Translate

domingo, 27 de fevereiro de 2011

BRASIL 2011


"Lentidão da Justiça afasta investimentos no país"




POR GABRIELA ROCHA



O Brasil pode se transformar em um polo internacional de investimentos e negócios, mas para isso precisará aproveitar sua atual boa fase para lutar contra a burocracia e a instabilidade normativa e jurídica que tanto assustam os investidores estrangeiros. Essa luta, só poderá ser travada com o apoio do governo, que deve estruturar o país e deixar os agentes privados mais livres. Essa é a visão de Paulo Oliveira, diretor-presidente da Brasil Investimentos & Negócios (Brain), que participou de reunião do Conselho Superior de Direito da Fecomercio para discutir o tema "Segurança jurídica: os obstáculos para a modernização do Brasil".
Oliveira também aproveitou o encontro para apresentar a Brain, entidade formada pela Ambima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), BM&F Bovespa (Bola de Valores, Mercadorias e Futuros) e Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que pretende articular esforços e ações públicas e privadas para consolidar o Brasil como um polo internacional de investimentos e negócios da América Latina, com projeção e conexões global.
A entidade comemorará um ano de existência em abril, quando lançará um relatório sobre a atratividade do país para investimentos estrangeiros. Segundo Oliveira, o Brasil, que tem a terceira maior bolsa do mundo em valor de mercado, passa por um momento único e tem grande potencial de se renovar e aproveitar a realocação de capital, causada por uma mudança da mentalidade sobre os riscos de onde aplicar dinheiro. “Nós já fizemos nossa lição de casa: passamos por uma crise, temos instituições fortes e autorregulação boa”, explicou.
A Brain entende que a rede de negócios mundial é formada pelos seguintes polos de investimentos e negócios: EUA e Canadá, Europa, Oriente Médio, e Ásia. Tal quadro mostra um espaço vazio na América Latina, que pode ser ocupado pelo Brasil, cujos concorrentes são a Ásia e os demais países que formam o chamado BRIC: Rússia, Índia e China.
De acordo com a análise do presidente da Brain, se o Brasil não aproveitar o momento para atrair investidores, continuará ganhando com commodities, enquanto a Índia ganha com serviços e a China com produção e industrialização.
Ao analisar casos que deram certo, — Nova York, Londres, Cingapura, Hong Kong, Dubai, e Paris —, a Brain diagnosticou requisitos para um país virar polo mundial: intensidade de comércio, estabilidade macroeconômica, infraestrutura desenvolvida, talentos, fluência em línguas, alinhamento público/privado, e pró-atividade governamental.
Considerando esses requisitos, Oliveira entende que o governo está empenhado em resolver os problemas de infraestrutura do Brasil, inclusive pela realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas, mas reconhece que as condições dos aeroportos são alarmantes e compara com a China, onde foram investidos R$300 bilhões nos aeroportos. Quanto aos idiomas, a fluência em inglês não é suficiente aos brasileiros, já que “o Brasil fala português em um continente espanhol, o que dificulta a interação e faz com que falarmos espanhol e inglês seja vital”.
Além desses requisitos, a entidade identificou os diferenciais de alguns desses polos: regulação favorável aos negócios, impostos simplificados e limitados, ser um porto seguro em uma região arriscada, focar em inovação, mercado interno ter alta taxa de crescimento, e a criação de uma zona offshore.
Sistema complexo
Com relação aos impostos, o representante da Brain não discutiu a carga fiscal, mas sim a falta de simplicidade, estabilidade e clareza da tributação nacional, em que são necessárias 2.600 horas para calcular e pagar todos os impostos, o procedimento mais demorado do mundo. Nesse sentido, defendeu a existência de um Estado mínimo, “não propomos anarquia nem um governo que faz tudo. Defendemos que o agente econômico tem que viver sua vida e sofrer as consequências”.
Além de estabelecer requisitos e diferenciais dos polos internacionais, a Brain criou sete pilares para que o Brasil se torne um deles: ambiente macroeconômico, ambiente institucional, talentos e capital humano, infraestrutura física, infraestrutura financeira, conectividade, e imagem.
Quanto a esses pilares, Oliveira mencionou os pontos a serem melhorados. O primeiro ponto apresentado foi a alta volatilidade ministerial, ou seja, a grande criação e extinção de ministérios brasileiros, que assim como o fato do mandato do presidente do Banco Central não ser fixo, são motivos de visão de instabilidade de investidores.
Além deles, um dos mais graves pontos a serem melhorados foi a instabilidade normativa: no país são criadas 370 normas por mês (78% federais), 340 a mais do que nos países concorrentes. Para a Brain, esse fato assusta os investidores porque dá margem à corrupção, e só existe por uma questão de mentalidade, de medo do legislador que quer garantir segurança criando leis. Quanto a isso, Oliveira defende uma reconstrução de mentalidade e prática, a médio e longo prazo, já que “com a nova perspectiva de um Brasil líder na América Latina, vamos ter que nos expor mais”.
