Google+ Badge

Google+ Followers

Se você procura um serviço de tradução português-espanhol profissional e de máxima qualidade, podemos ajudar-lhe...

segunda-feira, 24 de junho de 2013

El Español nuestro

BICOCA
Por MARÍA LUISA GARCÍA

"Eso es una bicoca", repite Meñique, uno de los más queridos personajes de La Edad de Oro. Y ¿saben de dónde procede bicoca? Pues el término viene del italiano bicocca, "castillo en una roca". Se registra desde los primeros años del siglo XVII con los significados de "fortificación insignificante" y "cosa de poco valor". Por esa época, se enfrentaban España y una coalición franco-veneciana: la batalla se libró el 27 de abril de 1522 en la localidad de La Bicocca, en Milán, con un resultado favorable para los españoles, cuyo triunfo, fácil, rápido y de gran importancia, afianzó su supremacía en la zona.

Desde entonces, bicoca se incorporó al español para referirse a algo muy deseado, que se obtiene fácilmente.

Gramma - Cuba, 24 de junio de 2013

BRASIL EM TRANSE

Brasil está vivendo “experiência única”, dizem analistas argentinos
Discurso de Dilma convocando diálogo com políticos e manifestantes agradou, mas como no Brasil ressaltam que manifestações continuam. “Clima de rebelião social”, escreveu o jornal Clarín. O andar da economia brasileira é destaque nas reportagens, nas análises e nas conversas. Brasil é principal parceiro econômico do país vizinho.


Nos últimos dez anos, pelo menos, o Brasil passou a ser apontado na Argentina como exemplo a ser seguido, em termos políticos e econômicos.


Os protestos que ocuparam cerca de cem cidades brasileiras nos últimos dias deixaram muitos argentinos chocados.


Dos elogios passaram às dúvidas – como ocorre no Brasil e em vários outros países que seguem a situação brasileira.


A diferença é que o Brasil é o principal parceiro econômico da Argentina e a desaceleração da economia brasileira já vinha gerando preocupação em alguns setores da economia vizinha, como na área de produção de autopeças, por exemplo.


Agora, analistas políticos e econômicos acompanham a situação no Brasil com a máxima atenção, estudando os reflexos que podem ocorrer na Argentina.


“O que ficou claro é que a presidente Dilma Rousseff não é e nada tem de parecido com a nossa presidente Cristina Kirchner. Dilma falou em diálogo, em pacto nacional, e de conversar também com os manifestantes. Ela não chamou os manifestantes de ‘golpistas’ como já foi feito aqui na Argentina”, disse uma analista econômica, que preferiu não ter o nome divulgado.


Mas apesar das palavras da presidente, em um discurso em rede nacional de rádio e de televisão na sexta-feira à noite, os protestos continuaram, como destacaram reportagens dos jornais Clarín e La Nación e o enviado especial da emissora de televisão TN (Todo Notícias) ao Brasil.


O jornal Clarín que publica ampla cobertura da sua correspondente no Brasil, Eleonora Gosman, definiu a situação assim: “Clima de rebelião social. Tensão no Brasil. Novos protestos e choque após discurso de Dilma”.


Em Buenos Aires, analistas estudam e tentam entender o que ocorre no Brasil.


“O Brasil vive uma experiência única. Nada parecido com o que já vivemos aqui. Na crise de 2001, o país tinha uma emergência, a economia e a política estavam metidas em uma urgência e instabilidade históricas.


O Brasil tem uma economia forte e avançou muito em termos sociais nos últimos anos. Mas quando a desigualdade persiste e os serviços básicos não são atendidos, no mesmo ritmo, a insatisfação tende a crescer”, disse o analista Ernesto Kritz, da consultoria Poliarquía, de Buenos Aires.


Na inédita crise argentina de 2001, os manifestantes também não erguiam bandeiras políticas e rejeitavam a política tradicional. Mas a crise chegou com a saída recorde de capitais, desemprego alto e o conhecido ‘corralito’ (curralzinho, que foi o confisco do dinheiro dos argentinos).


“O Brasil não vive nada parecido ao que vivemos aqui. Mas o que é certo é que quando as pessoas ascendem socialmente ficam mais exigentes com seus direitos econômicos e sociais”, afirmou.



A situação no Brasil continua na primeira página dos principais jornais argentinos, Clarín, que é o mais lido, e o La Nación, e é tema nas televisões e nas conversas em Buenos Aires.


A TN transmitiu a integra de uma entrevista com o ex-jogador e deputado federal Romário, apoiando as manifestações e criticando os políticos no Brasil. Camiseta branca, sem mangas, a regata, ele disse que a “FIFA é quem manda hoje no Brasil”.


Segundo ele, os protestos, que pediu que sejam pacíficos, servirão para alertar os políticos para o que realmente os brasileiros precisam, e que não são necessariamente os estádios para a Copa do Mundo de 2014, mas serviços básicos, como saúde e educação.


“E que parem com a corrupção no país”, disse.


Além política interna, com destaque para a formação das listas dos candidatos às primárias de agosto e às eleições legislativas de outubro, certamente o Brasil é um dos principais assuntos na mídia e nas conversas do país vizinho.


“Como ninguém percebia que havia insatisfação? Nem as pesquisas diziam nada? Mas o Brasil ia tão bem que espero que logo encontre seu rumo”, disse uma advogada acostumada a passar férias no Brasil.


Como publicou o La Nación – “O Brasil se pergunta como renovar seu milagre”. E o mundo – especialmente a Argentina – acompanha esse processo com a máxima atenção.

