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sexta-feira, 27 de março de 2009

UMA BREVE HISTORIA



A arte da persuasão na direção de empresas foi tratada pela primeira vez em 1938 por Chester I. Barnard, quem afirmava que é um dos processos não econômicos fundamentais, um elemento chave para atingir a eficácia empresarial. A pesar disso, na atualidade os estudos de administração de empresas acostumam passar por alto a persuasão. E justo quando as atitudes interpessoais e comunicativas são mais importantes que nunca.

Confrontar ou persuadir.

Estava com minha esposa de ferias num clube rural e decidimos montar uns cavalos. Era uma tarde estupenda, havia chovido o dia anterior e o caminho estava com bastante grama.

Galopamos um pouco, mas minha esposa não estava tendo seu "melhor dia". Teve o pressentimento de que era melhor ajudar lhe, ou me arriscaria logo a que ficasse chateada. Assim que a esperei e tivemos mais ou menos o seguinte diálogo:

Luis... que estou fazendo mal? Não posso virar!
Nessa época ainda não havia lido o livro de John Gray, "Os Homens são de Marte, as Mulheres de Venus", e pensei que era uma pergunta simples que requeria uma resposta direta.

_ Reduz a pressão nas rendas -contestei- flexiona e pega mais teus joelhos ao animal, levanta mais tua bunda e desloca o peso de teu corpo sobre tua perna quando viras e...

_ Por Deus! Esquece! Não podes fazer nada sem me criticar?
Como se você nunca errasse!

Uns metros mais abaixo vejo que minha esposa está falando com um desconhecido e lhe faz a mesma pergunta...

_ Bom -contestou o perfeito estranho- penso que se reduz a pressão nas rendas, flexiona e pega mais seus joelhos ao animal, levanta mais sua bunda e desloca o peso de seu corpo sobre sua perna quando vira, focando se mais em seus movimentos e não no animal, estou seguro que o faria muito melhor.

Ela agradeceu muito, e contente continuou sua marcha... Eu não sabia se morder o cavalo, ou enterrar-me na grama!

Quantos dos homens que leram este artigo tiveram uma experiência similar? E as mulheres? Cada vez que intentam ajudar a seus maridos (o a seus noivos) quando conduzem, ou pior ainda, quando usam uma ferramenta, o único que conseguem é uma reação... Por quê?

Porque a mensagem se filtra através das percepções que o ouvinte tem do mensageiro. À maioria dos esposos gostam verse como iguais de suas mulheres. Isso faz muito difícil que o ego de um aceite o conselho do outro, porque se supõe que ambos sabem o mesmo.
Este "prejuízo do receptor", geralmente se reserva a certas áreas onde acreditamos que conhecemos mais que nossos parceiros. Não poderia dizer a minha esposa que estilo de decoração é melhor para nossa casa, mais do que ela poderia corrigir-me na reparação de eletrodomésticos.
Sou muito receptivo as suas idéias em certas áreas; enquanto que em outras me entram por uma orelha e me saem pela outra e sento que necessito verificar com uma "autoridade superior".
Mas... por que estou dizendo tudo isto? Porque isto passa também nas empresas, todo o tempo. Aceitamos o conselho daqueles que, para nós, tem uma "credibilidade" que excede (ou iguala) a nossa e, geralmente, ignoramos as sugestões das pessoas que percebemos não estão dentro de nosso "nível intelectual".
Isto é um grande erro! Adivinhe onde encontro a maioria das idéias para melhorar meu negocio? Sim, assim é, com quem trabalha nas primeiras linhas da empresa, na frente, na atenção ao cliente.
A direção ouviu muitas destas idéias antes, mas não escutou, porém proviam de empregados com menor grau na hierarquia... Agora, si vem de um experto "de altos honorários", os mesmos conceitos são repentinamente excelentes. É evidente que esta falta de confiança em alguns mensageiros prejudica a organização... e desmoraliza as pessoas!

Mas além da credibilidade que cada pessoa inspire com sua posição, conhecimento ou renome, existe um "talento" em persuadir acerca de uma idéia, que toma um tempo em ser apreendido, mas que todos podem desenvolver. É exatamente sobre isto, que trata este artigo. Falemos então sobre os três canais de persuasão mais comuns num entorno laboral, que afetam sua maneira de comunicar se no trabalho.

Subordinados

Este é o canal de persuasão mais fácil. Os subordinados esperam que você tenha as respostas, e se não, a maioria lhe escutará, porém você pode, direta ou indiretamente, influenciar em suas condições laborais.

Os métodos que utiliza para falar com seus subordinados podem variar. Sua tarefa consiste em tratar a seus subordinados com respeito, para que escutem a mensagem que você está enviando. Se for agressivo, o ouvinte provavelmente apagará seu receptor e reagira impedindo (a miúdo intencionalmente) o progresso, baixo pretexto de não entender o que você quer dizer.

Para passar ao seguinte nível de ação, deve enfatizar a importância de sua mensagem e mostrar compromisso de sua parte com a idéia. Os subordinados podem ter visto, durante anos em sua companhia, pilhas de resoluções e projetos que eram abandonados logo de um tempo. Todo indica que se intentará esperar, até que sua iniciativa tenha uma morte lenta. A repetição é a mãe de toda habilidade; se quer ação, deve bater a mensagem com muita freqüência.

Pares

Aqui, as coisas se põem um pouco mais difíceis... Como na situação do casal que descrevi antes, os "pares" deixaram que seus egos se atravessassem, na hora de ouvir conselhos e idéias. Se você é o experto de sua companhia em uma disciplina específica, não terá problema algum ao oferecer suas idéias nessa área. Sem embargo, sabemos que muitas das melhores idéias provem da "organização informal", onde o mais difícil é fazer que este tipo de idéias seja ouvido. Ao tratar com iguais, e tentar persuadirmos de seu ponto de vista, aqui vão um par de frases que poderiam ajudar: "Eu não sei muito sobre isto, mas poderia ter sentido sim...”; "Como pensas que poderia funcionar, si fizéssemos."; "Você é o experto, mas que pensa de...”

Capta a idéia? Acaricie ao ouvinte, mostre sua humildade e incluía a ele na idéia, pedindo sua opinião da mesma. Assim, ele poderá agregar algo, aperfeiçoar, ser parte da solução. Melhor ainda, ele apoiará seu conceito e isso é o que você realmente queria. Note de que maneira, ao igual que um bom vendedor, você está oferecendo suas idéias em forma de perguntas
(método Socrático).
Não ditando as simplesmente como uma declaração. Compromissando os seus ouvintes, você conseguirá que lhe comprem!