Processo lento
A instabilidade normativa é um dos fatores de outro ponto a ser melhorado pelo país, e de responsabilidade do Judiciário: a demora na resolução de conflitos. Nesse momento, Oliveira apresentou um dado considerado muito otimista pelos que o assistiam, de que ações duram, em média, 365 dias para serem julgadas e 210 para serem executadas. Tais prazos só perdem para Índia e China.
Segundo a Brain, essa demora também se deve ao alto número de recursos e o excessivo detalhamento da Constituição Federal, que permite que muitos processos cheguem ao Supremo Tribunal Federal. Suas consequências são as seguintes percepções internacionais: o Judiciário é dependente de questões externas em um nível de 3.7 em uma escala de 1 a 7; as leis são respeitadas em nível 4.6 numa escala de 1 a 10; e o impacto da burocracia nos negócios é o pior do mundo, atingindo o nível 9 numa escala de 1 a 10.
Ao final da apresentação, Oliveira citou, ainda que um dos maiores problemas encontrados pelos investidores que querem se instalar no Brasil é abrir uma empresa, porque a descentralização desse procedimento é enorme, já que muitas entidades precisam se envolver. “Para montar a associação entre a Febraban, BM&F Bovespa e Ambima, e abrir a Brain demoramos quatro meses. Imagina o quanto demora para um chinês abrir uma empresa aqui. Por isso que se um investidor chileno quer comprar uma ação da Petrobrás, vai pra Nova York.”
Para o presidente do Conselho da Fecomercio, o tributarista Ives Gandra da Silva Martins, a alta produção legislativa está relacionada ao fato de que a Constituição brasileira foi preparada para um modelo parlamentarista, e acabou sendo aplicada em um modelo presidencialista. Apesar de achar que o Brasil está na frente de seus concorrentes, Martins alerta que o país precisa resolver o problema do alto custo da burocracia para aproveitar sua boa fase, e lamentou “nossa burocracia é a vaca indiana: intocável”.
Quanto aos pontos a serem melhorados para que o Brasil se torne mais atrativo, o presidente do conselho disse que vê alguns problemas na tentativa do Judiciário ser mais rápido na prestação de serviço, como o grande número de decisões monocráticas significar que “juízes concursados em um procedimento dificílimo são substituídos por assessores dos desembargadores e ministros que nem são concursados”.
Para o ex-secretário da Receita Federal e conselheiro da Fecomercio, Everardo Maciel, quanto à demora do Judiciário, a única solução é a prevenção de conflitos a partir de uma “força tarefa para se evitar burocratismo” já que quando o Judiciário é eficiente (célere), perde eficácia.
O advogado Rogério Gandra Martins participou da discussão observando que no Brasil há um preconceito com o mercado, no sentido de que ele não consegue se autorregular, mas que “não se pergunta se o Estado é capaz disso”. Quanto à demora do Poder Judiciário, comentou que sabe, por meio de fontes confiáveis, que alguns tribunais deixam os processos se acumularem para conseguir mais verba junto ao Poder Executivo.
O reitor da Universidade de São Paulo, João Grandino Rodas, trouxe a questão de que a Lei de Introdução ao Código Civil é de 1916, considerando que teria passado incólume pela alteração de 1942. Essa idade tão antiga faz com que no Brasil não exista uma base sólida para a aplicação da lei no espaço, o que causa ainda mais insegurança jurídica. Ives Gandra Martins observou que na época em que foi feita, a lei pensou um país voltado para si próprio, o que não cabe mais hoje em dia, e se prontificou a propor um estudo sobre o assunto.
O conselheiro Francisco Carneiro de Souza defendeu a ampliação do uso da arbitragem, que tem uma lei (Lei 9.307/1996) moderna e compatível com a legislação de outros países. Para ele, essa forma de resolução de conflito é pouco usada por desconhecimento dos advogados.
Em sua fala, o advogado Americo Masset Lacombe discordou dos dados apresentados pelo CEO da Brain quanto à influência externa sofrida pelo Judiciário. “Não vejo essa influência. O Poder Judiciário é absolutamente independente. Fui juiz por muito tempo e nunca sofri pressão política”, declarou.
Segundo Tallulah Kabayashi de Andrade Carvalho, diretora adjunta da OAB-SP, a insegurança jurídica do Brasil é sentida pelos diversos bancos estrangeiros que compraram precatórios. Kabayashi também lembrou que no ano passado o Tribunal de justiça de São Paulo comprou 360 carros para os desembargadores, e que esse tipo de mordomia é exclusiva do país.
Após as declarações dos conselheiros e demais presentes ao evento, Paulo Oliveira reafirmou seu objetivo de engajar pessoas e instituições, e declarou que pretende apresentar propostas para a formação de um polo internacional para o governo federal, em que identificou figuras pragmáticas como a presidente Dilma Rousseff e o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci.