PAISES RICOS, PAÍSES POBRES...


“As nações fracassam quando concentram o poder em poucas mãos”
O que determina que um país seja rico ou pobre? O professor turco-americano Daron Acemoglu, do MIT (Massachusetts Institute of Technology), acredita que depende das instituições e de se as sociedades são “inclusivas” ou “extrativas”. Ele abordou o assunto em seu escritório do MIT de Boston antes de viajar para Buenos Aires para fazer palestra. Na entrevista ao Clarín, ele também falou sobre o Brasil.
Por GUSTAVO SIERRA



Nogales é uma cidade dividida pela fronteira entre os Estados Unidos e o México. As duas partes têm uma origem comum, mas um presente muito diferente.
A do norte é rica e a do sul, pobre. Algo parecido acontece com as Coreias ou com Botsuana, que atingiu um aceitável nível de desenvolvimento nos últimos 20 anos enquanto seus vizinhos Zimbábue, Congo e Serra Leoa estão submersos na mais extrema pobreza.
Esses são os exemplos que formam a base da teoria dos professores Daron Acemoglu do MIT e James Robinson de Harvard, apresentada no livro Por que os países fracassam (Deusto, 2012).
Para os autores, a chave de tudo está nas instituições.
Só com um conjunto de instituições políticas e econômicas –Estado centralizado e eficaz que garanta o cumprimento das leis, proveja educação de qualidade e infraestrutura, democracia republicana e pluralista, sociedade civil vigorosa e organizada em grupos de interesse, imprensa livre e crítica– é possível atingir um alto desenvolvimento.
As nações prosperam quando desenvolvem instituições “inclusivas” e fracassam quando se transformam em “extrativas” ao “concentrar os recursos e o poder em poucas mãos”.
O professor Daron Acemoglu aborda estes temas horas antes de embarcar para Buenos Aires para fazer palestra em um evento organizado pelo IAE Business School (Universidade Austral), RAP (Rede de Ação Política), CIPPEC, Universidade de San Martín e Universidade de San Andrés.
Que instituições tornam um país essencialmente inclusivo?
Nossa teoria é que é necessário haver instituições econômicas inclusivas que como mínimo deem garantias à propriedade privada, contratos e investimentos para um setor muito amplo da sociedade e que sejam as bases do crescimento sustentado.
Tudo isso só é possível com instituições políticas inclusivas que distribuam o poder da forma mais extensa possível dentro da sociedade e que garantam a lei e a ordem.
Como as instituições políticas e econômicas devem se coordenar para criar as condições de prosperidade? Quem deve liderar a mudança: os políticos ou os técnicos economistas?
É um blender, uma unidade de dois elementos: o econômico e o político.
Não podem ser separados. Por sua natureza, as instituições inclusivas não podem ser administradas por elites.
Portanto não acredito que devam estar somente em mãos de técnicos.
Precisam ter o apoio de uma parte muito ampla da sociedade e que existam lideranças sociais ou políticas.
Qual é o papel que as organizações da sociedade civil devem ter nesse processo?
É de uma importância central. A mudança deve ser liderada pelas organizações sociais e não por alguns poucos privilegiados.
Ainda temos que continuar apostando nos partidos políticos tradicionais para encontrar saídas?
Não tenho certeza. Às vezes esses movimentos que vão por fora dos partidos tradicionais conseguem se consolidar e são motores de transformação.
Em outros casos é só esperar que ocorram transformações internas nos grandes partidos.
Nesse caso é possível conjugar os dois exemplos: um movimento externo influi na mudança do partido tradicional.
Como o senhor vê os movimentos dos indignados que estão crescendo no mundo inteiro? Eles têm futuro?
São apenas expressões de descontentamento. No entanto, muitos desses movimentos podem ser muito úteis.
Mesmo que não se transformem em expressões majoritárias, suas bandeiras acabam sendo assumidas pelos partidos.
O movimento Ocupy Wall Street conseguiu impor o assunto da desigualdade na sociedade americana.
Em sua análise histórica o senhor coloca como exemplo do desenvolvimento europeu-americano a Revolução Industrial na Grã Bretanha ou a Revolução Francesa.
Não acredita que esses processos se consolidaram e tiveram sucesso graças ao colonialismo?
Existem diversos fatores. Como o senhor sugere, a Grã Bretanha e a França retardaram o desenvolvimento econômico de alguns países e regiões por via do colonialismo.
Mas em outros casos, as novas tecnologias foram resistidas pelas próprias elites locais que acreditavam que elas poderiam pôr em perigo sua dominação política.
A Rússia e o império Austro-Húngaro, no século XIX, são um exemplo.
O senhor não acredita que o protecionismo que acompanhou a expansão econômica dos Estados Unidos e da Europa prejudicou as economias dos países em desenvolvimento e que esse é um elemento que não pode ser deixado de lado no momento de analisar a raiz de por que existem países que fracassam?
Honestamente, não tenho uma resposta concludente.
É claro que este tipo de protecionismo, que possui profundas raízes políticas, prejudicou os países em desenvolvimento.