Um caso especial no canal de persuasão a pares, poderia se chamar o "Percebido como igual". Um exemplo muito comum é quando uma promoção coloca uma pessoa a cargo de seus anteriores pares. Se você é o novo "comissário do povoado", não saque sua pistola demasiado rápido... Conseguirá muito mais apoio, se tratar ao resto com os métodos explicados nos parágrafos anteriores.

Superiores

Este é o canal mais difícil. Se você não tem cuidado ao buscar influir em seu chefe, encontrará orelhas surdas para suas idéias e pronto se sentirá muito frustrado. Ao igual que frente a seus iguais, você necessitará mostrar a humildade apropriada para falar com seus superiores. Exponha suas idéias de maneira tal que faça quedar bem ao chefe a olhos de todos, de seu supervisor e de seus supervisados.
Qualquer seja sua hierarquia na companhia, a maioria dos supervisores tem responsabilidades pele orçamento e o desempenho do empregado, assim que tenha isto sempre presente em seu discurso: "Tenho uma idéia que poderia recortar nossas dispensas departamentais em um dez por cento.
Que pensa você se...?”“; "Como se sentiria você se pudéssemos melhorar a produção da equipe em menos tempo fazendo...?" Qualquer superior teria que ser um obtuso para não escutar atentamente a alguém que se acercasse desta maneira.

As maiores idéias de melhora no mundo são inúteis, se são deixadas na "caixa de sugestões" de sua companhia. Para que suas idéias prosperem, você deve persuadir acerca do valor delas. Porém atenção! Sua meta deve ser comunicar e persuadir tão efetivamente como lhe seja possível em todos os níveis de sua organização, utilizando os três canais de persuasão e focando se em cada tipo de ouvinte. Suas idéias poderão ter então o impacto que merecem você poderá melhorar sua posição e reconhecimento... e algum dia quiçá eu possa ajudar a minha esposa a melhorar sua montaria e ela possa ajudar-me a não me perder na estrada.

Magister Luis A. Meneses Romero.

terça-feira, 24 de março de 2009

JULGAMENTOS




Havia numa aldeia um velho muito pobre que possuía um lindo cavalo branco.
Numa manhã ele descobriu que o cavalo não estava na cocheira.
Os amigos disseram ao velho:
-Mas que desgraça, seu cavalo foi roubado!
E o velho respondeu:
-Calma, não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está mais
na cocheira. O resto é julgamento de vocês.
As pessoas riram do velho. Quinze dias depois, de repente, o cavalo voltou.
Ele havia fugido para a floresta. E não apenas isso; ele trouxera uma dúzia
de cavalos selvagens consigo.
Novamente as pessoas se reuniram e disseram:
-Velho, você tinha razão. Não era mesmo uma desgraça, e sim uma benção.
E o velho disse:
-Vocês estão se precipitando de novo. Quem pode dizer se é uma benção ou
não?

Apenas digam que o cavalo está de volta...
O velho tinha um único filho que começou a treinar os cavalos selvagens.
Apenas uma semana mais tarde, ele caiu de um dos cavalos e fraturou as
pernas.
As pessoas se reuniram e, mais uma vez, se puseram a julgar:
- E não é que você tinha razão, velho? Foi uma desgraça seu único filho
perder o uso das duas pernas.
E o velho disse:
- Mas vocês estão obcecados por julgamentos, hein? Não se adiantem tanto.
Digam apenas que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe ainda se isso é
uma desgraça ou uma bênção...
Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou em guerra e todos os jovens da aldeia foram obrigados a se alistar, menos o filho do velho.
E os que foram pra guerra, morreram...


"Quem é obcecado por julgar, cai sempre na armadilha de basear seu
julgamento em pequenos fragmentos de informação, o que o levará a conclusões precipitadas.

Nunca encerre uma questão de forma definitiva, pois quando um caminho
termina, outro começa, quando uma porta se fecha outra se abre... "


Pense nisso......

sexta-feira, 20 de março de 2009

ENTRE A CRISE E O CAMBIO CLIMATICO


AMÉRICA LATINA: Entre a crise e o câmbio climático


John Nash.


Crédito: Banco Mundial



MONTEVIDEU, 19 mar (IPS) - Se não atacamos o problema do cambio climático, "a vida cotidiana vai trocar muitíssimo", com desastres naturais cada vez mais assíduos e intensos, alertou o economista John Nash, ao apresentar esta quinta feira no Uruguai o inquietante relatório do Banco Mundial sobre a situação na América Latina.
O chamado de atenção de Nash, economista líder da América Latina e o Caribe do Banco Mundial e co autor do estudo, cobra maior urgência ante a severa crise económico-financeira internacional que, como sinala o próprio experto, "vai distrair a atenção dos governos sobre os planos de mitigação dos efeitos do câmbio climático" ante a "seca" de inversões.


O informe do Banco Mundial alerta que a agricultura poderia colapsar na região, com uma redução entre 12 por cento e 50 por cento na América do Sul para 2100. No caso do Uruguai, chegaria à perda a 34 por cento nesse lapso, entanto que no México desapareceriam entre 30 e 85 por cento das fazendas agro pecuárias. A investigação sinala que a temperatura média na América Latina e o Caribe aumentaram um grau no século XX, e só na década passada esse incremento foi de 0,1 graus. Para 2050 pode crescer até 1,7 graus e para 2100 até quatro. Em tanto o nível do mar se elevou de dois ou três milímetros anuais desde os anos 80.

O cambio climático leva à perda dos glaciares da cordilheira dos Andes, que poderiam desaparecer nos próximos 20 anos devido ao aumento da temperatura que pode situar se em 0,6 graus por década.

A frequência das tempestades e secas aumentam, se expandem as enfermidades tropicais, a destruição da biodiversidade e dos ecossistemas, entre eles os mantos de coral no Caribe, e cresce a devastação da infra-estrutura costeira da região, em particular no golfo do México, segundo o estudo do Banco Mundial.

Outro capítulo inquietante é o desmatamento, considerando que os bosques tropicais na Amazônia poderiam desaparecer entre 20 e 80 por cento de sua atual extensão. As áreas de maior risco de inundações estão na Argentina, Brasil, Peru e Uruguai.