Lançamento: Anuário da Justiça Rio Grande do Su

No te Salves- Benedetti- Adriana Varela

FUNDÉU RECOMIENDA


Recomendación del día:

«afuera, fuera»

Recomendación de la Fundación del Español Urgente México sobre el uso de las palabras afuera y fuera.

Afuera es un adverbio de lugar que, con verbos de movimiento explícito o implícito, significa ‘hacia el exterior del sitio en que se está o de que se habla’: «Por favor acompáñame afuera», «Juan puso las macetas afuera de la casa». Se emplea asimismo con verbos sin idea de movimiento, con el sentido de ‘en el exterior del sitio en que se está o de que se habla’: «Se oyeron muchos ruidos afuera». Por su parte, fuera es un adverbio de lugar que significa ‘a o en la parte exterior del sitio en que se está o de que se habla’. Se construye con un complemento con de, explícito o implícito, que expresa el lugar de referencia. Se usa tanto con verbos de movimiento como de estado: «Cerré rápidamente el portafolios y salí fuera del edificio», «Ella nunca estaba fuera de su casa después de las seis».
Cabe señalar que los dos adverbios pueden ir precedidos de las preposiciones de, desde, hacia, hasta, para o por: «Limpió un pedazo del cristal para poder mirar hacia afuera», «Tiró a gol desde afuera del área», «Él viene de fuera», «Cerró la sala por fuera sin hacer ruido», pero nunca de la preposición a, ya que en ese caso se emplea el adverbio simple afuera, que en su forma la tiene ya incluida: «de dentro a afuera» y «vamos a fuera» deben decirse «de dentro afuera» y «vamos afuera». En general, es rechazado el uso de afuera seguido de un complemento con de: «Saqué a dos alumnos afuera del salón», «El perro está afuera de la casa», y se recomienda evitarlo en el habla esmerada; en esos casos debe emplearse fuera: «Saqué a dos alumnos fuera del salón», «El perro está fuera de la casa», aunque este uso no es infrecuente en el habla coloquial o popular americana. En América cuando el verbo, ya sea de movimiento o de estado, no tiene complemento explícito, se prefiere en general el uso deafuera: «Afuera está lloviendo».