Por outro lado, não tenho certeza de que os têxteis indígenas poderiam ter sobrevivido às mudanças tecnológicas britânicas inclusive sem esse protecionismo.
Existe uma crença popular que diz que as instituições emanadas da colônia britânica são mais progressistas do que as das colônias espanholas e, portanto, criaram nações mais prósperas.
É verdade? Por quê?
Não existe nenhuma evidência disso. Os britânicos tiveram os mesmos comportamentos que os franceses e espanhóis. Inclusive onde as colônias britânicas foram institucionalmente mais progressistas, não foi por escolha, mas por necessidade.
Na América do Norte, os britânicos fizeram as mesmas cosas que os espanhóis no sul.
Mas porque as condições e as instituições britânicas eram diferentes, finalmente tiveram outro resultado.
O senhor tem dúvidas sobre a transformação da China em potência porque está assentada em instituições autoritárias.
Sim, tenho dúvidas de que China possa atingir rapidamente o crescimento de largo prazo baseado na mudança tecnológica e na inovação.
Tenho duas razões. Em primeiro lugar, creio que é difícil manter instituições econômicas inclusivas quando elas estão baseadas em instituições políticas extrativas.
O poder está nas mãos de uma pequena elite que usa o poder político para seu próprio benefício, o que socava a inclusão.
Em segundo lugar, creio que as instituições políticas extrativas tendem a limitar a liberdade econômica.
E a liberdade econômica é especialmente importante para um país que está procurando desenvolver novas tecnologias e a inovação.
Nesse sentido, como o senhor vê o processo do Brasil?
Lá eu também vejo várias instituições econômicas muito arcaicas e a economia não é suficientemente dinâmica.
O Brasil necessita de maiores reformas e não está claro que tenha uma vocação profunda de realizá-las.
O populismo causou muito dano no mundo inteiro. Mas na América Latina parece ser que os regimes populistas são os mais capazes de atingir as camadas mais pobres da população. Por que as instituições políticas e econômicas mais progressistas muitas vezes permanecem afastadas dos mais pobres?
Não acredito que os regimes populistas sejam os únicos capazes de chegar aos setores mais empobrecidos.
No Chile e no Brasil muito foi feito sem cair no populismo. Em compensação no Equador, na Bolívia ou na Venezuela as pessoas, decepcionadas com os partidos tradicionais e o poder das elites, se voltaram para os líderes populistas.
Não é irracional, porém comporta um enorme custo.
Torna-se ainda mais custoso quando a política populista se entrincheira e está bem organizada, como ocorre em vários países latino-americanos.
O senhor utiliza o exemplo do fracasso histórico argentino em várias passagens do livro. O que a Argentina poderia ter feito e em que momento para torcer esse destino?
A fins do século XIX, a Argentina experimentou um dos períodos mais bem-sucedidos de crescimento extrativo da história mundial e compartilha essa posição com a União Soviética ou mais recentemente com a China e Cingapura.
Mas esse tipo de crescimento extrativo não é perdurável no tempo a menos que se abra a um sistema político inclusivo. Isso não ocorreu.
As nações fracassam quando concentram o poder em poucas mãos. Um século depois, muitas dessas condições persistem na Argentina e o atual esquema político-econômico obviamente não é inclusivo. Parece-me que para avançar haveria que começar rompendo o monopólio dos partidos tradicionais.
Em seu livro a segurança jurídica aparece como chave do processo de desenvolvimento. Como vê essa situação na Argentina?
A expropriação de 51% da petroleira YPF, por exemplo, não parece o melhor caminho neste sentido, independentemente de a Argentina estar diante de um problema severo de déficit energético.
Acredito que o país vá sofrer duramente quando se dê a conhecer a decisão do tribunal formado para resolver sobre o nível de compensação.
De todo modo, isso é pouca coisa em comparação com o “corralito” de 2001, quando o governo expropriou efetivamente 75% da poupança das pessoas nos bancos. Essas medidas podem condenar o país a um século de estancamento econômico.
O atual processo argentino se viu beneficiado pelo alto preço das matérias primas, particularmente da soja.
Se esses recursos não tivessem sido desperdiçados poderiam ter sido suficientes para criar as condições de uma sociedade inclusiva e colocar o país em um caminho de desenvolvimento?
Não é fácil de determinar. De fato, no século XIX a Argentina não desperdiçou a oportunidade que teve com suas matérias primas e se transformou temporariamente em um país rico.
Mas isso não foi suficiente para o desenvolvimento econômico e político, e em última instância, abriu o caminho para o ciclo das políticas disfuncionais que se transformou em uma marca de identidade argentina no século XX.
Prefiro fixar minhas esperanças na mudança política da Argentina em lugar de fixá-la no preço dos seus recursos naturais.
Como o senhor caracterizaria a nova elite econômica emanada do boom da soja? Acredita que se trata de um modelo “inclusivo” ou “extrativo”?
Peço desculpas, mas depois de toda esta conversa e dos exemplos que falamos, tenho que responder com outra pergunta: E você, o que acha?



