câmbio climático.

Mas, por outra parte, o impacto do avanço dos transgênicos significa entregar definitivamente a soberania alimemtícia a um punhado de transnacionais, já que todos os transgênicos estão patenteados e é propriedade de seis empresas. Isto ademais dos problemas ao meio ambiente e a saúde. Entregar a soberania de sementes é dar a essas empresas a chave de toda a rede alimentícia, e ninguém pode viver sem comer. Como cada vez há transgênicos mais perigosos, porque têm mais genes acumulados - e são por tanto mais inestáveis– ou pelas propostas de grandes plantações de árvores transgênicas, que implicam uma contaminação a grandes distâncias e por décadas, as empresas tem voltado a pressionar para introduzir a tecnologia Terminator, para fazer sementes suicidas, ou seja, estéreis em segunda geração. Terminator não servirá para conter a contaminação, mas assegura às empresas que todos tenham que comprar-lhes sementes para a próxima semeadura, garantindo a bio-escravidão.

A escalada tecnológica que segue aos transgênicos é a biologia sintética ou como dizemos no Grupo ETC, a engenharia genética extrema, que é produzir organismos vivos sintéticos ou alterar com ADN sintético seus passos metabólicos. A diferença dos transgênicos, que tomam genes de seres que existem e os inserem em outros seres que existem, a biologia sintética se propõem criar genes e seres vivos artificiais, totalmente criados em laboratório.

O objetivo é empregar-los para acelerar os processos de extração de açúcares presentes em toda a biomassa, sua fermentação e sua conversão em químicos, polímeros e outras substâncias. Os insumos desta nova indústria são qualquer fonte de biomassa, como cultivos agrícolas e florestais, pastos, algas, etc., com o objetivo de produzir combustíveis, plásticos, tintas, cosméticos, fármacos, adesivos, têxteis e muitos produtos mais.

O uso deste tipo de micróbios vivos artificiais acarreta um aumento exponencial dos riscos e problemas que pranteiam os transgênicos ao meio-ambiente e à saúde. Outra grave conseqüência imediata é uma disputa de terras ainda mais agressiva, para usar a biomassa natural ou cultivar-la para satisfazer a demanda de insumos desta nova forma de produção.

Não se trata de ciência ficção ou projetos de futuro. As empresas mais poderosas do planeta têm importantes investimentos em biologia sintética e projetos de produção em marcha nos Estados Unidos e Brasil.

Os nomes das empresas de biologia sintética não nos resultam muito conhecidos. São por exemplo Amyris, Athenix, Codexis, LS9, Mascoma, Metabolix, Verenium, Synthetic Genomics e outras. Porém quem está atrás ou associados com elas são as principais petroleiras (Shell, BP, Marathon Oil, Chevron); as empresas que controlam mais dos 80% do comercio mundial de cereais (ADM, Cargill, Bunge, Louis Dreyfus); o oligopólio de sementeiras e produtoras de transgênicos e agrotóxicos (Monsanto, Syngenta, DuPont, Dow, Basf, Bayer); as maiores farmacêuticas (Merck, Pfizer, Bristol Myers Squibb), junto a outras como General Motors, Procter & Gamble, Marubeni, papeleiras, florestais e outras.

5-. A luta contra os transgênicos tem gerado muita informação, sem embargo há questões, como a nanotecnologia, que se escapam à opinião pública. Que é isso da nanotecnologia?

A nanotecnologia é a manipulação intencional da matéria -viva ou inerte- a escala do nanômetro, que é a milionésima parte dum milímetro. A diferença da biotecnologia, que indica a manipulação da vida, a nanotecnologia nos fala dum tamanho, duma escala. As escalas manométricas trocam as propriedades físicas e químicas da matéria, porque atuam o que se conhece como efeitos quânticos. A essa escala– por baixo de 100 a 300 nanômetros segundo quem o defina– os materiais trocam suas propriedades de resistência, condutividade elétrica, reatividade. Atualmente há no mercado mais de 800 linhas de produtos baseados em nanotecnologia, que vão desde cosméticos, alimentos e embalagem, lava-roupas e outros artefatos domésticos, produtos para neném, vestimenta, vários praguicidas, vários usos médicos e farmacêuticos, ademais de muitos novos materiais para construção de casas, autos e aviões. A nanotecnologia revolucionou também a telefonia e a computação, ao permitir o uso de processadores muito menores. Em fim, quando se descrevem todos seus usos parece algo muito positivo, porém já há alguns centos de estudos científicos que mostram que as nano partículas e os nano compostos têm um alto potencial de toxicidade para os seres vivos. Em alguns casos pode ser devido aos materiais utilizados, mas o mais tremendo é que mais além do que se use, parece ser que é o tamanho o mais perigoso: o sistema imunológico dos seres vivos não tem jeito de detectar as nano partículas sintéticas e por tanto passam inadvertidas, com potencial para danar o ADN, formar tumores, incluso passar da mãe ao feto através da placenta, atravessar a barreira hemato-encefálica do cérebro, pregar-se nos pulmões causando um efeito similar ao do asbesto. Também foi comprovado que há nano partículas que prendem o crescimento dos cultivos e são tóxicas para os microorganismos do solo e da água.

Sem embargo, embora tenha discussões em marcha em vários países, incluindo a União Européia, não há regulações aplicáveis à nanotecnologia em nenhuma parte do mundo, e os governos seguem permitindo sua comercialização “por enquanto”. No Grupo ETC pranteamos à necessidade duma moratória imediata a todas as aplicações da nanotecnologia desde o 2003, porém os governos optaram por um princípio de precaução “ao invés”: em quanto existam enormes incertezas científicas e desconhecimento do público, que nada impeça as empresas para seguir usando a todos como seus coelhos de índias.

6-. E a geo-engenharía? É certo, por exemplo, que há quem trata de fertilizar os oceanos?

Como mencionei antes, isto é gravíssimo porque se está apresentando como alternativa para manejar a troca climática. Como nenhum governo acredita que as negociações internacionais vão a lograr parar o câmbio climático, que cada vez está pior, há muitos cientistas apresentando projetos de geo-engenharia como a “única solução”, embora implique riscos enormes. E por suposto, muitas empresas vêm neles outra fonte de ótimos negócios.

Entre as propostas de geo-engenharia está a de “imitar” erupções vulcânicas, lançando milhões de balões com compostos enxofrados (outra vez, com nano partículas) para tapar os raios do sol. As partículas logo cairiam na terra provocando a morte prematura de meio milhão de pessoas, porém Paul Crutzen, o premio Nobel de química que o propôs, considera que com o câmbio climático também iriam morrer muitas pessoas…!