Para defender se dessas nefastas predições, o Banco Mundial insta aos países da região a tomar medidas para compatibilizar o desenvolvimento econômico e a preservação do ambiente.

Assim detalha a necessidade de aumentar a eficiência energética, reduzir o desmatamento evitável, melhorar os sistemas de transporte público e o manuseio dos resíduos sólidos, desenvolver as fontes de energia renovável, especialmente a hidroelétrica, e a produção de bi0-combustíveis sustentáveis nos países com vantagens comparativas.

A pesar dos maus augúrios, o organismo multilateral é otimista a respeito da capacidade da região para produzir respostas globais construtivas.

Os antecedentes em quanto a políticas adequadas para mitigar o câmbio climático assim o demonstram, como é o caso, entre outros, de México e seu plano de reduzir a emissão de gases e diminuir o efeito estufa no setor energético, o desenvolvimento de fontes alternativas para produzir energia no Brasil, Argentina e Uruguai.
Isto e muito mais será necessário para que a vida siga sendo possível na região.

quarta-feira, 18 de março de 2009

George Soros - A crise atual e o que ela significa.




“Um assunto de que economistas querem distância”.
Valor Econômico - São Paulo
24/04/2008

A teoria da reflexividade, assunto recorrente nos escritos de George Soros, não se qualifica como ciência, por que não provê explicações deterministas e predições. Constitui apenas uma estrutura conceitual para a compreensão de eventos de que humanos participam. No livro, Soros dedica um capítulo inteiro à explicação da teoria, que pode ser entendida, como ele diz, como uma "teoria da história" de uso amplo, inclusive em assuntos financeiros.

Por que o conceito de reflexividade não obteve reconhecimento generalizado? No caso dos mercados financeiros, Soros diz saber a resposta: "A reflexividade impede os economistas de produzir teorias que poderiam explicar e predizer o comportamento dos mercados do mesmo modo que cientistas naturais podem explicar e predizer os fenômenos naturais", afirma. "Para estabelecer e proteger o status da economia como ciência, os economistas fizeram de tudo para afastar a reflexividade dos assuntos de seu interesse".

A reflexividade é usada em lógica como relação que um objeto tem consigo mesmo. Soros a usa para descrever uma conexão de duas mãos entre o pensamento dos participantes de uma situação (como os agentes do mercado e autoridades econômicas e reguladoras) e a própria situação de que participam. Situações reflexivas são caracterizadas por falta de correspondência entre os pontos de vista dos agentes e o estado real dos acontecimentos.

A compreensão de determinada situação e a participação nessa situação envolve duas funções diferentes. Na função cognitiva, as pessoas procuram compreender o mundo em que vivem. Na função manipulativa, pretendem modificar os fatos em seu benefício. Se as duas funções fossem isoladas uma da outra, poderiam servir a seus propósitos: o entendimento dos agentes equivaleria a informação e suas ações levariam aos resultados desejados. "Mas esse é um pressuposto da teoria econômica que não se justifica, exceto em circunstâncias muito excepcionais", diz Soros. "Pode ser assim entre cientistas sociais empenhados na obtenção de conhecimento, mas não entre participantes de eventos que os cientistas sociais estudam. Cientistas sociais, particularmente os economistas, tendem a ignorar esse fato."

Quando as duas funções estão em operação simultânea, interfere uma na outra e os fenômenos envolvidos não consistem apenas em fatos e informações objetivas, mas também em intenções e expectativas a respeito do futuro - contingenciado pelas decisões dos próprios participantes. Estes buscam compensar a insuficiência de informações com suposições baseadas em experiência, instinto, emoções, rituais e, assim, incorrem em equívocos.

Tome-se o mercado de ações, por exemplo. As pessoas compram e vendem ações imaginando preços futuros, mas esses preços estão sujeitos a influências das expectativas dos investidores. As expectativas não podem ser qualificadas como informação. Na ausência de informação suficiente, os participantes precisam introduzir um elemento de julgamento ou viés em seu processo de decisão. Como resultado, os resultados provavelmente divergirão das expectativas.

Os pontos de vista tendenciosos e os equívocos dos participantes introduzem a incerteza no curso dos eventos. Reconheçam isso ou não, os participantes são obrigados a agir com base em crenças que não têm raízes na realidade. "Interpretações errôneas da realidade e outros equívocos desempenham papel muito maior na determinação do curso dos eventos do que é geralmente reconhecido", diz Soros. "Esse é o principal novo 'insight' que a teoria da reflexividade oferece. A atual crise financeira é um exemplo persuasivo disso."

“A incerteza inerente à conexão reflexiva entre as funções cognitiva e manipulativa não pode ser eliminada", diz Soros, "mas nossa compreensão e capacidade para lidar com tal situação seriam bastante melhoradas se reconhecêssemos esse fato".
Fiquei particularmente impressionado com a sua Teoria da Reflexividade para explicar a razão pela qual os mercados financeiros apresentam graves crises de tempos em tempos. Essa sua teoria guarda muitas semelhanças com a incerteza Keynesiana. Isso porque a incerteza Keynesiana é uma situação na qual os agentes econômicos não conseguem “descobrir” a distribuição objetiva de probabilidades que regula os resultados dos processos econômicos, pois as decisões de produção e investimento tomadas por esses agentes mudam o ambiente econômico ao serem implementadas, tornando assim não-estacionárias as distribuições objetivas de probabilidade. Nesse contexto, a convergência da distribuição subjetiva para a distribuição objetiva de probabilidades é impossível, de tal forma que um equilíbrio com expectativas racionais torna-se um resultado inalcançável pelos agentes econômicos (Davidson, 1988).

Vejam o que Soros diz a respeito das expectativas racionais:

“Eu sustento que a teoria das expectativas racionais interpreta de modo totalmente errado o funcionamento do mercado financeiro. Embora tal teoria já não seja levada a sério fora dos círculos acadêmicos, a idéia de que os mercados financeiros se corrigem por si mesmos e tendem ao equilíbrio continua a ser o paradigma em que se baseiam os vários instrumentos e modelos de cotação artificiais que adquiriram papel dominante nos mercados financeiros. Sustento que o paradigma vigente é falso e precisa urgentemente ser substituído”.
(2008, p30).