sábado, 26 de fevereiro de 2011

LLEGAR A VIEJO

LA TORRE DE BABEL


ESTO SE SABE DESDE LOS TIEMPOS DE LA TORRE DE BABEL



Fuente: FUNDÉU






Los hombres, cuando se comunican, cuando se entienden, pueden llegar a hacer cosas tan heroicas como construir un torreón que llegue hasta el cielo. Cuando no se entienden, en cambio, no tienen nada que hacer. Por eso, la torre nunca llegó al cielo. Porque Yahveh hizo que cada hombre hablara un idioma distinto cuando aún quedaban muchos ladrillos que poner.
Hubo un tiempo, hace miles de años (independientemente de lo que cuente la Biblia), que los idiomas empezaron a crecer por el mundo. Hubo un tiempo después, hace unas décadas, que las lenguas comenzaron a desaparecer (250 desde 1950, según la UNESCO).
Muchas palabras morían para siempre. Pero nacía otra forma de hablar. Eran los lenguajes de signos. El filósofo austriaco Neurath conocía la moraleja de la leyenda de Babel. Pensó que un lenguaje de símbolos sería comprensible para todo el mundo, independientemente de su lengua natal, y se afanó en inventar un idioma que todo lo contaba en dibujos. Lo llamó Isotype (International System of Typographic Picture Education), allá por 1934, y con el tiempo se convirtió en el impulsor de la señalítica moderna o, dicho de otro modo, la prehistoria de ese lenguaje que hace que una persona, hable el idioma que hable, sepa a qué baño tiene que entrar en un aeropuerto con solo mirar el dibujo de una señora o un caballero en la puerta.
En aquel tiempo las máquinas comenzaban a estar por todas partes. Empezaban a hacerse irremplazables y, entre ellas, los ordenadores en su estadio más primitivo. Tanto fue así que empezaron incluso a tener sus propias lenguas. En 1960 nació el primer lenguaje informático, Cobol. Llegaron después Basic, Java, SNUSP, SPL (Shakespeare Programing Language o un intento de hacer un código fuente dotado de belleza)… Y hoy, a diferencia de los lenguajes humanos, los informáticos van en aumento.
Los ordenadores no solo tienen sus lenguajes propios de programación. Están cambiando la forma de hablar, escribir y comunicarse de los humanos.
No hace tanto tiempo que los cambios en el idioma se dejaban ver, antes que en ningún otro sitio, en los medios de comunicación. La Agencia EFE y BBVA lo sabían y, por eso, en 2005, crearon una institución sin ánimo de lucro, llamada Fundéu BBVA, para «contribuir al buen uso del idioma espa¬ñol en los medios de comunicación». En cinco años la fórmula ha caducado. Donde más se ve ahora la evolución del idioma es en la Red, en las tabletas, en los dispositivos móviles…
La Fundéu lo sabe. Su director, Joaquín Muller-Thyssen, también. Un día de octubre de 2009 Muller-Thyssen y el periodista Mario Tascón se encontraron en Argentina. Estaban en el II Congreso Internacional 'El Guarani Idioma Oficial del Mercosur'. Hablaron de todo esto. Las redes sociales y los blogs iban más rápido aún que los medios de comunicación en su afán por adaptarse a los nuevos usos comunicativos de las personas. «Hablamos de hacer un manual de recomendaciones sintácticas, gramaticales, léxicas y semánticas del español en Internet y las nuevas plataformas», explica Tascón.
La conversación se convirtió en proyecto y cuando se publique, dentro de pocos meses, será el primer 'Manual de estilo del español para el mundo digital y las redes sociales'. La obra, en coherencia con su filosofía, estará en la Red. Un documento que muestra que el lenguaje ha de estar vivo también. «Queremos que sea un laboratorio de observación de usos del lenguaje. Es un manual abierto que se revisará constantemente y fomentará el debate».
Pero, además, según el consultor de proyectos en Internet, «tiene que estar en línea porque será fruto de la experiencia colectiva (aunque algunos contenidos estarán también en formato para imprimir). No va a ser una obra de uno o dos autores. Es una obra pública y participativa. Recogeremos los comentarios y recomendaciones que nos lleguen en las redes sociales y también habrá muchas piezas firmadas».
El español se entiende aquí en toda su amplitud. No es solo cosa de España. En el manual participarán lingüistas, periodistas, editores… de Argentina, México, Perú, Chile, Venezuela, Estados Unidos y otros países americanos.
Esa amplitud se extiende a otros tres aspectos. «No es un manual solo para escribir mejor. Es para comunicarse mejor», aclara Tascón. «No trata solo el lenguaje. Habla sobre la utilización de los iconos», añade. Y para el énfasis se guarda esta frase: «No es un manual normativo. Es de recomendaciones».
Por eso, ni aprueba ni desaprueba. Recogerá lo que está pasando en las conversaciones de la Red. ¿Por ejemplo? Los emoticonos (secuencia de caracteres que expresa una emoción), emojis (dibujos japoneses utilizados en las conversaciones online) y signos de todo tipo que matizan y enriquecen las frases de los mails, los SMS y los social media. «El lenguaje de las redes sociales tiene mucho de oral. Por este motivo se utilizan tanto los emoticonos. En la comunicación oral es muy fácil ver los sentimientos, los juegos y las ironías que van con las palabras. En la comunicación escrita es más difícil. Los emoticonos añaden esa parte del mensaje que el lenguaje escrito no refleja», explica Tascón.
El manual no juzga el periodista, en cambio, hace una valora¬ción. «Los ordenadores nos permiten comunicamos mejor que utilizando solo letras. Si tenemos más recursos, ¿por qué tenemos que ceñimos a las posibilidades de una máquina de escribir?».
El periodista no solo acepta, y celebra, los nuevos usos del lenguaje cuando una computadora se mete por medio. Tascón habla de forma inusual sobre el uso que hacen del español los quinceañeros. «La escritura de los adolescentes es muy interesante. No utilizan puntos como acto de rebeldía. Nosotros lo hacíamos de otra manera. Ellos, ahora, lo hacen también mediante la escritura. Utilizan códigos propios que no entienden sus padres. Por ejemplo, emplean las siglas PM para decir: 'Padres mirando', Usan la k en vez de la q porque es más agresiva. La clave es distinguir entre lo que es una licencia y lo que supone un uso incorrecto de la lengua. La línea divisoria se sitúa entre lo que es comprensible y lo que no. Lo importante, en definitiva, es comunicarse».
Con signos, sin signos, con k, con q ... El lenguaje está a las puertas de una época emocionante. Para Tascón esto es una «explosión de escritura pública y eso está haciendo que cada vez nos esforcemos más por escribir bien». Puede incluso que, si todos nos entendemos, la torre llegue al fin al cielo.