A fertilização oceânica se trata de lançar ao mar nano partículas de ferro ou uréia, para provocar florescimentos súbitos e massivos de plâncton, que teoricamente absorveriam dióxido de carbono e o levariam ao fundo do mar. Tem havido 13 experimentos patrocinados por governos, mas também há três empresas que o promovem comercialmente: vendem “créditos de carbono” que outras empresas ou indivíduos compram para que se “fertilize” o mar e absorva dióxido de carbono. Sem embargo, há estudos em revistas científicas como Nature & Science, que mostram que o carbono voltaria à superfície, se afetaria gravemente as cadeias tróficas do mar e se geraria falta de oxigênio e nutrientes em outras capas do oceano, ademais de potencialmente provocar o surgimento de algas danosas e muitos outros efeitos sobre o mar e praias, incluindo a interrupção dos sistemas de pesca artesanal.

Neste caso particular, logramos em 2008 que o Convenio de Diversidade Biológica das Nações Unidas declarara uma moratória contra a fertilização oceânica, porém as empresas empenhadas em fazer dele um negócio – por exemplo, Climos- estão agindo fortemente para reverter-la.

Um problema geral de todas as propostas de geo-engenharia, é que por definição devem ser a grande escala (do contrário, não teriam nenhum efeito sobre o clima), e que ao ser iniciativa de alguns governos e empresas, necessariamente outros países que não paguem por elas vão a sofrer as conseqüências de seus impactos. Lamentavelmente existem muitas mais propostas, como extensas plantações de árvores transgênicos e artificiais, espelhos na atmosfera, e “biochar” (Este termo “biochar” resulta de “biomass + charcoal” (biomassa + carvão), em inglês) a produção de carvão vegetal a grande escala que seria enterrada nos solos como fertilizante (embora já se saiba que incluso poderia liberar o carbono natural do solo). Todas as propostas possuem o componente de arriscar o equilíbrio natural dos ecos-sistema e estragar ainda mais o clima, impactando a outros - ou incluso aos mesmos que o fazem.

7-. É a propriedade intelectual uma inimiga do planeta? Por quê?

Os sistemas de propriedade intelectual são um invento típico do capitalismo para lograr ganâncias extraordinárias, adicionais ou complementárias aos monopólios e oligopólios de mercado, que nada têm a ver com o reconhecimento social aos que criam algo em particular. O conhecimento (base de todas as “invenções”) é um bem comum, todos nos baseamos em conhecimentos de outros sempre e somos interdependentes. A idéia de privatizar este fluxo recíproco inerente e básico para a subsistência das sociedades humanas é absurda e perversa, são na realidade sistemas para privatizar e excluir do aceso social aos recursos e conhecimentos, transformando-los em mercancias de quem possa pagar-las.

As patentes, um de seus expoentes mais extremos, são um bom exemplo de como funciona: o 97% das patentes no mundo estão nos países da OCDE, e o 90% são propriedade de empresas transnacionais. Mais demonstrativo é que as duas terceiras partes do que se patenteia nunca chega a usar-se: somente se patenteia para impedir que outros possam acessar ao objeto da patente. Patentear seres vivos como sementes, plantas, animais e até os códigos genéticos, é ainda mais absurdo, já que claramente são bens comuns. Com a nanotecnologia até se estão patenteando os elementos da tabela periódica.

8-. Também falou que nossa civilização está em guerra contra os campesinos do mundo. E como podem as comunidades campesinas lutar contra gigantes como Monsanto?

Está em guerra e é uma guerra suicida, porque o capitalismo cada vez expulsa mais gente do campo, contamina, destrói e esgota seus recursos, embora os campesinos, indígenas, pescadores artesanais, comunidades locais, são quem seguem cuidando e produzindo os elementos básicos para a subsistência de todos (a nível global uma enorme diversidade de sementes e animais domésticos, plantas medicinais, fibras, ademais do conhecimento sobre uso de muitos recursos silvestres, dos ecossistema e como cuidar-los, do solo, a água). Isto não somente “para eles”, porque a diversidade é à base de todos os sistemas vivos, incluindo, por suposto, os humanos. Tudo o que comemos e usamos para nossa saúde se baseia na diversidade que tem produzido –e seguem produzindo– os campesinos, campesinas e indígenas. É uma ilusão que poderíamos viver da uniformidade da agricultura industrial, por exemplo. Se não se renovara constantemente a base genética desses cultivos, desapareceriam em certo tempo. Ademais, objetivamente, os campesinos e pequenos produtores do mundo produzem a maior parte da alimentação da humanidade. Frente ao câmbio climático, os que têm e conhecem milhões de variedades adaptadas a milhares de micro-climas e situações geográficas são os campesinos.

A só existência das comunidades campesinas é uma luta contra Monsanto e as transnacionais. Acredito que é responsabilidade de todos, não só dos campesinos e campesinas, reconhecer a importância desta forma de vida e lutar juntos contra Monsanto– desde a informação, a denúncia e as campanhas até buscar formas cotidianas de solidariedade, incluindo redes e mercados locais, que nos permitam sair da dependência com os agronegócios e os supermercados.

9-. É um caminho o que fazem no ETC Group? Insistem muito em dar nomes e sobrenomes das corporações que concentram o poder da “indústria das ciências da vida”. Quais são vossos principais campos de ação à respeito?

Esperamos que o que fazemos seja útil, porém tenho claro, como diz aqui um sábio do povo huichol, que “só entre todos sabemos tudo”. Nós investigamos, analisamos e difundimos informação sobre a concentração corporativa e suas estratégias, como uma forma de contribuir a entender o contexto onde nos movemos. Justamente, uma das formas que tem o poder para que a gente seja passiva frente a todo o que sucede é que não entenda e não possa ver o contexto geral. Também analisamos e informamos sobre as novas tecnologias e seus impactos sobre as sociedades. Por exemplo, fomos das primeiras organizações (nesse então com o nome de RAFI) que informamos a nível global sobre os transgênicos, sobre o patenteamento de seres vivos e linhas celulares humanas, sobre biopirataria, e mais recentemente sobre outras novas tecnologias.

Todo o que fazemos está disponível em inglês e espanhol em nossa página www.etcgroup.org . Também trabalhamos diretamente com outras organizações e movimentos em oficinas e campanhas e levamos os temas a algumas instâncias internacionais para tratar de parar alguns dos efeitos mais nocivos. Não sempre temos eco, mas, por exemplo, logramos que se estabelecera uma moratória à tecnologia Terminator e outra à fertilização oceânica no Convênio de Diversidade Biológica. Também temos trabalhado pelo reconhecimento dos direitos dos agricultores na FAO e contra a privatização das sementes.