“Nem tudo o que pode ser contado conta, e não tudo o que conta pode ser contado” A. Einstein. -

terça-feira, 17 de março de 2009

CAPITAL INTELECTUAL


GESTÃO DO CONHECIMENTO. -
CAPITAL INTELECTUAL.
A necessidade de gerar novas idéias, de forma mais rápida, facilitou que o valor da informação e do conhecimento cotize em alta. Prova dele é a efervescência de todos os setores que estão diretamente relacionados: às telecomunicações, internet, a informática em geral, a formação, etc.
Nosso entorno competitivo demanda câmbios, a velocidade exponencial com que nascem, competem e morrem nossas idéias nos leva a propor-nos a necessidade de administrar as organizações de forma distinta a como o fazíamos faz só 4 ou 5 anos. Cada vez é mais evidente que enfrentar se ao presente com métodos do passado pode representar hipotecar o futuro.


Conseqüência do anterior, é que se reconhece a necessidade de lograr que as pessoas aceitem investir todo seu talento na organização, com um nível de participação e implicação muito maior. Nesta linha há surgido uma série de modelos de gestão que reconhecem o valor do conhecimento e que pretendem promover, estruturar e fazerlo operativo ou válido para a empresa.

Alguns destes modelos são: o capital intelectual, a gestão do conhecimento, o aprendizado permanente, a liderança facilitadora, o empowerment, etc.

Todos estes enfoques passam por:

a) Valorizar a importância da informação e do conhecimento.
b) Facilitar o aprendizado nas organizações.
c) Valorizar a contribuição das pessoas.

Se começássemos a aprofundar em qualquer dos enfoques mencionados sempre chegaremos ao mesmo lugar: a pessoa e seu modelo mental.

É de grande ajuda contar com sistemas informáticos, intranets, etc. que nos permitam estruturar a informação. Mas de pouco servem se não somos capazes de levar a cabo aproximações "face a face" que nos permitam trabalhar com as pessoas.

Tradicionalmente o elo competitivo mais débil do diretivo, sempre há sido a gestão do rendimento e motivação de seus colaboradores. A boa preparação técnica contrasta com a falta de competências relacionais. Isto tem propiciado a continuidade de modelos autocráticos ou outros estilos praticamente incompatíveis com o desenvolvimento do capital intelectual na empresa.

O coaching, mediante uma metodologia estruturada, leva a cabo aproximações que nos permitem trabalhar na melhoria do rendimento e no desenvolvimento do potencial das pessoas.

As organizações que apostam decididamente pelo desenvolvimento do capital intelectual, encontram no coaching um modelo de inestimável valor, para "chegar" até a pessoa.

Mas… O que é realmente o coaching? Qual é a essência do modelo? Que aporta às pessoas e organizações? São algumas das perguntas que imagino, pode fazer se qualquer pessoa que não o conheça e que tentarei responder neste artigo.

O que é o coaching?

O coaching é um modelo que tem a finalidade de desenvolver o potencial das pessoas, de forma metódica estruturada e eficaz. Os princípios os quais se apóia são:
O coaching se centra nas possibilidades do futuro, não nos erros do passado ou no rendimento atual.
Para obter o melhor das pessoas, o coach deve acreditar em seu potencial. Nossas crenças sobre as capacidades dos outros tem um impacto direto sobre sua atuação.
O coaching funciona baseado numa relação de confiança e confidencialidade mantida entre o treinador e o treinado.
O treinado não aprende do coach, senão de si mesmo, estimulado pelo coach. Mesmo que às vezes não seja fácil, o coach deve evitar transferir sua experiência ao treinado, já que se o fizera, estaria descumprindo um dos princípios básicos do coaching.

Como afirmou Goethe:

“O melhor que podes fazer pelos demais não é ensinar lhes tuas riquezas senão fazer lhes ver a deles própria”

As modalidades do coaching com as que se acostuma intervir nas organizações são:
Coaching personalizado (sessões de desenvolvimento diretivo)
Coaching grupal (dinamização de equipes)
Formação em Coaching (desenvolvimento de competências de coach)
As sessões de coaching personalizado o desenvolvimento diretivo abordam situações de ajuda ou desenvolvimento do potencial de diretivos. As razões de intervenção mais habituais são: tomada de decisões, conflitos, estresse, procura de recursos, desenvolvimento de competências, apoio a promoções, etc.

As seções de coaching grupal tem por objetivo dinamizar um grupo de pessoas ou diretivos. As intervenções mais habituais podem ser: solução de problemas, seções de criatividade, conflitos, etc.

Finalmente as ações de formação em coaching permitem desenvolver nos participantes (chefias e diretores) as competências de coach para que saibam impulsionar o potencial de seus colaboradores e melhorar seu rendimento.

As intervenções podem ser estruturadas e formais quando se estabelece um marco específico, informais quando o coach aproveita as oportunidades do dia a dia para utilizar o modelo. E também podemos utilizar a metodologia para nosso próprio auto desenvolvimento (auto coaching).

Qual é a essência do modelo?

Nossos resultados são conseqüência de nossas ações ou condutas, e estas a sua vez, são o reflexo de nossos pensamentos. A melhoria do rendimento se produz, quando enriquecemos nossos modelos mentais e podemos gerar novas respostas.

A essência do coaching passa por enriquecer o modelo mental do treinado, incrementando seu nível de consciência e facilitando o passo à ação. Todo elo a base de perguntas e feedback descritivo ou não avaliativo. A seqüência poderia ser:

1. Descrição da situação desejada (objetivo)
2. Descrição da situação atual (área de melhora ou dificuldade)
3. Mapa de opções e recursos (geração e seleção)
4. Plano de ação (plano específico de atuação)
5. Resultados (controle e seguimento)

Nas fases primeira e segunda, o objetivo do coach é incrementar o nível de consciência (sensorial e emocional) do treinado. Esta fase é fundamental, já que só poderemos controlar aquilo do que somos conscientes, ser conscientes nos da poder para atuar.

Na fase terceira o objetivo é implicar lhe na geração de alternativas e na criação de um plano de ação (seu plano). Finalmente só resta estabelecer como e quando vamos avaliar os resultados.

Que aporta às pessoas e organizações?

Em praticamente todos os foros sobre direção, liderança, capital intelectual, gestão do conhecimento, competências, etc. se está aludindo à necessidade que tem as organizações de que o rol do chefe evolua para o de facilitador.