Copyright Clarín, 2013.

Miguel Sáenz:

«La traducción es tan antigua como la prostitución, pero peor pagada»
EFE

El traductor Miguel Sáenz Sagaeta ha asegurado hoy, en su discurso de ingreso en la Real Academia Española de la Lengua, que de la traducción se ha dicho que es, junto con la prostitución, «la profesión más antigua» del mundo, «aunque está peor pagada».
Tras hacer una semblanza del capitán general de la Marina Eliseo Álvarez-Arenas, su predecesor en el sillón «b» de la Academia, Sáenz (Larache, Marruecos, 1932), ha reconocido que es difícil «decir nada nuevo» sobre la traducción y que ha habido quien ha afirmado que traducción y prostitución son «una misma cosa», porque consisten en definitiva «en hacer por dinero lo que se debiera hacer por amor».
«Servidumbre y grandeza de la traducción» es el título dado por el nuevo académico a su discurso de ingreso, con «claras resonancias» de «Miseria y esplendor de la traducción» de José Ortega y Gasset, aunque ha admitido que le gusta más el suyo, al considerar que la traducción es «una manera de servir».
En un acto presidido por José Manuel Blecua, director de la RAE, y ante una sala llena de público, Sáenz ha reconocido que con su discurso espera demostrar la certeza de que «si los escritores hacen la literatura nacional, los traductores hacen la literatura universal».
Sáenz ha recordado la publicación en La Nación de Buenos Aires en 1937 del famoso ensayo de Ortega y Gasset Miseria y esplendor de la traducción, en el que -ha señalado- «habla más de la miseria que del esplendor», y ha puesto de manifiesto que, según el filósofo y ensayista, en el orden intelectual «no cabe faena más humilde» que la del traductor, a quien definía como «un personaje apocado».
El nuevo académico ha aludido a la emblemática Escuela de Traductores de Toledo y su labor a partir del siglo XII, pero también a Miguel de Cervantes, quien distinguía entre la traducción -sobre todo del griego y el latín- a la que consideraba «una noble ocupación del escritor», y la profesión de intérprete, quien hacía «su humilde oficio por dinero».
«Cervantes comparte plenamente las ideas de su época sobre la traducción», ha señalado Sáenz, traductor de escritores como Goethe, Kafka, Günter Grass, Peter Handke o Thomas Bernhard, quien ha puntualizado que en la época del autor de El Quijote casi todos los escritores, «bien o mal, traducían».
El nuevo ocupante del sillón «b» de la RAE ha aludido al «desprecio generalizado» que, según numerosos testimonios, había desde siempre hacia la labor de traducción.
Ha recordado que habrían de pasar siglos antes de que Goethe escribiera, «también en tono condescendiente pero con mayor justicia», que la traducción es «una de las ocupaciones más importantes y dignas del intercambio cultural».
Como funcionario de Naciones Unidas que fue, Sáenz ha asegurado que sus principios de «uniformidad terminológica, claridad sintáctica y concisión estilística» le siguen pareciendo «plenamente válidos para cualquier tipo de traducción».
Tras muchos años de estudio de teorías de la traducción, se ha mostrado convencido de que «posiblemente nunca tengamos una teoría de la traducción que valga para todo y para todos».
Entre las «servidumbres» de la traducción ha citado «la lucha» con editores «poco escrupulosos»; la reivindicación «de derechos inalienables»; la mención del nombre del traductor en la cubierta del libro o la fijación de unas tarifas mínimas por sus servicios.
En su alocución final, Sáenz ha hecho un llamamiento a los traductores de ambos lados del Atlántico «para que respeten a sus colegas, es decir, para que se respeten a sí mismos», y ha animado a la profesión a hacer «un acto de contrición» para no criticar una u otra traducción por su nacionalidad, pues ésta no es «la que determina su calidad»
«El traductor literario, hoy, sigue teniendo en todas partes un serio problema de identidad. No se siente reconocido», ha concluido, aunque ha advertido del riesgo de que el desarrollo de la tecnología propicie que, un día, también el autor original «sea un completo desconocido» y que no haya «escritores, sino textos».
En su discurso de contestación al nuevo académico, Luis Goytisolo ha señalado que su presencia en la RAE obedece a la coincidencia en su persona de dos facetas tan diversas como complementarias: su condición de general del Ejército del Aire y su oficio de traductor, por lo que se restablece en la Academia «la necesaria continuidad de la presencia de un representante de las Fuerzas Armadas».
Para Goytisolo, las traducciones de Miguel Sáenz son «una verdadera recreación de obras con frecuencia difíciles en las que consigue trasladar al lector español la misma emoción que despierta en el lector del texto original».

ENOLOGÍA

sumiller, no sommelier

Sumiller, en lugar del galicismo sommelier, es la palabra recomendada para referirse al ‘encargado de los vinos en un restaurante’, según el Diccionario del español actual, de Seco, Andrés y Ramos.

Aun así, en la prensa se encuentran ejemplos como «El sommelier añade que aquí se cuenta con buena tierra y un gran clima para tener vinos de excelente calidad» o «Se contará con la presencia de expertos sommeliers y enólogos en catas guiadas».

En los ejemplos anteriores lo apropiado habría sido escribir «El sumiller añade que aquí se cuenta con buena tierra y un gran clima para tener vinos de excelente calidad» y «Se contará con la presencia de expertos sumilleres y enólogos en catas guiadas».

Como se ve, a la hora de formar el plural, se aconseja utilizar sumilleres y no sumillers.

Asimismo, el Diccionario panhispánico de dudas desaconseja el uso de la forma españolizada somelier.

TRADUCCIÓN

Miguel Sáenz: Vivir de la traducción es difícil, pero vivir bien es imposible
ANA MENDOZA (AGENCIA EFE)
Traductor de grandes escritores como Goethe, Kafka, Thomas Bernhard, Günter Grass o Joseph Conrad, Miguel Sáez ingresó en la Real Academia Española con un discurso sobre un oficio, el de la traducción, que le apasiona pero que está mal pagado y que ha sido siempre «bastante menospreciado».
EL TRADUCTOR MIGUEL SÁENZ.
FOTO: ©ARCHIVO EFE/SANDRA RUIZ DEL ARBOL

«Vivir de la traducción es difícil, pero vivir bien es casi imposible», asegura Sáenz (Larache, Marruecos, 1932) en una entrevista con Efe, en la que habla también de su otra pasión, la aviación; le quita importancia al hecho de saber siete idiomas y reconoce que el dicho italiano de Traduttore, traditore «pone de los nervios a la mayoría de los traductores».