De todos modos sabemos que o fundamental é que a informação chegue aos mais afetados é à base das sociedades, nossa contribuição é gerar informação e compartir-la com outras organizações e instituições.

10-. Que relação tem o ETC Group com os movimentos campesinos?

Temos relação com muitos movimentos sociais, campesinos e outros, e esperamos que nosso trabalho de informação fosse útil para movimentos que acreditamos fundamentais na conjuntura atual, como por exemplo, A Via Campesina. No México participamos especialmente na Rede em Defesa do Milho Nativo, que está constituída por mais de 350 comunidades e organizações indígenas e campesinas.

11-. Qual é o grau de concentração corporativa na indústria biotecnológica e qual considera que são os perigos desta concentração?

Nas duas últimas décadas tem havido uma concentração corporativa vertiginosa em todos os setores que tocam a agricultura e a alimentação, desde as sementes aos supermercados. Faz só 30 anos, somente o 5% das sementes comerciais estava baixo propriedade intelectual - e a maioria eram plantas ornamentais. Hoje o 82% do mercado global de sementes está baixo propriedade intelectual e nesse rubro, as 10 empresas maiores possuem o 67% do mercado. Entre só 3, Monsanto, Syngenta, DuPont-Pioneer, tem o 47%. Estas três estão também entre as 10 maiores de agroquímicos que dominam em total o 89% do mercado.

Porém se vemos somente as sementes transgênicas, seis empresas têm o controle dos 100% do mercado e uma sozinha, Monsanto tem o 88%. Isto é um grau de monopólio que não tem similar na história da agricultura, e em geral, na história de todas as indústrias. O único caso dum monopólio similar é o de Bill Gates com Microsoft. Não é estranho que agora ambos coincidiram em seu intento de introduzir transgênicos na África, possuem a mesma mentalidade.

Os altos graus de concentração do mercado se repetem em toda a cadeia alimentícia. Não gosto usar a expressão “cadeia”, porque é uma rede, mas quando está em mãos das transnacionais se transforma realmente numa cadeia: cada vez têm mais poder para decidir que se cultiva, que comemos, que (falta de) qualidade terá, etc.

Os cultivos transgênicos são a expressão maior deste controle corporativo: estão todos patenteados e inevitavelmente contaminam aos demais cultivos - o qual se transforma num delito para as vítimas, porque se lhes acusa de “uso indevido” de seus genes patenteados. Em lugar duma “opção” para quem os quer, como dizem as empresas que os promovem, são os cultivos mais imperialistas da história.

12-. Afeta a esta indústria a crise, ou quiçá lhe beneficia, como no caso da crise alimentícia?

Todos os agronegócios, desde as sementeiras, os fabricantes de agrotóxicos, incluindo fertilizantes sintéticos e as grandes cerealíferas tiveram ganâncias altíssimas desde que se revelou a crise alimentícia em 2007, muito maior que em anos anteriores. Ganharam com a subida e especulação dos preços dos alimentos, mas também com a venda de grãos para agro-combustíveis (com o qual podiam especular ainda mais produzindo maior escassez de alimentos e preços mais altos), com a venda de insumos químicos e até com a venda de cereais para “ajuda alimentícia” nos locais de catástrofe. São verdadeiros abutres da fome.

13-. A seu juízo, têm cabida a soberania alimentícia num mundo capitalista? Que teria que passar para que caminhassem para aí? Quiçá constituições como a de Equador? Ou tampouco?

Pese a todo o que descrevi sobre o poder das corporações agro - alimentícias, o 85% da comida se produz perto de onde se come, e a maioria das sementes seguem em mãos dos campesinos. Isto é uma base fundamental e há que pelear por manter-lo e aumentar-lo.

A soberania alimentícia sempre vai ser atacada pelas transnacionais que buscam serem as donas de tudo o mercado alimentício, porque é o maior do planeta e ademais não se pode viver sem comer. Por isso mesmo é necessário por freio –como mínimo– no nível dos países que tem a vontade política para isto. Acredito que o caso de Equador é um precedente importante, ainda que lamentavelmente e contra a vontade do povo e o Congresso, o presidente Correa vetou alguns artigos, justamente cedendo às pressões dos grandes lati fundistas e os agronegócios. Em qualquer caso necessitamos estar organizados desde abaixo para poder controlar se se logram medidas legislativas, sejam a favor da soberania alimentícia, dos campesinos, das maiorias, e que se cumpram.

14-. É possível um mundo baseado na pequena e mediana agricultura campesina ou sempre vamos necessitar, como afirmam os defensores do sistema neoliberal, novas revoluções verdes?

Embora desde as cidades seja difícil visualizar-lo, já vivemos num mundo baseado na pequena e mediana agricultura campesina, que são quem alimentam à maioria da população do planeta. Incluso em muitas cidades do planeta há um grau importante de agricultura urbana, a cargo em sua maioria de campesinos que deveram emigrar às cidades. Se estima que entre 15 e 20% dos alimentos se produzem em cidades, e mais de 800 milhões de habitantes urbanos participam em alguma forma de agricultura. Publicamos mais dados sobre isto, sobre a concentração corporativa e outros temas que mencione num informe do Grupo ETC de dezembro 2008 titulado “De quem é a natureza?”.

A revolução verde aumentou o volume de cereais produzidos por hectare, mas ao mesmo tempo aumentou mais a pobreza, os fomentos e os desnutridos a nível global. De passo produz uma monstruosa contaminação das águas e erosão de solos e facilitou a toma do mercado pelas corporações. Ademais a agricultura industrial e a troca de uso de solos são fatores muito mais graves de câmbio climático que o transporte, que é o mais conhecido.

As mesmas empresas que criaram e se beneficiaram com esta débâcle, que agora aumentaram amoralmente suas ganâncias com a crise alimentaria, nos receitam mais do mesmo. O pior, estender ainda mais a agricultura industrial, transgênica e contaminante, para seguir ganhando.

Não só é possível um mundo baseada na agricultura campesina, diversa e descentralizada, é imprescindível. E é tarefa de todos apoiarem a quem, como La Via Campesina, o segue praticando e defendendo.

* A uruguaia Silvia Ribeiro é investigadora e coordenadora de programas do Grupo ETC no México. Foi coordenadora de campanhas ambientais no Uruguai, Brasil e Suécia. Como representante da sociedade civil, seguiu as negociações de tratados ambientais da ONU. É experta em transgênicos e novas tecnologias, concentração corporativa, propriedade intelectual, direitos indígenas e campesinos. Escreveu grande número de artigos, publicados na rede e em inumeráveis revistas e livros. É colunista do jornal La Jornada no México e membro do comitê editorial da revista Biodiversidade, Sustento e Culturas, publicados em sete países latino-americanos, da revista Ecologia Política e outras.