Este rol é orientado a resultados, mas também às pessoas, está muito mais de acorde com as organizações que apostam pelo aprendizado permanente.
Como falou Arie de Geus:
“A capacidade para aprender mais rapidamente que os competidores, é provavelmente a única vantagem sustentável".
Acredito que umas grandes maiorias estão de acordo no anterior, mas quando se assumem as intenções e se passa a pensar nas ações a pergunta que surge é: Como posso fazerlo ?

O coaching permite concretizar esse câmbio de rol nas organizações, aportando um modelo estruturado e eficaz, que permite administrar adequadamente o rendimento e impulsionar o desenvolvimento do potencial dos colaboradores.

Resumindo: o coaching aporta valor às organizações, porém:
Melhora o rendimento dos colaboradores.
Desenvolve o potencial.
Melhora as relações diretivo-colaborador.
Fomenta a liderança.
Facilita a motivação
Aumenta a implicação.
Reforça a auto-estima.
Dada à importância dos benefícios, cada vez são mais as organizações que o incorporam a sua cultura e estilo diretivo.
Eduardo Escrivã Solano.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Crise e América Latina


Faz mais de um milênio, muito antes da conquista européia, uma civilização perdida floresceu numa área que conhecemos agora como Bolívia.
Os arqueólogos estão descobrindo que Bolívia tinha uma sociedade sofisticada e complexa, ou, para usar suas palavras, um dos meios ambientes artificiais maiores, estranha ecologicamente, mais rica do planeta... suas populações e cidades eram grandes e formais, e isso cria um panorama que era uma das maiores obras de arte da humanidade.
Agora Bolívia, junto com boa parte da região, desde Venezuela até Argentina, tem ressurgido. A conquista e seu eco de domínio imperial nos Estados Unidos estão cedendo passo à independência e à interdependência que marcam uma nova dinâmica nas relações entre o norte e o sul. E tudo isso tem como telão de fundo a crise econômica nos Estados Unidos e no mundo.
Durante a passada década, América Latina se converteu na região mais progressista do mundo. As iniciativas através do subcontinente tiveram um impacto significativo nos países e na lenta emergência de instituições regionais.
Entre elas figuram o Banco do Sul, respaldado em 2007 pelo economista e premio Nobel Joseph Stiglitz, em Caracas, Venezuela; e o Alba, Alternativa Bolivariana para América Latina e o Caribe, que poderia demonstrar ser um verdadeiro amanhecer, se sua promessa inicial se pode concretizar.
A Alba pode ser descrita como una alternativa ao Tratado de Livre Comércio das Américas patrocinadas pelos Estados Unidos, porém os termos são enganosos. Deve ser entendido como um desenvolvimento independente, não como uma alternativa. E ademais, os chamados acordos de livre comércio têm só uma limitada relação com o comércio livre, ou incluso com o comércio em qualquer sentido sério do termo.
E certamente não são acordos, ao menos para as pessoas que formam parte de seus países. Um termo mais preciso seria acordos para defender os direitos dos investidores, desenhados por corporações multinacionais e bancos e estados poderosos para satisfazer seus interesses, estabelecidos em boa parte em segredo, sem a participação do público, ou sem que tenham consciência do que está acontecendo.
Outra prometedora organização regional é Unasul, a União de Nações da América do Sul. Modelada em base à União Européia, Unasul se propõe estabelecer um Parlamento sul-americano em Cochabamba, Bolívia. Trata se de um sitio adequado. Em 2000, o povo de Cochabamba iniciou uma valente e exitosa luta contra a privatização das águas. Isso despertou a solidariedade internacional, pois demonstrou o que pode conseguir se através de um ativismo comprometido.
A dinâmica do Cone Sul provêem em parte da Venezuela, com a eleição de Hugo Chávez, um presidente esquerdista cuja intenção é usar os ricos recursos da Venezuela para beneficio do povo venezuelano em lugar de entregarmos para a riqueza e o privilegio daqueles em seu país e exterior. Também tem o propósito de promover a integração regional que necessita de maneira desesperada como pré requisito da independência, para a democracia, e para um desenvolvimento positivo.
Chávez não está só nesses objetivos. Bolívia, o país mais pobre do continente, é tal vez o exemplo mais dramático. Bolívia tem traçado um importante caminho para a verdadeira democratização do hemisfério. Em 2005, a maioria indígena, a população que tem sofrido mais repressões no hemisfério, ingressou na arena política e escolheu um de suas próprias filas, Evo Morales, para impulsionar programas que derivavam de organizações populares.
A eleição foi somente uma etapa nas lutas em curso. Os tópicos eram bem conhecidos e graves: o controle dos recursos, os direitos culturais e a justiça em uma complexa sociedade multirracial, e a grande brecha econômica e social entre a grande maioria e a elite abastada, os governantes tradicionais.
Em conseqüência, Bolívia é também agora o cenário da confrontação mais perigosa entre a democracia popular e as privilegiadas elites europeizadas que ressentem a perda de seus privilégios políticos e se opõem pelo tanto á democracia e á justiça social, às vezes de maneira violenta. De maneira rotineira, desfrutam do firme respaldo dos Estados Unidos.
Em setembro passado, durante uma reunião de emergência de Unasul em Santiago, Chile, líderes sul-americanos declararam seu firme e pleno respaldo ao governo constitucional do presidente Evo Morales, cujo mandato foi ratificado por uma grande maioria, aludindo a sua vitoria no recente referendum.
Morales agradeceu a Unasul, sinalando que por primeira vez na historia da América do Sul, os países de nossa região estão decidindo como resolver seus problemas, sem a presença dos Estados Unidos.
Estados Unidos tem dominado desde faz muito a economia da Bolívia, especialmente mediante o processamento de suas exportações de estanho.
Como o experto em assuntos internacionais Stephen Zunes sinala, no começo da década dos anos 50, num momento crítico dos esforços da nação para converter se em auto-suficiente, o governo dos Estados Unidos obrigou a Bolívia a utilizar seu escasso capital não para seu próprio desenvolvimento, senão para compensar a ex donos de minas e repagar sua dívida externa.
A política econômica que se impôs a Bolívia nessa época foi precursora dos programas de ajuste estrutural implementados no continente 30 anos mais tarde, baixo os termos do neoliberal Consenso de Washington, que há tido em geral efeitos desastrosos.
Agora, as vitimas do fundamentalismo de mercado neoliberal incluem também a países ricos, onde a maldição da liberalização financeira há trazido a pior crise financeira desde a grande depressão.
As modalidades tradicionais do controle imperial-violência e guerra econômica– diminuíram. América Latina tem opções reais. Washington entende muito bem que essas opções ameaçam não só sua dominação no hemisfério, senão também sua dominação global. O controle da América Latina há sido o objetivo da política exterior dos Estados Unidos desde os primeiros dias da república.
Se Estados Unidos não pode controlar América Latina, não pode esperar concretizar uma ordem exitosa em outras partes do mundo, concluiu em 1971 o Conselho Nacional de Segurança na época de Richard Nixon. Também considerava de importância primordial destruir a democracia chilena, algo que fez.
Expertos da corrente tradicional reconhecem que Washington só há respaldado a democracia quando contribuía a seus interesses econômicos e estratégicos. Essa política tem continuado sem câmbios, até o presente.
Essas preocupações antidemocráticas são a forma racional da teoria do dominó, às vezes qualificada, de maneira precisa, como a ameaça do bom exemplo. Por tais razões, inclusive o menor desvio da mais estrita obediência é considerada uma ameaça existencial que é respondida de maneira dura. Isso vai desde a organização dos camponeses em remotas comunidades do norte de Laos, até a criação de cooperativas de pescadores em Granada.
Numa América Latina com uma nova autoconfiança, a integração tem ao menos três dimensões. Uma é regional, um pré-requisito crucial para a independência, que dificulta ao amo do hemisfério escolher países, um após do outro. Outra é global, ao estabelecer relações entre sul e sul e diversificar mercados e inversões. China se há convertido num sócio cada vez mais importante nos assuntos hemisféricos. E a última é interna, tal vez a dimensão mais vital de todas.
América Latina é famosa pela extrema concentração de riqueza e de poder, e pela falta de responsabilidade das elites privilegiadas com respeito ao bem estar de seus países.
América Latina tem grandes problemas, porém há também desenvolvimentos prometedores que poderiam anunciar uma época de verdadeira globalização. Trata-se de uma integração internacional em favor dos interesses do povo, não de investidores e de outras concentrações do poder.
(Os ensaios de Noam Chomsky sobre lingüística e política acabam de ser coletados em The Essential Chomsky, editados por Anthony Arnove e publicados por The New Press. Chomsky é professor emérito de lingüística e filosofia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts de Cambridge).