«Creo que muchos traductores pueden ser traidores, pero, como decía Borges cuando hablaba de la traición creadora, se puede traicionar el original y, sin embargo, traducir algo que literariamente sea muy válido», indica Sáenz, que ha ganado el Premio Nacional de Traducción, el Nacional Austríaco de Traducción Literaria, el «Aristeion» de la Unión Europea por Es cuento largo, de Günter Grass; y el Fray Luis de León por El rodaballo, de Grass, entre otros.



Ante su inminente ingreso en la RAE, se siente «muy bien» y «tranquilo», aunque «un poco impresionado» por las personas que han ocupado antes el sillón que a él le corresponde, el «b», que perteneció, además de a su predecesor, Eliseo Álvarez-Arenas, al cardenal Tarancón y a Ramón Menéndez Pidal.

«¿Dónde me he metido?», dice con humor Sáenz, que es el primer representante del Ejército del Aire que entra en la RAE. Ha sido teniente auditor del Cuerpo Jurídico del Aire, y en su carrera jurídico-militar ha llegado a ser general auditor del Cuerpo Jurídico de la Defensa y fiscal de la Sala Quinta del Tribunal Supremo.

Su amplio conocimiento del vocabulario de la aviación le vendrá muy bien para mejorar los términos correspondientes a ese campo en el Diccionario académico. «Creo que los primeros convencidos de que hay que mejorar el Diccionario son los que lo hacen. Es una labor que no tiene fin», afirma Sáenz, «muy impresionado» de «lo moderna» que es la Academia y «de lo al día que está en todos los órdenes».

Él conocía «un poco» la Academia, «como todo el mundo», pero últimamente ha tenido ocasión de enterase más a fondo de la labor de la RAE, «de los métodos que utilizan y de los corpus que manejan». «Me ha dejado realmente sorprendido», insiste.

Traductor de las Naciones Unidas en Nueva York, en Viena y en Ginebra, Miguel Sáenz lleva buena parte de su vida dedicado a la traducción literaria, ha escrito ensayos y ha dado innumerables conferencias y cursos sobre ella.

Por eso, en su discurso hubiera deseado quizá hablar de la aviación (es piloto de aviación civil y de vuelo sin motor) pero «la afición esperaba» que lo hiciera de esa labor que lo ha llevado a la Real Academia Española y que lo ha convertido, probablemente, en el primero en ser elegido «solo por esa faceta».

Su discurso se titula «Servidumbre y grandeza de la traducción», y en él habla del aspecto que ha tenido siempre la traducción «como actividad un poco olvidada, secundaria, servil, pero que al mismo tiempo puede ser una actividad muy creadora y muy importante».

«Si no hubiera traducción no habría literatura universal, porque la mayoría de la gente es incapaz de leer en árabe, en ruso o en otros idiomas difíciles», asegura.

La labor del traductor ha estado a lo largo de la historia «bastante menospreciada» y mal pagada, entre otras razones, apunta, por «el exceso de oferta» y porque, «al fin y al cabo la literatura es también un negocio, una industria».

En ese menosprecio influye también «la supervaloración del concepto de la autoría, un poco romántica: todavía persiste la idea de que el traductor tiene menos mérito que el autor; que el autor lo es todo y que el traductor es un escudero, un secundario, un siervo».

Y esa idea, sobre todo cuando se traduce poesía, «no siempre es justa», indica Miguel Sáenz, que citará en su discurso a autores que «se han dedicado muchas veces a la traducción con placer y éxito, como Jorge Luis Borges», cuyas ideas sobre la traducción debería conocerlas todo traductor, señala el nuevo académico, que es también escritor: ha publicado seis novelas y numerosos ensayos y artículos.

Sáenz domina el francés, inglés y el alemán; posee amplios conocimientos de portugués, italiano, ruso y árabe, y chapurrea el sueco, pero él dice que sólo se siente seguro en español.

Aprendió el alemán cuando estuvo destinado en Palma de Mallorca «para poder hablar con las turistas alemanas» (su mujer es alemana) y por esa misma razón estudió también sueco.

La lista de autores que ha traducido del alemán es interminable. Desde Goethe, Kafka, Thomas Bernhard y Günter Grass hasta Rilke, Bertolt Brecht, Joseph Roth, Sebald y Michael Ende, entre otros.

Traducir del inglés le entusiasma tanto o más que del alemán, pero el hecho de que haya pocos traductores de esta segunda lengua, lo ha llevado a aceptar las continuas ofertas que le hacen las editoriales.

Lo que más le gusta es traducir a autores «estilistas», que escriben maravillosamente bien, como suelen ser los austríacos. Al igual que sucede con los alemanes, los escritores austríacos tienen «buen oído para la palabra, la frase, el párrafo», afirma.

Traducir es «como tener una partitura delante» y Miguel Sáenz se dedicó durante años a «interpretar esa partitura en el teclado de la máquina de escribir, al principio, y luego en el ordenador».

Miembro de la Academia de la Lengua Alemana, Sáenz cree que la RAE debería abrirse más a la literatura de otros países, y en ese aspecto él cree que puede «servir de enlace».

FUNDACIÓN DEL ESPAÑOL URGENTE

octocampeón y octacampeón, formas válidas

Octocampeón y octacampeónson formas válidas para referirse a la ‘persona que ha ganado ocho veces un campeonato o torneo’.

Estos compuestos se construyen con prefijos latinos (bicampeón y tricampeón) o griegos (tetracampeón, pentacampeón, hexacampeón, heptacampeón…). En el caso concreto del ocho, en español existen palabras tanto de formación latina (octogenario, octogésimo, octacordio) como griega (octaedro, octástilo, octópodo) creadas con octo- y octa-.