** ETC Group-. Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração. Dedica-se à conservação e promoção da diversidade cultural e ecológica e os direitos humanos. Promove o desenvolvimento de tecnologias socialmente responsáveis que sirvam aos pobres e marginalizados, trabalha em questões de governança internacional e poder corporativo. A força do Grupo ETC se encontra na investigação e análise da informação tecnológica–recursos genéticos das plantas, biotecnologias, diversidade biológica, etc. –, e no desenvolvimento de opções estratégicas relacionadas com as ramificações sócio-econômicas das novas tecnologias.

+INFO: ww.etcgroup.org

Fonte: http://www.altermundo.org/content/view/2639/1/

29 de noviembre de 2009

Entrevista a Silvia Ribeiro, investigadora y responsable de programas del Grupo ETC

"La gripe porcina drenará los recursos públicos a favor de las trasnacionales"

Manoel Santos - Altermundo

Biopiratería, geoingeniería, nanotecnología, transgénicos, biología sintética, agro combustibles… Una red de poderosas trasnacionales juegan a romper las reglas de la naturaleza. Silvia Ribeiro*, investigadora y responsable de programas del Grupo ETC** en México, está entre las mayores expertas mundiales en la lucha contra estas nocivas prácticas.

1.- Hola, Silvia. Tú trabajas en México, estas semanas en el centro de la atención mundial por causa de la llamada gripe porcina. Poco se habla en la prensa hegemónica de la relación entre ese A/H1N1 y la cría industrial de animales. Y menos aún de los efectos de estos métodos sobre la vida de los campesinos y campesinas. ¿Cual es tu reflexión al respecto?

Yo creo que la gripe porcina, además de la gravedad del hecho en sí mismo para quienes la sufren, es una muestra clara de un aspecto de las crisis múltiples que vivimos, del que poco se habla: la crisis de la salud. Oímos hablar de las crisis económicas y financieras, que parecen opacar en los titulares a otras muchas más graves, como la alimentaria, la climática y la ambiental, pero casi no se habla de la crisis de salud, que es una consecuencia lógica y gravísima del modelo imperante.

La gripe porcina es un buen ejemplo de esto, pese a que hasta la OMS se hizo cómplice de las empresas cambiándole el nombre al aséptico “gripe A/H1N1”, para desvincularla de la cría industrial de cerdos. Sin embargo, el virus estaba presente en cerdos de establecimientos industriales en Estados Unidos desde hace una década, aunque no se conocían casos de contagio a humanos y entre humanos, pero hubo varias alertas de virólogos que decían que esto podía suceder en cualquier momento, por la alta tasa de recombinación de los virus, pero sobre todo, porque la cría industrial confinada de animales acelera e intensifica este proceso.

No es el único factor, pero es clave en el origen de la actual epidemia y las que vienen, porque los cerdos actúan, más que otras especies, como “crisol€ para la recombinación de nuevos virus. Las condiciones de hacinamiento de miles de animales donde circulan diferentes cepas de virus que pueden infectar simultáneamente al mismo animal, el estrés, las frecuentes vacunaciones con antivirales y antibióticos, la exposición continua a plaguicidas para combatir los parásitos e insectos que pululan en esas instalaciones, exacerban esta capacidad.

No se trata solamente de los cerdos, también de la cría industrial de pollos y ganado, que tienen un efecto similar. Los cerdos son particularmente receptivos a virus de otras especies, y por eso fue en la cría industrial de cerdos donde se generó este virus. Pero ya teníamos el antecedente de la gripe aviar, que tiene la misma matriz de formación. De por sí, el virus de la gripe porcina tiene segmentos de gripe porcina, de gripe aviar y de gripe humana.

Y una contracara, como tú mencionas, es el desplazamiento de los pequeños criadores, de los campesinos y campesinas, que pueden producir alimentos de forma sana, sin generar estas enfermedades. Por supuesto, los cerdos de un campesino pueden contraer el mismo virus, pero si así fuera, no lo diseminarían en forma masiva, porque serían pocos animales. Además, la cría familiar no acelera la mutación, porque los animales están en condiciones mucho mejores, y no están bombardeados desde que nacen con antivirales y antibióticos, como sucede en la cría industrial.

En México, donde se supone que empezó la gripe que ahora es definida como pandemia global, la cría industrial de animales a gran escala se desarrolló junto con el Tratado de Libre Comercio de América del Norte (TLCAN), porque entonces las grandes empresas de cría industrial de cerdos y pollos invadieron el campo mexicano, desplazando a muchos criadores pequeños. Se trasladan a México en parte por la crítica y multas a que empezaron a ser sometidas en Estados Unidos (por la devastación ambiental que conllevan), pero además porque el TLCAN les abre la puerta, incluso subsidiándolas al no tener que pagar varios impuestos, además que la mano de obra y la tierra es más barata. El lugar donde se ubica al llamado "paciente cero" de la gripe porcina, es un poblado en Veracruz, cercano a Granjas Carroll, que es propiedad mayoritaria de Smithfield, la mayor productora de carne de cerdo industrial del mundo. En Granjas Carroll se crían casi un millón de cerdos por año. En poco más de una década, los grandes criadores industriales de cerdos se apropiaron de casi la mitad del mercado mexicano.

Como dijo Mike Davis, lo más peligroso de todo son los cerdos con traje. En Estados Unidos, en 1965 había 55 millones de cerdos en más de un millón de granjas de Estados Unidos; hoy existen 65 millones, concentrados en 65.000 instalaciones, la mitad de las cuales tienen más de 5.000 animales. O sea, la producción no aumentó tanto, lo que desaparecieron fueron los pequeños criadores.

“En esencia”, nos dice Davis, "se trata de una transición desde los pequeños chiqueros hacia vastos infiernos de excremento, de naturaleza sin precedente, en los cuales cientos de miles de animales con sistemas inmunes debilitados se sofocan entre el calor y el estiércol e intercambian patógenos a velocidad de vértigo con sus compañeros de presidio y sus patéticas progenies."

2-. Tú misma has definido la cuestión como “epidemia de lucro". ¿Son los virus un negocio más? ¿Quién se lucra con todo esto y qué hacen los gobiernos al respecto?