sexta-feira, 13 de março de 2009







UMA REUNIÃO QUE VALEU A PENA
Por Fidel Castro Ruz.
2009-03-09

Finalizado o evento sobre Globalização e Desenvolvimento com a presença de mais de 1500 economistas, destacadas personalidades científicas e representantes de organismos internacionais reunidos em Havana, recebi uma carta e um documento de Atilio Boron, Doutor em Ciências Políticas, Professor Titular de Teoria Política e Social, diretor do Programa Latino americano de Educação a Distância em Ciências Sociais, PLED, além de outras importantes responsabilidades científicas e políticas.
Atilio, firme e leal amigo, participou o dia 6 no programa da Mesa Redonda da Televisão Cubana, junto a outras eminências internacionais que assistiram à Conferência sobre Globalização e Desenvolvimento.
Soube que se marcharia no domingo e decidi convidar lhe a um encontro as 5 da tarde do dia anterior, sábado 7 de março.
Havia decidido escrever uma reflexão sobre as idéias contidas em seu documento. Utilizarei na síntese suas próprias palavras:

“… Achamo-nos ante uma crise geral capitalista, a primeira de uma magnitude comparável à que estalara em 1929 e á chamada ‘Longa Depressão’ de 1873-1896. Uma crise integral, civilizacional, multidimensional, cuja duração, profundidade e alcances geográficos seguramente haverá de ser de maior envergadura que as que lhe precederam.
“ Trata se de uma crise que transcende com acréscimos o financeiro o bancário e afeta à economia real em todos seus departamentos. Afeta à economia global e vai muito mais além das fronteiras estadunidenses.
“Suas causas estruturais: é uma crise de superprodução e à vez de subconsumo. Não por casualidade estourou em EEUU, porém este país faz mais de trinta anos que vive artificialmente da poupança externa, do crédito externo, e estas duas coisas não são infinitas: as empresas se endividaram acima de suas possibilidades; o Estado se endividou também acima de suas possibilidades para fazer frente não a uma senão a duas guerras não só sem aumentar os impostos senão que reduzindo os, os cidadãos são sistematicamente impulsionados, por via da publicidade comercial, a endividar se para sustentar um consumismo desorbitado, irracional e esbanjador.
“ Mas a estas causas estruturais há que agregar outras: a acelerada financeirização da economia, a irresistível tendência à incursão em operações especulativas cada vez mais arriscadas. Descoberta a ‘fonte de Juvência’ do capital graças à qual o dinheiro gera mais dinheiro prescindindo da valorização que lhe aporta à exploração da força do trabalho e, tendo em conta que enormes massas de capital fictício se pode alcançar em questão de dias, ou semanas como máximo, a adição do capital o leva a deixar de lado qualquer cálculo ou qualquer escrúpulo.
“Outras circunstâncias favoreceram o estouro da crise. As políticas neoliberais de não regulação e liberalização fizeram possível que os atores mais poderosos que pululam nos mercados impuseram a lei da selva.
“ Uma enorme destruição de capitais em escala mundial, caracterizando lo como uma ‘destruição criadora’. Em Wall Street esta ‘destruição criadora’ fez que a desvalorização das empresas que cotizam nessa bolsa chega quase a 50 %; uma empresa que antes cotizava em bolsa um capital de 100 milhões, agora tem 50 milhões! Caída da produção, dos preços, dos salários, do poder de compra. ‘O sistema financeiro em sua totalidade está a ponto de estourar. Já temos mais de $ 500.000 milhões em perdas bancarias, existe um bilhão mais que está a chegar. Mais de uma dúzia de bancos estão em bancarrota, e há centos mais esperando correr a mesma sorte. A estas alturas mais de um bilhão de dólares foram transferidos desde a FED ao cartel bancário, mas um bilhão e meio a mais será necessário para manter a liquidez dos bancos nos próximos anos’. O que estamos vivendo é a fase inicial de uma longa depressão, e a palavra recessão, tão utilizada recentemente, não captura em tudo seu dramatismo o que o futuro depara para o capitalismo.
“A ação ordinária do Citicorp perdeu 90 % do seu valor em 2008. A última semana de fevereiro cotizava em Wall Street a $ 1.95 por ação!
“ Este processo não é neutro, pois favorecerá aos maiores e melhor organizados oligopólios, que expulsarão a seus rivais dos mercados. A ‘seleção darwiniana dos mais aptos’ despejará o caminho para novas fusões e alianças empresariais, enviando aos mais fracos à quebra.
“Acelerado aumento do desemprego. O número de desempregados no mundo (uns 190 milhões em 2008) poderá incrementar se em 51 milhões mais no decorrer de 2009. Os trabalhadores pobres (que ganham apenas dois euros diários) serão 1.400 milhões, ou seja, 45% da população economicamente ativa do planeta. Nos Estados Unidos a recessão já destruiu 3,6 milhões de postos de trabalho. A metade durante os últimos três meses. Na UE, o número de desempregados é de 17,5 milhões, 1,6 milhões mais que há um ano. Para 2009, se prevê a perda de 3,5 milhões de empregos. Vários Estados centro-americanos assim como México e Peru, por seus estreitos laços com a economia estadunidense, serão fortemente golpeados pela crise.
“ Uma crise que afeta a todos os setores da economia: a banca, a indústria, os seguros, a construção, etc... e se espalha por todo o conjunto do sistema capitalista internacional.
“Decisões que se tomam nos centros mundiais e que afetam as subsidiarias da periferia gerando demissões massivas, interrupções nas cadeias de pagamentos, caída na demanda de insumos, etc... EEUU há decidido apoiar as Big Three (Chrysler, Ford, General Motors) de Detroit, mas só para que salvem suas plantas no país. França e Suécia anunciam que condicionaram as ajudas a suas indústrias automotivas: só poderá beneficiar aos centros sediados em seus respectivos países. A ministra francesa de Economia, Christine Lagarde, declara que o protecionismo poderia ser ‘um mal necessário em tempos de crise’. O ministro espanhol de Indústria, Miguel Sebastián, insta a ‘consumir produtos espanhóis. ’ Barack Obama, nos agregamos, promove o ‘buy American! ’.
“ Outras fontes de propagação da crise na periferia são a caída nos preços das commodities que exportam os países latino-americanos e do caribe, com suas seqüelas recessivas e o aumento da desocupação.
“Drástica caída das remessas dos emigrantes latino-americanos e caribenhos aos países subdesenvolvidos. (Em alguns casos as remessas são o mais importante item no ingresso internacional de divisas, por cima das exportações).
“ Retorno dos emigrantes, deprimindo ainda mais o mercado do trabalho.
“Se conjuga com uma profunda crise energética que exige trocas ao atual, baseado no uso irracional e predatório do combustível fóssil.
“ Esta crise coincide com a crescente tomada de consciência dos catastróficos alcances do cambio climático.
“Agregue a crise alimentaria, acentuada pela pretensão do capitalismo de manter um irracional padrão de consumo que há levado a reconverter terras aptas para produção de alimentos para ser destinadas à elaboração de agro-combustiveis.
“ Obama reconheceu que não tocamos fundo, ainda, e Michael Klare, escreveu em dias passados que ‘se o atual desastre econômico se converte no que o presidente Obama há denominado década perdida, o resultado poderia consistir numa paisagem global lotado de convulsões motivado pela economia. ’
“Em 1929 a desocupação em EEUU chegou a 25%, ao passo que caíam os preços agrícolas e das matérias primas. Dez anos após, e pese as radicais políticas de Franklin D. Roosevelt (o New Deal), a desocupação seguia sendo muito elevada (17 %) e a economia não conseguia sair da depressão. Só a Segunda Guerra Mundial deu fim a essa etapa. E agora, por que haveria de ser mais breve? Se a depressão de 1873-1896, como expliquei, durou 23 anos!
“ Com estes antecedentes, por que agora sairíamos da atual crise em questão de meses, como vaticinam alguns publicitários e ‘gurus’ de Wall Street.