Así pues, si en las noticias deportivas se desea indicar, por ejemplo, que Rafael Nadal ha ganado ocho veces el Roland Garros, podrán emplearse ambas formas: «Djokovic ganó este domingo su primer título en Montecarlo al imponerse en la final al octocampeón Rafael Nadal» o «Las portadas reflejan los ojos inundados de lágrimas del octacampeón».

LITERATURA

MAÑANA EMPIEZA EL V FESTIVAL LATINOAMERICANO DE POESIA EN EL CENTRO





“Hay una necesidad profunda de revisar nuestra historia común”
El encuentro en el C.C. de la Cooperación contará con la participación de más de 30 poetas de Chile, Colombia, Brasil, México, Costa Rica, Ecuador, Italia y Argentina. En la apertura, Cristina Banegas recitará poemas de Hoy, el último libro de Juan Gelman.

Por Silvina Friera

”Bebe ahora el milagro del Otro en lo múltiple.” Un verso de Francisco Madariaga (1927-2000) enciende la chispa de la diversidad y abona el terreno para el derroche de lecturas y reflexiones durante cinco días. El V Festival Latinoamericano de Poesía en el Centro, que empieza mañana y se extenderá hasta el próximo sábado, contará con la participación de más de 30 poetas de Chile, Colombia, Brasil, México, Costa Rica, Ecuador, Italia y Argentina. Como si la consigna fuera redoblar la apuesta año tras año, la apertura de esta edición en el Centro Cultural de la Cooperación –organizador del festival junto al espacio literario Juan L. Ortiz– será para alquilar balcones. Cristina Banegas recitará poemas de Hoy, el último libro de Juan Gelman, Teresa Parodi ofrecerá un recital de música latinoamericana. También se presentarán los poetas internacionales invitados en esta edición: Alessio Brandolini (Italia), Rodolfo Dada (Costa Rica), José Angel Leyva (México), Omar Lara (Chile), Sandra Santos (Brasil), Fredy Yezzed (Colombia) y Xavier Oquendo Troncoso (Ecuador). A esta heterogeneidad de voces y generaciones hay que sumar los poetas locales que participarán en lecturas y mesas de debate, como Noé Jitrik, Hugo Mujica, Paulina Vinderman, Martín Rodríguez, Lucio Madariaga, Eduardo Mileo y Niní Bernardello, entre otros. Para completar el menú, habrá una programación especial con espectáculos teatrales-poéticos inspirados en Idea Vilariño, Juan Carlos Onetti y Federico García Lorca (ver aparte).

Se suele afirmar que la poesía está viviendo un momento de mucha fertilidad en América latina. El colombiano Fredy Yezzed (Bogotá, 1979) coincide con el diagnóstico, pero advierte que esto sucede desde 1888, cuando Rubén Darío publicó Azul, libro que inaugura el Modernismo. “Por fin teníamos algo propio para venderle al mundo, y es ‘libertad en la poesía’. El buen momento que tenemos se lo atribuyo a que estamos en continua construcción, nuestros países no han llegado a la madurez; el latinoamericano aún está buscando, dudando, definiéndose. La diversidad se debe a que somos muchos países, si bien hablando supuestamente el mismo idioma, escribiendo una problemática diferente en un español multicultural. Es diferente el español de México al español de Paraguay, y estos al español de Chile. Tenemos muchos idiomas españoles y tenemos muchos problemas: mientras haya estos matices de idioma habrá riqueza lingüística y poética; y mientras haya problemas, siempre habrá una excusa para intentar reparar el mundo, tanto el exterior como el interior”, dice el autor de La sal de la locura, su primer libro de poesía que obtuvo el Premio Nacional de Poesía Macedonio Fernández 2010, en Argentina.

Al margen del mercado

“El esplendor lírico de la región, opina el mexicano José Angel Leyva (Durango, 1958), comenzó cuando Darío envió sus naves poéticas de regreso al Viejo Continente. América latina no es un país sino un conjunto de naciones donde se habla el español como lengua común, y el portugués, claro, pero diversos países de esta comunidad iberoamericana poseen decenas de lenguas nativas en procesos de re conocimiento, de visibilidad. Poseemos procesos históricos muy distintos, culturas muy heterogéneas, incluso dentro de un mismo país. México, por ejemplo, es muchos Méxicos. Somos una región del mundo habitada por más de 400 millones de habitantes, pluricultural, pluriétnica, multilingüe. Poco a poco Latinoamérica pierde su noción periférica para dignificar su importancia cultural ante el mundo. Hemos tenido movimientos de vanguardia propios, búsquedas, tradiciones, figuras literarias y poéticas capitales, y muchos premios Nobel no reconocidos, y más allá de un boom editorial, el enorme deseo y la necesidad de descubrirnos en la diversidad, en el otro, en el nosotros”, postula el autor de Cátulo en el destierro y El espinazo del diablo. A pesar de este panorama alentador, ¿se ha logrado achicar la distancia que hay entre los libros y los lectores? ¿Los libros de poesía circulan mejor ahora o todavía falta trabajar mucho para llegar a más lectores que no sean sólo los propios poetas? “La poesía se mantiene al margen del mercado y eso no importa, pero bien harían los gobiernos en impulsar su lectura desde las políticas culturales y de fomento a la lectura –aconseja Leyva–. Pero si no, allí están los propios poetas para hacerla circular.”