En primera instancia, es un gran lucro para los criadores industriales de animales. Pero ya en la enfermedad, es un tremendo negocio para las empresas farmacéuticas. Ya antes de la gripe porcina, las empresas farmacéuticas estaban logrando grandes lucros con la venta de vacunas para adultos, que en el 2007 superó por primera vez la venta de vacunas pediátricas a nivel global. Las vacunas para la gripe son un gran negocio porque los virus mutan todo el tiempo, entonces las empresas ven en esto una fuente interminable (digamos cínicamente "renovable") de ganancias. A 2008, cinco empresas farmacéuticas controlaban el mercado mundial de vacunas: Merck, GlaxoSmithKline, Sanofi Pasteur (la división de vacunas de Sanofi Aventis), Wyeth (ahora propiedad de Pfizer) y Novartis. Las cuatro más grandes controlan el 91,5% del mercado mundial. Las empresas que están más adelantadas en la carrera para generar una nueva vacuna para la gripe porcina, son justamente Glaxo (en colaboración con Baxter), Novartis y Sanofi Pasteur, que serán los grandes ganadores. Hay otras productoras de vacunas algo menores, que también están en el negocio con la gripe porcina, por ejemplo Novavax y Medinmune (de AstraZeneca).

El enfoque de la vacunación masiva contra la gripe porcina, que ya se ha impuesto en varios países europeos y en Estados Unidos, no será muy útil para la salud pública, ya que el virus seguirá mutando –incluso lo más probable es que estas campañas aceleren la mutación– pero las compras gubernamentales a esas empresas son un negocio espectacular para ellas. Peor aún, con la histeria construida oficialmente de vacunar a todo el mundo, se están procesando aprobaciones en fast-track de nuevos métodos de elaborar vacunas que no han sido realmente evaluados y pueden tener consecuencias muy peligrosas, ya que son métodos experimentales, que por cierto, en la mayoría de los casos implican el uso de organismos transgénicos y virus manipulados, agregando nuevos riesgos desconocidos hasta ahora.

Ninguna de estas políticas dirigidas a los síntomas toca las causas que llevan al surgimiento de nuevos patógenos, garantizando que el proceso seguirá tal como venía. Para peor, como muchos han señalado, la gripe porcina ni siquiera está entre las enfermedades que más muertes causan en el mundo, pero sí es una de las que más drenará los recursos públicos a favor de las trasnacionales.

3-. Biopiratería, biología sintética, geoingeniería, nanotecnología, transgénicos, agrocombustibles… ¿Jugamos demasiado con la naturaleza, con la vida?

Definitivamente están jugando demasiado con la vida, incluyendo la vida del planeta, pero no "jugamos", el plural es demasiado amplio. Son sobre todo los grandes intereses comerciales transnacionales, que además tienen una enorme injerencia en la investigación científica, en el desarrollo de nuevas tecnologías y en los gobiernos. En casi todos los casos mediado por dinero, que se presentan como "subsidios" de las empresas, pero en realidad son formas baratas para las corporaciones de acceder y beneficiarse de la infraestructura, recursos y formación académica de los sectores públicos.

El famoso y controvertido genetista Craig Venter, que logró su fama por encabezar la parte privada del secuenciamiento del genoma humano, ahora está construyendo microbios artificiales con biología sintética, o sea, construidos artificialmente desde cero para producir combustibles y otros materiales. Cuando la prensa le preguntó si estaba jugando a ser Dios, Venter contestó "No estoy jugando".

Su arrogante respuesta es una buena muestra de la mentalidad que impera en el complejo científico-industrial de las nuevas tecnologías: no se trata de ver cuáles son las causas de los problemas para resolverlos, sino aprovechar las crisis y los desastres como nuevas fuentes de negocios, aunque con las “soluciones” propuestas se amenace aún más el medioambiente, los ecosistemas, la salud, la vida. Como dice Craig Venter, no están jugando, sólo están haciendo dinero a costa de todo y todos los demás.

Por cierto, Craig Venter se ha instalado en Valencia con su barco-laboratorio hasta 2010, apoyado por autoridades locales, para "aprovechar" la biodiversidad microbiana de las costas mediterráneas para sus experimentos. Sería interesante conocer de qué forma lo que hace no debe ser considerado biopiratería.

4-. ¿Y cuales consideras tu que son los juegos más peligrosos? ¿La tecnología terminator y los transgénicos, las patentes de semillas? ¿Puedes poner algún ejemplo?

Es difícil contestar esta pregunta, porque todas las nuevas tecnologías y las políticas que las acompañan (como las patentes) conllevan riesgos considerables, no sólo al ambiente, sino también a las culturas y formas de vida que posibilitan la vida en el planeta, como los campesinos y campesinas.

Quizá lo más peligroso sea la convergencia de las nuevas tecnologías, lo que en ETC llamamos un nuevo "BANG", parafraseando al Big Bang. Se trata de la convergencia de los Bits, Atomos, Neurociencias y Genes, o sea "BANG". El gobierno de Estados Unidos lo llama la convergencia NBIC, Nanotecnología, Biotecnología, Informática y Ciencias Cognitivas. De esas tecnologías, la nanotecnología es la plataforma de desarrollo de todas las otras.

En términos inmediatos, quizá lo más peligroso por los alcances vastísimos que tendría, son las propuestas de geoingeniería, es decir, la manipulación del planeta en su conjunto, o de grandes pedazos del planeta o ecosistemas enteros para, teóricamente, frenar el cambio climático.

Pero, por otra parte, el impacto del avance de los transgénicos significa entregar definitivamente la soberanía alimentaria a un puñado de transnacionales, ya que todos los transgénicos están patentados y son propiedad de seis empresas. Esto además de los problemas al ambiente y la salud. Entregar la soberanía de semillas, es darle a esas empresas la llave de toda la red alimentaria. Y nadie puede vivir sin comer. Como cada vez hay transgénicos más peligrosos, porque tienen más genes apilados –y son por tanto más inestables– o por las propuestas de grandes plantaciones de árboles transgénicos, que implican una contaminación a grandes distancias y por décadas, las empresas han vuelto a presionar para introducir la tecnología Terminator, para hacer semillas suicidas, o sea, estériles en segunda generación. Terminator no servirá para contener la contaminación, pero asegura a las empresas que todos tengan que comprarles semillas para la próxima siembra, garantizando la bioesclavitud.

La escalada tecnológica que sigue a los transgénicos es la biología sintética o como decimos en el Grupo ETC, la ingeniería genética extrema, que es producir organismos vivos sintéticos o alterar con ADN sintético sus pasos metabólicos. A diferencia de los transgénicos, que toman genes de seres que existen y los insertan en otros seres que existen, la biología sintética se propone crear genes y seres vivos artificiales, totalmente creados en laboratorio.