“Não se sairá desta crise com um par de reuniões do G-20, ou do G-7. Se uma prova há de sua radical incapacidade para resolver a crise é a resposta das principais bolsas de valores do mundo logo de cada anuncio ou cada sanção de uma lei aprobatória de um novo resgate: invariavelmente a resposta dos “mercados’ é negativa.
“Segundo testemunha George Soros ‘a economia real sofrerá os efeitos secundários, que agora estão cobrando brio. Posto que nestas circunstâncias o consumidor estadunidense já não pode servir de locomotiva da economia mundial, o Governo estadunidense deve estimular a demanda. Dado que nós enfrentamos aos retos ameaçadores do aquecimento do planeta e da dependência energética, o próximo Governo deveria dirigir qualquer plano de estímulo à poupança energética, ao desenvolvimento de fontes de energia alternativas e à construção de infra-estruturas ecológicas.
“ Se abre um longo período de puxas e negociações para definir de que forma se sairão da crise, quais serão os beneficiados e quem deverá pagar seus custos.
“Os acordos de Bretton Woods, concebidos no marco da fase keynesiana do capitalismo, coincidiram com a estabilização de um novo modelo de hegemonia burguesa que, produto das conseqüências da guerra e a luta antifascista tinham como novo e inesperado telão de fundo o fortalecimento da gravitação dos sindicatos obreiros, os partidos de esquerda e as capacidades reguladoras e interventoras dos estados.
“ Já não está a URSS, cuja presença e a ameaça da extensão a Ocidente de seu exemplo inclinavam a balança da negociação a favor da esquerda, setores populares, sindicatos, etc.
“Na atualidade China ocupa um papel incomparavelmente mais importante na economia mundial, mas sem atingir uma importância paralela na política mundial. A URSS, em cambio, pese a sua debilidade econômica era uma formidável potência militar e política. China é uma potência econômica, mas com escassa presença militar e política nos assuntos mundiais, se bem está começando um cauteloso e paulatino processo de reafirmação na política mundial.
“ China pode chegar a jogar um papel positivo para a estratégia de recomposição dos países da periferia. Beijing está gradualmente reorientando suas enormes energias nacionais ao mercado interno. Por múltiplas razões que seriam impossíveis discutir agora é um país que necessita que sua economia cresça ao 8 % anual, seja como resposta aos estímulos dos mercados mundiais o aos que se originem em seu imenso –só parcialmente explorado- mercado interno. De confirmar se esse giro é possível predisser que a China seguirá necessitando muitos produtos originários dos países do Terceiro Mundo, como petróleo, níquel, cobre alumínio, aço, soja e outras matérias primas e alimentos.
“Na Grande Depressão dos anos 30, em cambio, a URSS tinha uma débil inserção nos mercados mundiais. China é distinto: poderá seguir jogando um papel muito importante e, ao igual que Rússia e Índia (estas em menor medida) comprarem no exterior as matérias primas e alimentos que necessite a diferença do que acontecia com a URSS nos tempos da Grande Depressão.
“ Nos anos 30 a ‘solução’ da crise se encontrou no protecionismo e a guerra mundial. Hoje, o protecionismo encontrará muitos obstáculos devido à interpenetração dos grandes oligopólios nacionais nos distintos espaços do capitalismo mundial. A conformação de uma burguesia mundial, arraigada em gigantescas empresas que, pese a sua base nacional, opera em numerosos países, faz que a opção protecionista no mundo desenvolvido seja de escassa efetividade no comercio Norte/Norte e as políticas tenderão -ao menos por em quanto, e não sem tensões- a respeitar os parâmetros estabelecidos pela OMC. A carta protecionista aparece como muito mais provável quando se aplique como seguramente se fará, em contra do Sul global. Uma guerra mundial motorizada por ‘burguesias nacionais’ do mundo desenvolvido dispostas a lutar entre si pela supremacia nos mercados é praticamente impossível porque tais ‘burguesias’ foram deslocadas pela ascensão e consolidação de uma burguesia imperial que periodicamente se reúne em Davos e para a qual a opção de um enfrentamento militar constitui um fenomenal despropósito. Não quer dizer que essa burguesia mundial não apóie como há feito até agora com as aventuras militares de Estados Unidos em Iraque e Afeganistão, a realização de numerosas operações militares na periferia do sistema, necessárias para preservação da rentabilidade do complexo militar-industrial norte americano e, indiretamente, para os grandes oligopólios dos demais países.
“A situação atual não é igual à dos anos trintas. Lênin dizia ‘o capitalismo não cai se não há uma força social que o faça cair’. Essa força social hoje não está presente nas sociedades do capitalismo metropolitano, incluso Estados Unidos.
“ USA, UK, Alemanha, França e Japão dirimiam no terreno militar sua pugna pela hegemonia imperial.
“Hoje, a hegemonia e a dominação estão claramente em mãos de USA. É a única garantia do sistema capitalista em escala mundial. Se USA cair se produziria um efeito dominó que provocaria o derrube de quase todos os capitalismos metropolitanos, sem mencionar as conseqüências na periferia do sistema. Em caso de que Washington se veja ameaçado por uma insurgência popular todos acudirão a socorrer lhe, porque é o sustém último do sistema e o único que, em caso de necessidade, pode socorrer aos demais.
“ EEUU é um ator insubstituível e centro indiscutido do sistema imperialista mundial: só ele dispõe de mais de 700 missões e bases militares em uns 120 países que constituem a reserva final do sistema. Se as demais opções fracassam, a força aparecerá em tudo seu esplendor. Só EEUU pode despregar suas tropas e seu arsenal de guerra para manter a ordem a escala planetária. É como falara Samuel Huntington, ‘o xerife solitário’.
“Este ‘escoramento’ do centro imperialista conta com a colaboração dos demais sócios imperiais, ou com seus competidores na área econômica e inclusive com a maioria dos países do Terceiro Mundo, que acumulam seus reservas em dólares estadunidenses. Nem China, Japão, Coréia ou Rússia, para falar dos maiores detentores de dólares do planeta, podem liquidar seu stock nessa moeda porque será uma movida suicida. Claro está que esta também é uma consideração que deve ser tomada com muita cautela.
“ A conduta dos mercados e dos investidores de todo o mundo fortalece a posição norte americana: a crise se aprofunda, os resgates demonstram ser insuficientes, o Dow Jones de Wall Street cai por debaixo da barreira psicológica dos 7.000 pontos-descendo por baixo da marca obtida em 1997!- e pese a isto a gente busca refugio no dólar, caindo às cotizações do euro e o ouro!
“Zbigniev Brzezinski há declarado: ‘estou preocupado porque vamos ter milhões e milhões de desocupados, muita gente passando realmente muito mal. E essa situação estará presente por um tempo antes que as coisas eventualmente melhorem’.
“ Estamos na presença de uma crise que é muito mais que uma crise econômica, o financeira.
“Se trata de uma crise integral de um modelo civilizatório que é insustentável economicamente; politicamente, sem apelar cada vez mais à violência em contra dos povos; insustentável também ecologicamente, dada a destruição, em alguns casos irreversíveis, do meio ambiente; e insustentável socialmente, porque degrada a condição humana até limites inimagináveis e destrói a trama mesma da vida social.
“ A resposta a esta crise, por tanto, não pode ser só econômica ou financeira. As classes dominantes farão exatamente isso: utilizar um vasto arsenal de recursos públicos para socializar as perdas e re flutuar aos grandes oligopólios. Encerrados na defesa de seus interesses mais imediatos carecem sequer da visão para conceber una estratégia mais integral.