Paulina Vinderman (Buenos Aires, 1944) plantea que el auge de la poesía latinoamericana responde “a una necesidad muy profunda de revisar nuestra historia común, nuestros avatares de lenguaje y preguntarnos sobre nuestro destino”. “Cuando eso sucede, cuando la mirada se dirige hacia atrás, hacia el origen, entramos en el territorio de la poesía: un buceo en el lenguaje, la sangre del idioma, para comprender; un interrogante infinito, un anhelo.” La autora de La epigrafista, Bote negro y Hospital de veteranos, entre otros títulos, afirma que la pluralidad de voces es “un signo de riqueza, de vivacidad”. “La poesía hecha de voces, no de ismos –agrega la poeta–. Aunque no se puede hablar de originalidad, que de veras no existe en arte, sí se puede nombrar la deseable autenticidad.” El chileno Omar Lara no cree que se trate de un momento especial, mejor o más pródigo que otros. “Las circunstancias nos hacen sentir la poesía como un espacio de refugio o de emplazamiento. Es bueno para la poesía, no es bueno para el mundo”, dice el creador de la revista Trilce, autor de Argumento del día, Oh, buenas maneras, Papeles de Harek Ayun y Prohibido asomarse al interior, entre otros poemarios.

Genealogías afectivas

No sólo de lecturas se nutre un festival de poesía. Como viene sucediendo desde 2009, cuando arrancó la primera edición, se realizarán mesas de debates sobre temas que, por más que parezcan muy transitados y trillados, habilitan un margen de maniobra más amplio de lo que aparenta a simple vista. Uno de esos tópicos es “la gratitud de la influencia o sobre cómo los poetas arman sus genealogías”. Vinderman cuenta que hay dos clases de influencia: la puramente literaria –“ese dibujo que hace el estilo”– y la afectiva, asociada al estímulo que la presencia de ciertos poetas ejerce sobre la vida de cada poeta. “En mi caso, Raúl Gustavo Aguirre, Edgar Bayley y Joaquín Giannuzzi, fueron ejemplos conmovedores de compromiso con la poesía, y me marcaron para siempre”, ratifica la poeta. “Las influencias literarias son más difíciles de desentrañar; todo lo leído, lo vivido, lo soñado, se vuelca sobre la mesa de trabajo. Y, como dijo Braque, ‘en arte sólo es válido un argumento, el que no puede explicarse’. Sí puedo decir que encuentro en mis poemas cierta influencia del ‘había una vez’, esos cuentos crueles y maravillosos de la infancia. Una vez dije que busco un encantamiento para un mundo desencantado. Las conversaciones con los autores preferidos van y vienen pero hay algunos diálogos que jamás se interrumpen: con los poetas del Siglo de Oro español, con Shakespeare, con Emily Dickinson, con Pessoa, con Wallace Stevens, con Milosz.”

Larga es la lista de lecturas fundamentales en el itinerario vital de Leyva. “Soy hijo y nieto de maestros de primaria, así que mis lecturas iniciales fueron los poetas mexicanos como Ramón López Velarde, Amado Nervo, Juan de Dios Peza, Sor Juana Inés de la Cruz, y más tarde José Juan Tablada, Carlos Pellicer, José Gorostiza, Xavier Villaurrutia, Octavio Paz, José Carlos Becerra, Rosario Castellanos y Jaime Sabines, por citar algunos. José Martí, Darío, Neruda, Mistral, estuvieron también en mi niñez. En mi adolescencia, cuando inicié la escritura de versos: Jorge Luis Borges, Alejandra Pizarnik, Oliverio Girondo; Olga Orozco, Roberto Juarroz y Juan Gelman vendrían después, pero han dejado marcas más profundas. Sin duda Vicente Huidobro, Vallejo, Nicolás Guillén. En México leímos mucho también a los poetas españoles del exilio, como León Felipe, Luis Cernuda y Pedro Garfias. Mi formación no concluye y sigo sorprendiéndome con poetas como Antonio Cisneros, Ferreira Gullar, Juan Gelman, Jorge Boccanera, Juan Manuel Roca, Francisco Hernández, Eduardo Lizalde, Alvaro Mutis, Rojas Herazo, Sánchez Peláez, José Watanabe, Gonzalo Rojas, Jaime Jaramillo Escobar, Rafael Cadenas, Lêdo Ivo, Alfredo Fressia, Víctor Rodríguez Núñez, Javier Sicilia, por mencionar los que se me vienen a la cabeza.”

Mentiras que dicen la verdad

Las experiencias poéticas en otros lenguajes será otro de los tópicos para debatir. Yezzed se encargará de la poesía en el lenguaje filosófico. “Me lo plantearon a raíz de la experiencia que viví en la escritura del libro de poesía El diario inédito del filósofo vienés Ludwig Wittgenstein. Este pensador en la vida real, durante la Primera Guerra Mundial, cae prisionero en Italia y es llevado a campos de concentración, donde durante nueve meses medita el Tractatus logico-philosophicus, obra que pretende hallar los límites de la expresión del pensamiento tomando como estudio central el lenguaje. En ese sentido, Wittgenstein me habla a mí de poesía, pues trabaja con los problemas con los que se enfrenta el poeta. Siempre leí metonímicamente en ese libro poesía en lugar de filosofía. Yo entendí, entonces, lo siguiente: “El yo entra en la poesía por el hecho de que el mundo es mi mundo”.