El objetivo es emplearlos para acelerar los procesos de extracción de azúcares presentes en toda la biomasa, su fermentación y su conversión en químicos, polímeros y otras sustancias. Los insumos de esta nueva industria son cualquier fuente de biomasa, como cultivos agrícolas y forestales, pastos, algas, etc., con el objetivo de producir combustibles, plásticos, tintes, cosméticos, fármacos, adhesivos, textiles y muchos productos más.

El uso de este tipo de microbios vivos artificiales conlleva un aumento exponencial de los riesgos y problemas que plantean los transgénicos al medioambiente y a la salud. Otra grave consecuencia inmediata, es una disputa de tierras aún más agresiva, para usar la biomasa natural o cultivarla para satisfacer la demanda de insumos de esta nueva forma de producción.

No se trata de ciencia ficción o proyectos de futuro. Las empresas más poderosas del planeta tienen importantes inversiones en biología sintética y proyectos de producción en marcha en Estados Unidos y Brasil.

Los nombres de las empresas de biología sintética no nos resultan muy conocidos. Son por ejemplo Amyris, Athenix, Codexis, LS9, Mascoma, Metabolix, Verenium, Synthetic Genomics y otras. Pero quienes están detrás o asociados con ellas son las principales petroleras (Shell, BP, Marathon Oil, Chevron); las empresas que controlan más del 80% del comercio mundial de cereales (ADM, Cargill, Bunge, Louis Dreyfus); el oligopolio de semilleras y productoras de transgénicos y agro tóxicos (Monsanto, Syngenta, DuPont, Dow, Basf, Bayer); las mayores farmacéuticas (Merck, Pfizer, Bristol Myers Squibb), junto a otras como General Motors, Procter & Gamble, Marubeni, papeleras, forestales y otras.

5-. La lucha contra los transgénicos ha generado mucha información, sin embargo hay cuestiones, como la nanotecnología, que se escapan a la opinión pública. ¿Qué es eso de la nanotecnología?

La nanotecnología es la manipulación intencional de la materia -viva o inerte- a escala del nanómetro, que es la millonésima parte de un milímetro. A diferencia de la biotecnología, que indica la manipulación de la vida, la nanotecnología nos habla de un tamaño, de una escala. A escala manométrica cambian las propiedades físicas y químicas de la materia, porque actúan lo que se conoce como efectos cuánticos. A esa escala –por debajo de 100 a 300 nanómetros según quien lo defina– los materiales cambian sus propiedades de resistencia, conductividad eléctrica, reactividad. Actualmente hay el mercado más de 800 líneas de productos basados en nanotecnología, que van desde cosméticos, alimentos y embalajes, lavarropas y otros artefactos domésticos, productos para bebés, vestimenta, varios plaguicidas, varios usos médicos y farmacéuticos, además de muchos nuevos materiales para construcción de casas, autos y aviones. La nanotecnología revolucionó también la telefonía y la computación, al permitir el uso de procesadores mucho más pequeños. En fin, cuando se describen todos sus usos parece algo muy positivo, pero ya hay algunos cientos de estudios científicos que muestran que las nano partículas y los nano compuestos tienen un alto potencial de toxicidad para los seres vivos. En algunos casos puede ser debido a los materiales utilizados, pero lo más tremendo es que más allá de lo que se use, parece ser que es el tamaño lo más riesgoso: el sistema inmunológico de los seres vivos no tiene forma de detectar las nano partículas sintéticas y por tanto pasan inadvertidas, con potencial para dañar el ADN, formar tumores, incluso pasar de la madre al feto a través de la placenta, atravesar la barrera hemato-encefálica del cerebro, clavarse en los pulmones causando un efecto similar al del asbestos. También se ha comprobado que hay nano partículas que detienen el crecimiento de los cultivos y son tóxicas para los microorganismos del suelo y del agua.

Sin embargo, aunque hay discusiones en marcha en varios países, incluyendo la Unión Europea, no hay regulaciones aplicables a la nanotecnología en ninguna parte del mundo, y los gobiernos siguen permitiendo su comercialización “mientras tanto”. En el Grupo ETC planteamos la necesidad de una moratoria inmediata a todas las aplicaciones de la nanotecnología desde el 2003, pero los gobiernos optaron por un principio de precaución “invertido”: mientras haya enormes incertidumbres científicas y desconocimiento del público, que nada prevenga a las empresas para seguir usando a todos como sus conejillos de indias.

6-. ¿Y la geoingeniería? ¿Es cierto, por ejemplo, que hay quien trata de fertilizar los océanos?

Como mencioné antes, esto es gravísimo porque se está planteando como alternativa para manejar el cambio climático. Cómo ningún gobierno cree que las negociaciones internacionales van a lograr parar el cambio climático, que cada vez está peor, hay muchos científicos planteando proyectos de geoingeniería como la “única solución”, aunque implique riesgos enormes. Y por supuesto, muchas empresas ven en esto otra fuente de jugosos negocios.

Entre las propuestas de geoingeniería está la de “imitar” erupciones volcánicas, lanzando millones de globos con compuestos azufrados (otra vez, con nano partículas) para tapar los rayos del sol. Las partículas luego caerían a la tierra provocando la muerte prematura de medio millón de personas, pero Paul Crutzen, el premio Nobel de química que lo propuso, considera que con el cambio climático también moriría mucha gente…!

La fertilización oceánica se trata de arrojar al mar nano partículas de hierro o urea, para provocar florecimientos súbitos y masivos de plancton, que teóricamente absorberían dióxido de carbono y lo llevarían al fondo del mar. Ha habido 13 experimentos patrocinados por gobiernos, pero también hay tres empresas que lo promueven comercialmente: venden “créditos de carbono” que otras empresas o individuos compran para que se “fertilice” el mar y absorba dióxido de carbono. Sin embargo, hay estudios en revistas científicas como Nature y Science, que muestran que el carbono volvería a la superficie, se afectaría gravemente las cadenas tróficas del mar y se generaría falta de oxígeno y nutrientes en otras capas del océano, además de potencialmente provocar el surgimiento de algas dañinas y muchos otros efectos sobre el mar y costas, incluyendo la disrupción de los sistemas de pesca artesanal.

En este caso particular, logramos en 2008 que el Convenio de Diversidad Biológica de Naciones Unidas declarara una moratoria contra la fertilización oceánica, pero las empresas empeñadas en hacer de esto un negocio – por ejemplo Climos- están cabildeando fuertemente para revertirla.