Por Mar Abad
Publicado 23/02/2011
Yorokobu (N.º 15). España
Febrero 2011

BRASIL


Los atenienses americanos
JULIO MARÍA SANGUINETTI 26/02/2011
Fuente: El País - España.-

José Bonifacio de Andrade e Silva (1763-1838), el gran patriarca de la independencia de Brasil, naturalista y escritor, de aristocrática familia portuguesa, pero nacido en Santos, escribió en su tiempo:

"Los brasileños son entusiastas del bello ideal, amigos de su libertad, pero que mal sufren perder cualquier regalía que alguna vez adquirieron. Obedientes a lo justo, enemigos de lo arbitrario, soportan mejor el robo que el vilipendio. Ignorantes por falta de instrucción, pero llenos de talento por naturaleza; de imaginación brillante y por ello amigos de las novedades que prometen perfección y ennoblecimiento; generosos, pero con jactancia; capaces de grandes acciones, pero siempre que no se exija atención exigente y que no requieran trabajo asiduo y monótono; apasionados del sexo por clima, vida y educación. Emprenden mucho, acaban poco. Serían los atenienses de América si no fueran comprimidos y tiranizados por el despotismo”

Los brasileños viven hoy un momento de euforia tras cinco Gobiernos estables

Liberados hace tiempo de todo despotismo, los brasileños contemporáneos viven hoy un tiempo eufórico, con el también eufórico Lula como símbolo mundial, que idolatra la izquierda por su origen obrero y respeta la derecha por sus políticas económicas ortodoxas. La economía crece, la desocupación baja y el país se prepara a organizar, en 2014, un campeonato mundial de fútbol y dos años después unos Juegos Olímpicos.
¿Son ya los atenienses de que hablaba el "padre de la patria"? Que aman los bellos ideales y su obediencia nunca pasa de lo justo, es verdad; que soportan mucho más el robo que el vilipendio, es comprobable; que las mulatas pueblan todos los sueños de los varones y que ellas gustan de lucir sus encantos, basta ir a una playa; que tienen vocación de grandeza, se percibe hasta en el modo de hablar y adjetivar, aunque también son menos constantes que imaginativos y mucho más ingeniosos que perseverantes.
Hoy disfrutan de la confortable continuidad de cuatro Gobiernos estables y un quinto que comienza con saludables perspectivas.
La prosperidad de hoy indudablemente está provocada por los valores superlativos de las materias primas y los alimentos, con la soja como vanguardia, pero también es cierto que si el orden financiero de Fernando Henrique Cardoso no hubiera sido continuado por Lula, hoy no estaría recibiendo el aluvión de inversión extranjera que alimenta su ritmo económico.
A partir de esta realidad, se alternan logros y desafíos. El Banco Central de Brasil anunció que sus reservas superan los 300.000 millones de dólares; reconoce que la inflación está superando la meta propuesta (4,6%) y anda rondando por un ya peligroso 6%.
Se comprueba una baja consistente de la pobreza, pero el nivel de su educación, según los informes PISA, sigue por debajo de vecinos pequeños como Uruguay y Chile... Ha descubierto fabulosas reservas petrolíferas, pero en estos mismos días lucha con los apagones eléctricos. Se dio uno general en el noroeste en febrero, que se replicó enseguida en San Pablo, la deslumbrante megalópolis. Y todo indica que, junto al crecimiento acelerado, seguirá padeciendo esa expresión de subdesarrollo.
¿Qué le pasa? Que ha invertido muy poco en energía y en general en infraestructura: solamente el 2,18 % del PIB. Por eso mismo, sus aeropuertos están totalmente rebasados y un país que es el tercer exportador de aviones del mundo padece de un sistema aeronáutico considerado de los peores. Debe rápidamente revertir esta situación. Por eso mismo, la presidenta Dilma (así se le nombra hasta en los diarios), que muchos temían que actuara con un sesgo ideológico más a la izquierda que su promotor y predecesor, comenzó su mandato anunciando precisamente la privatización de los aeropuertos y de la empresa reguladora del sistema.