“A crise não há tocado fundo”, diz. “Achamo-nos ante uma crise geral capitalista. Nunca alguma outra foi maior. A que teve lugar entre 1873 e 1896, durou 23 anos, se chamou Longa Depressão. A outra muito grave foi a de 1929. Durou igualmente não menos de 20 anos. A atual crise é integral, civilizacional, multidimensional.”
De imediato agrega: “É uma crise que transcende com acréscimo o financeiro, o bancário e afeta à economia real em todos seus departamentos”.
Se alguém toma esta síntese e a leva no bolso, leia de vez em quando ou a aprende de memória como uma pequena Bíblia, estará mais bem informado do que acontece no mundo que os 99% da população, onde o cidadão vive assediado por centos de anúncios publicitários e saturado com milhares de horas de noticias, novelas e películas de ficção reais ou falsas.

Fidel Castro.
Março 8 de 2009
11,16 AM.


“La ignorancia es el peor enemigo de la civilizacion, y la ignorancia suele ser, en sus efectos y frecuentemente en sus impulsos, tan malvada como la misma maldad.” Eugenio Maria de Hostos

“A ignorancia é o pior inimigo da civilização,e a ignorancia costuma ser em seus efeitos e frequentemente em seus impulsos, tão malvada como a mesma maldade.”

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