Un problema general de todas las propuestas de geoingeniería, es que por definición deben ser a gran escala (de lo contrario, no tendrían ningún efecto sobre el clima), y que al ser iniciativa de algunos gobiernos y empresas, necesariamente otros países que no paguen por ellas van a sufrir las consecuencias de sus impactos. Lamentablemente hay muchos más propuestas, como extensas plantaciones de árboles transgénicos y artificiales, espejos en la atmósfera, y “biochar” o producción de carbón vegetal a gran escala que sería enterrado en los suelos como fertilizante (aunque ya se sabe que incluso podría liberar el carbono natural del suelo). Todas las propuestas tienen el componente de arriesgar el equilibrio natural de los ecosistemas y desarreglar más el clima, impactando a otros –o incluso a los mismos que lo hacen.

7-. ¿Es la propiedad intelectual una enemiga del planeta? ¿Por qué?

Los sistemas de propiedad intelectual son un invento típico del capitalismo para lograr ganancias extraordinarias, adicionales o complementarias a los monopolios y oligopolios de mercado, que nada tienen que ver con el reconocimiento social a los que crean algo en particular. El conocimiento (base de todas las “invenciones”) es un bien común, todos nos basamos en conocimientos de otros siempre y somos interdependientes. La idea de privatizar este flujo recíproco inherente y básico para la subsistencia de las sociedades humanas es absurda y perversa, son en realidad sistemas para privatizar y excluir del acceso social a los recursos y conocimientos, transformándolos en mercancías de quien pueda pagarlas.

Las patentes, uno de sus exponentes más extremos, son un buen ejemplo de cómo funciona: el 97% de las patentes en el mundo están en los países de la OCDE, y el 90% son propiedad de empresas transnacionales. Más demostrativo es que las dos terceras partes de lo que se patenta nunca llega a usarse: solamente se patenta para impedir que otros puedan acceder al objeto de la patente. Patentar seres vivos como semillas, plantas, animales y hasta los códigos genéticos, es aún más absurdo, ya que claramente son bienes comunes. Con la nanotecnología hasta se están patentando los elementos de la tabla periódica.

8-. También has dicho que nuestra civilización está en guerra contra los campesinos del mundo. ¿Y cómo pueden las comunidades campesinas luchar contra gigantes como Monsanto?

Está en guerra y es una guerra suicida, porque el capitalismo cada vez expulsa más gente del campo, contamina, destruye y agota sus recursos, aunque los campesinos, indígenas, pescadores artesanales, comunidades locales, son quienes siguen cuidando y produciendo los elementos básicos para la subsistencia de todos (a nivel global una enorme diversidad de semillas y animales domésticos, plantas medicinales, fibras, además del conocimiento sobre uso de muchos recursos silvestres, de los ecosistemas y como cuidarlos, del suelo, el agua). Esto no solamente “para ellos”, porque la diversidad es la base de todos los sistemas vivos, incluyendo, por supuesto, los humanos. Todo lo que comemos y usamos para nuestra salud se basa en la diversidad que han producido –y siguen produciendo– los campesinos, campesinas e indígenas. Es una ilusión que podríamos vivir de la uniformidad de la agricultura industrial, por ejemplo. Si no se renovara constantemente la base genética de esos cultivos, desaparecerían en cierto tiempo. Además, objetivamente, los campesinos y pequeños productores del mundo producen la mayor parte de la alimentación de la humanidad. Frente al cambio climático, los que tienen y conocen millones de variedades adaptadas a miles de microclimas y situaciones geográficas son los campesinos.

La sola existencia de las comunidades campesinas es una lucha contra Monsanto y las trasnacionales. Creo que es responsabilidad de todos, no sólo de los campesinos y campesinas, reconocer la importancia de esta forma de vida y luchar juntos contra Monsanto –desde la información, la denuncia y las campañas hasta buscar formas cotidianas de solidaridad, incluyendo redes y mercados locales, que nos permitan salir de la dependencia con los agros negocios y los supermercados.

9-. ¿Es un camino lo que hacéis en el ETC Group? Insistís mucho en dar nombres y apellidos de las corporaciones que concentran el poder de la “industria de las ciencia de la vida”. ¿Cuales son vuestros principales campos de acción al respecto?

Esperamos que lo que hacemos sea útil, pero tengo claro, como dice aquí un sabio del pueblo huichol, que “sólo entre todos sabemos todo”. Nosotros investigamos, analizamos y difundimos información sobre la concentración corporativa y sus estrategias, como una forma de contribuir a entender el contexto donde nos movemos. Justamente, una de las formas que tiene el poder para que la gente sea pasiva frente a todo lo que sucede es que no entienda y no pueda ver el contexto general. También analizamos e informamos sobre las nuevas tecnologías y sus impactos sobre las sociedades. Por ejemplo, fuimos de las primeras organizaciones (en ese entonces con el nombre de RAFI) que informamos a nivel global sobre los transgénicos, sobre el patentamiento de seres vivos y líneas celulares humanas, sobre biopiratería, y más recientemente sobre otras nuevas tecnologías.

Todo lo que hacemos está disponible en inglés y castellano en nuestra página www.etcgroup.org . También trabajamos directamente con otras organizaciones y movimientos en talleres y campañas y llevamos los temas a algunas instancias internacionales para tratar de parar algunos de los efectos más nocivos. No siempre tenemos eco, pero por ejemplo, logramos que se estableciera una moratoria a la tecnología Terminator y otra a la fertilización oceánica en el Convenio de Diversidad Biológica. También hemos trabajado por el reconocimiento de los derechos de los agricultores en la FAO y contra la privatización de las semillas.

De todos modos sabemos que lo fundamental es que la información llegue a los más afectados y a la base de las sociedades, nuestra contribución es generar información y compartirla con otras organizaciones e instituciones.

10-. ¿Qué relación tenéis en el ETC Group con los movimientos campesinos?

Tenemos relación con muchos movimientos sociales, campesinos y otros, y esperamos que nuestro trabajo de información sea útil para movimientos que creemos fundamentales en la coyuntura actual, como por ejemplo La Vía Campesina. En México participamos especialmente en la Red en Defensa del Maíz Nativo, que está constituida por más de 350 comunidades y organizaciones indígenas y campesinas.

11-. ¿Cuál es el grado de concentración corporativa en la industria biotecnológica y cuales consideras que son los peligros de esta concentración?

En las dos últimas décadas ha habido una concentración corporativa vertiginosa en todos los sectores que tocan la agricultura y la alimentación, desde las semillas a los supermercados. Hace sólo 30 años, solamente el 5% de las semillas comerciales estaba bajo propiedad intelectual –y la mayoría eran plantas ornamentales. Hoy el 82% del mercado global de semillas está bajo propiedad intelectual y en ese rubro, las 10 empresas más grandes acaparan el 67% del mercado. Entre sólo 3, Monsanto, Syngenta, DuPont-Pioneer, tienen el 47%. Estas tres están también entre las 10 mayores de agroquímicos que tienen en total el 89% del mercado.