La criminalidad en Río ha bajado, pero hubo que empeñar al Ejército en esa lucha, una verdadera guerra contra las mafias de la droga, soberanas hasta ahora en el territorio de las favelas que albergan a los pobres de las grandes ciudades. La población ya roza los 200 millones y vive en un 75% en ciudades, que alcanzan niveles modelos de urbanización como Curitiba o que sufren catástrofes como la que en enero pasado se cobró más de 800 vidas, bajo el agua y el barro, en Nova Friburgo, Teresópolis y Petrópolis, pintorescas ciudades serranas del Estado de Río de Janeiro, cargadas de historia y de encanto, pero víctimas de la imprevisión.
La nueva presidenta no es una política avezada. Es una técnica del Estado. Disfruta, sin embargo, de una mayoría que no tuvo Lula. Es ahijada de Lula, pero no es Lula para lidiar con socios y fantasiosos. Su lema es la lucha contra la pobreza, que hoy afecta a unos 40 millones de brasileños, nueve de los cuales en situación extrema. Para ello tendrá que abrir aún más la economía, todavía sesgada por un viejo reflejo proteccionista, para recoger capitales, potenciar el crecimiento y poder redistribuir desde un Estado hipotecado por obligaciones tan fabulosas como las de su sistema de jubilaciones públicas.
"Continuar no es repetir", ha dicho el canciller Antonio Patriota, exembajador en EE UU. Eso se espera: la continuidad de una línea básica que lleva ya cuatro Gobiernos de dos partidos distintos, pero con algunos toques de cambio; por ejemplo, que no se repitan aventuras como los abrazos de Lula con Ahmadineyad.

Julio María Sanguinetti, expresidente de Uruguay, es abogado y periodista.

FUNDÉU RECOMIENDA


Recomendación del día:

«cita» y «sita»

La Fundación del Español Urgente México (Fundéu México) explica el uso y significado de las palabras cita y sita.

La palabra cita con –c es un sustantivo que viene del verbo citar y que significa «el día, fecha y lugar señalados para tener un encuentro entre dos o más personas»,
por ejemplo: «La cita es mañana a las 3 en el auditorio de la facultad».
También se entiende por cita «una reunión previamente acordada de dos o más personas» como en el ejemplo siguiente: «Estaban muy nerviosos porque era su primeracita».
Y, por supuesto, cita «es una nota dentro de un texto que nos sirve para amparar lo que decimos». Cuando se habla de una cita textual, se hace referencia a que se reproducen
exactamente las palabras de otra persona y debe escribirse entrecomillada; si se hace en un discurso oral debemos indicar en qué momento inicia la cita y cuándo termina.
Por otra parte, sita con –s es un adjetivo que viene del latín situs, que a su vez procede de sinére que significa dejar. Sito o sita quiere decir «situado o fundado».
Se usa en oraciones como la siguiente: «El problema fue en los edificios sitos en Avenida Universidad 500», o bien «la boda será en la iglesia sita en Avenida 2 número 109».
Como vemos debe haber concordancia de género y número igual que en cualquier adjetivo.
Por lo tanto, la Fundéu México recomienda usar sita o sito, exclusivamente para hablar sobre la localización de un lugar determinado.
Podemos usar ambas palabras en una oración como: «La cita es a las 8 en el edificio de la Fundéu México sito en Montes Urales 424».

LA RECOMENDACIÓN DIARIA

  LA RECOMENDACIÓN DIARIA resistencia a los antimicrobianos , mejor que  resistencia antimicrobiana   Resistencia a los antimicrobianos , no...