¿Se puede hablar hoy de vanguardia poética latinoamericana? “Vanguardia es una palabra delicada y de mucha discusión –subraya Yezzed–. Si te refieres a ‘vanguardia’ como sinónimo de ‘progreso’ creo que no la hay, pues la literatura latinoamericana, justamente, después de Rubén Darío siempre ha sido algo nuevo y renovador; y la poesía como la materia cambia de estado, pero en esencia es la misma. Ahora, si te refieres a movimientos vanguardistas como el surrealismo, el creacionismo, el ultraísmo, creo que no los hay y me parece descontextualizado llamarse surrealista casi cien años después del manifiesto surrealista. Eso sería, más bien, por su mismo peso, ser antivanguardista. Sé que hay poetas que se hacen llamar surrealistas hoy en día y discuten y proponen variantes del mismo. Creo que Breton sería el primero en echarlos de la iglesia, pues ya no serían surrealistas de médula”. El poeta colombiano, no obstante, destaca que las vanguardias “nos dieron intensidad en la expresión, rompieron los límites de la imaginación y nos legaron la rebeldía de la palabra”. “Eso sí hay que leerlo, interiorizarlo y tratar de emularlo. Después de las vanguardias todo, como en el sexo, es posible. Deseo con una humilde fe que lo que escribo exista en esa dirección: sabiendo que la poesía es una mentira que dice la verdad. Si existe una vanguardia hoy debe ser la de cada poeta, la de cada libro de poesía, la de cada poema. En esa vanguardia creo yo y quisiera afiliarme.”

“El silencio se trabaja en la poesía misma o en el proceso más complejo o ambiguo que se da en torno del proceso creativo –explica Lara–. Las pausas, la puntuación, la respiración, marcan las notas del silencio en el poema. Pero está el silencio previo al poema y el silencio pos-poema, el momento-silencio decisivo que te dice que has estado en un poema o no. Se dice que el silencio en el poema es tan importante como en la música y así es, sin duda.” Lara cerrará el V Festival Latinoamericano de Poesía en la Casa Nacional del Bicentenario, el sábado 29. “Esto de cerrar el festival se me dio de sorpresa. Todavía tienen tiempo para recapacitar. No soy quién para clausurar ni para inaugurar nada. Al margen de esto, el único mérito que me atribuyo es el empecinamiento para insistir y permanecer en este ejercicio dulce y malvado.”

COMUNICACIÓN

No siempre decimos lo que queremos decir
Por Graciela Melgarejo | LA NACION
Twitter: @gramelgar | Mail: lineadirecta@lanacion.com.ar |

Amedida que el lenguaje cotidiano se adelgaza -los más optimistas calculan en 600 la cantidad total de palabras con las que nos manejamos a diario; para los más escépticos son solo 200-, se produce el fenómeno contrario: la multiplicación exacerbada de palabras para no decir nada.

En la página de Opinión del 4/6 del diario español El País, el humorista Forges dibuja una viñeta en la que se muestra a un político que hace declaraciones a los medios. Primero les dice: "Para aclarar taxativamente mis declaraciones interpretadas torticeramente por algunos interesados en sembrar la confusión, solo diré que nos estamos forrando con la crisis", y a continuación les pide: "Apelo a su profesionalidad para una exacta transcripción de mis palabras".

Con humor del bueno y su habitual ironía filosa, Forges da testimonio de una realidad cada vez más frecuente. Tan frecuente, que el director de la Real Academia Española, José Manuel Blecua, se lamentaba -por supuesto, también él en declaraciones a la agencia española de noticias EFE- de que "engañar a través del lenguaje produce réditos políticos", para agregar: "En el fondo, es la teoría del eufemismo; no son más que búsquedas léxicas que realizan normalmente los políticos y quienes los rodean a la hora de construir los mensajes, lo que llaman ahora «los ejemplarios» que reciben por las mañanas los miembros de los partidos, con esas maneras de suavizar o de «engañar»".

En medio de estas contradicciones, no siempre protagonizadas por los políticos y tampoco siempre intencionadas, se producen otros fenómenos. La semana pasada, una funcionaria se refería a la "convivencia" entre los dirigentes del fútbol y los barrabravas, aunque todo el contexto de su discurso indicaba que quería decir "connivencia"; en tanto, en un muro de Facebook, alguien escribía: "Hay que abstenerse a las consecuencias" por "hay que atenerse a las consecuencias". No extraña, entonces, que Fundéu haya recordado, días atrás, que permisividad y permisibilidad no son lo mismo: " Permisividad significa ?tolerancia excesiva' o ?condición de permisivo' (?que permite o consiente'), mientras que permisibilidad es la ?cualidad de permisible' (?posibilidad de ser permitido'), tal como recoge el Diccionario panhispánico de dudas ".

"No hay peor potro que la lengua", dice el refrán, y para sortear esas trampas lingüísticas en las que caemos sin ayuda, los expertos en educación insisten en que leer, y leer mucho, es una buena estrategia que enriquece el lenguaje y el pensamiento. Por eso, una recomendación para las próximas vacaciones de invierno: el Refranero de uso argentino (Emecé), de Pedro Luis Barcia y Gabriela Pauer, una selección que reúne "más de ocho mil refranes recogidos en compilaciones provinciales y nacionales". Sus autores lo llaman de "uso argentino", porque muchos refranes han sido adoptados, y también adaptados, de una abundante herencia española, y otros son de creación genuinamente argentina. Caracterizado por su brevedad y atemporalidad (y universalidad, muchas veces), aunque exceda los 140 caracteres, el refrán bien puede ser considerado un "tuit de la sabiduría popular".

© LA NACION.
Se procura um serviço de máxima qualidade e profissionalidade, podemos ajudar-lhe