Pero si vemos solamente las semillas transgénicas, seis empresas tienen el control del 100% del mercado y una sola, Monsanto, tiene el 88%. Esto es un grado de monopolio que no tiene similar en la historia de la agricultura, y en general, en la historia de todas las industrias. El único caso de un monopolio similar es el de Bill Gates con Microsoft. No es extraño que ahora ambos hayan coincidido en su intento de introducir transgénicos en África, tienen la misma mentalidad.

Los altos grados de concentración de mercado, se repiten en toda la cadena alimentaria. No me gusta usar la expresión “cadena”, porque es una red, pero cuando está en manos de las trasnacionales se transforma realmente en una cadena: cada vez tienen más poder para decidir qué se planta, qué comemos, qué (falta de) calidad tendrá, etc.

Los cultivos transgénicos son la expresión mayor de este control corporativo: están todos patentados e inevitablemente contaminan a los demás cultivos –lo cual se transforma en un delito para las víctimas, porque se les acusa de “uso indebido” de sus genes patentados. En lugar de una “opción” para quien los quiera, como dicen las empresas que los promueven, son los cultivos más imperialistas de la historia.

12-. ¿Le afecta a esta industria la crisis, o quizá le beneficia, como en el caso de la crisis alimentaria?

Todos los agro negocios, desde las semilleras, los fabricantes de agrotóxicos, incluyendo fertilizantes sintéticos y las grandes cerealeras han tenido ganancias altísimas desde que se reveló la crisis alimentaria en 2007, mucho mayores que en años anteriores. Ganaron con la subida y especulación de los precios de los alimentos, pero también con la venta de granos para agrocombustibles (con lo cual podían especular aún más produciendo mayor escasez de alimentos y precios más caros), con la venta de insumos químicos y hasta con la ventas de cereales para “ayuda alimentaria” en los lugares de catástrofe. Son verdaderos buitres del hambre.

13-. A tu juicio, ¿tiene cabida la soberanía alimentaria en un mundo capitalista? ¿Qué tendría que pasar para que camináramos hacia ahí? ¿Quizá constituciones como la de Ecuador? ¿O tampoco?

Pese a todo lo que describí sobre el poder de las corporaciones agroalimentarias, el 85% de la comida se produce cerca de donde se come, y la mayoría de las semillas siguen en manos de los campesinos. Esto es una base fundamental y hay que pelear por mantenerlo y ampliarlo.

La soberanía alimentaria siempre va a ser atacada por las trasnacionales que buscan ser las dueñas de todo el mercado alimentario, porque es el más grande del planeta y además no se puede vivir sin comer. Por eso mismo es necesario ponerles freno –como mínimo– a nivel de los países que tienen la voluntad política para ello. Creo que el caso de Ecuador es un precedente importante, aunque lamentablemente y contra la voluntad del pueblo y el Congreso, el presidente Correa vetó algunos artículos, justamente cediendo a las presiones de los grandes latifundistas y los agros negocios. En cualquier caso necesitamos estar organizados desde abajo para poder controlar que si se logran medidas legislativas, sean a favor de la soberanía alimentaria, de los campesinos, de las mayorías, y que se cumplan.

14-. ¿Es posible un mundo basado en la pequeña y mediana agricultura campesina o siempre vamos a necesitar, como afirman los defensores del sistema neoliberal, nuevas revoluciones verdes?

Aunque desde las ciudades sea difícil visualizarlo, ya vivimos en un mundo basado en la pequeña y mediana agricultura campesina, que son quienes alimentan a la mayoría de la población del planeta. Incluso en muchas ciudades del planeta hay un grado importante de agricultura urbana, a cargo en su mayoría de campesinos que debieron emigrar a las ciudades. Se estima que entre un 15 y un 20% de los alimentos se producen en ciudades, y más de 800 millones de habitantes urbanos participan en alguna forma de agricultura. Publicamos más datos sobre esto, sobre la concentración corporativa y otros temas que mencioné en un informe del Grupo ETC de diciembre 2008 titulado “¿De quién es la naturaleza?”.

La revolución verde aumentó el volumen de cereales producidos por hectárea, pero al mismo tiempo aumentó más la pobreza, los hambrientos y los desnutridos a nivel global. De paso produjo una monstruosa contaminación de aguas y erosión de suelos y facilitó la toma del mercado por las corporaciones. Además la agricultura industrial y el cambio de uso de suelos son factores mucho más graves de cambio climático que el transporte, que es el más conocido.

Las mismas empresas que crearon y se beneficiaron con esta debacle, que ahora aumentaron inmoralmente sus ganancias con la crisis alimentaria, nos recetan más de lo mismo. O peor, extender aún más la agricultura industrial, transgénica y contaminante, para seguir ganando.

No sólo es posible un mundo basado en la agricultura campesina, diversa y descentralizada, es imprescindible. Y es tarea de todos apoyar a quienes, como La Vía Campesina, lo siguen practicando y defendiendo.

* La uruguaya Silvia Ribeiro es investigadora y coordinadora de programas del Grupo ETC en México. Fue coordinadora de campañas ambientales en Uruguay, Brasil y Suecia. Como representante de la sociedad civil, siguió las negociaciones de tratados ambientales de la ONU. Es experta en transgénicos y nuevas tecnologías, concentración corporativa, propiedad intelectual, derechos indígenas y campesinos. Escribió gran número de artículos, publicados en la red y en innumerables revistas y libros. Es columnista del diario La Jornada en México y miembro del comité editorial de la revista Biodiversidad, Sustento y Culturas, publicada en siete países latinoamericanos, de la revista Ecología Política y otras.

** ETC Group-. Grupo de Acción sobre Erosión, Tecnología y Concentración. Se dedica a la conservación y promoción de la diversidad cultural y ecológica y los derechos humanos. Promueve el desarrollo de tecnologías socialmente responsables que sirvan a los pobres y marginados, trabaja en cuestiones de gobernanza internacional y poder corporativo. La fuerza del Grupo ETC se encuentra en la investigación y análisis de la información tecnológica –recursos genéticos de las plantas, biotecnologías, diversidad biológica, etc. –, y en el desarrollo de opciones estratégicas relacionadas con las ramificaciones socioeconómicas de las nuevas tecnologías.

+INFO: ww.etcgroup.org

Fuente: http://www.altermundo.org/content/view/2639/1/

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