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domingo, 30 de agosto de 2009

RSE e CO2


Relatório CDP: "O abismo do Carbono"

CDP = Carbon Disclosure Project – Projeto de Divulgação de Carbono

As maiores empresas do mundo necessitam duplicar o ritmo das reduções das emissões de CO2 para evitar as graves conseqüências do cambio climático. A maioria das empresas tem fixado seus objetivos de redução só até 2012, o que indica uma necessidade de liderança por parte dos governos.

Em quanto aos atuais objetivos de redução, as maiores empresas do mundo estão na senda de alcançar o nível cientificamente recomendado de emissões para 2089: 39 anos (desde 2050) é demasiado tarde, si se deseja evitar as nefastas conseqüências do cambio climático, segundo revela o informe de investigação ‘The Carbon Chasm– O abismo do carbono – que hoje sacou a luz Carbon Disclosure Project (CDP)

Este informe mostra que as empresas do Global 100 está atualmente atingindo uma redução de tão só 1.9% de CO2 por ano, o qual se encontra por baixo do 3.9% necessário para recortar as emissões nas economias desenvolvidas num 80% para 2050. Segundo o Painel Intergovernamental pelo Cambio Climático (IPCC), as economias desenvolvidas devem reduzir as emissões entre uns 80 – 95 % para o ano 2050, com o objeto de evitar os perigos do cambio climático.

O informe de investigação ‘The Carbon Chasm’ ( O abismo do carbono) que tem levado a cabo Carbon Disclosure Project, e apoiado por BT, se baseia em informação de dados do CDP de 2008, e analisa como as 100 maiores empresas do mundo estabelecem atualmente os objetivos de redução das emissões de CO2 e de que maneira estas são suficientes ou não para combater a longo prazo o cambio climático.

Dos objetivos de redução estabelecidos com fecha limite, a maioria (84%) os há fixado para o ano 2012 inclusive, o que coincide com o último ano do Protocolo de Kyoto (*) e sugere que as empresas esperam escutar as conclusões da Conferência das Nações Unidas sobre o Cambio Climático em Copenhague este dezembro (COP-15), antes de estabelecer novas metas de redução a mais longo prazo.

(*) Nota do Tradutor: É importante destacar que as metas do Protocolo de Kyoto não foram cumpridas.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009


Os aprendizados da crise mundial para América latina

27-08-2009 /

Convidado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo dissertei no dia 18 deste mês sobre o impacto da atual crise econômica sobre nossos países. Concluí minha exposição com a seguinte pergunta:

que aprendizados nos deixam os acontecimentos atuais a nossos países de América Latina?
Nesta nota comparto minha resposta com os leitores de Buenos Aires Econômico.

Falei que, em resumo, nada novo. Concluir que, para defender-se das turbulências externas é preciso ter a casa em ordem, é dizer, operar com sólidos equilíbrios macroeconômicos nas finanças públicas e os pagos internacionais. Concluir, também, que o desenvolvimento econômico segue sendo o que sempre foi, é dizer, a construção de cada sociedade, em seu espaço nacional, das sinergias essenciais para desdobrar seu potencial de recursos, gerando e assimilando o conhecimento disponível. Vale dizer que os acontecimentos atuais voltam a demonstrar o papel fundamental da densidade nacional dos países para viver com o deles, abertos ao mundo, no comando de seu próprio destino. Assim como Keynes volta ao Norte, aqui, no Sul latino-americano volta Raúl Prebisch, Celso Furtado e os outros fundadores do estruturalismo vernáculo como referencia essencial para enfrentar, com sucesso, os desafios que expor a emergência duma nova ordem mundial a partir da resolução da extraordinária crise, iniciada a fins da primeira década do século XXI.
O desenvolvimento da América latina e do resto do mundo sub-industrializado seguirá dependendo essencialmente da qualidade das políticas nacionais e de estratégias de inserção internacional compatível com o desdobramento de sua capacidade de administrar o conhecimento. O contexto internacional será provavelmente fundado em princípios menos dogmáticos vinculados com os interesses dos centros de poder internacional, porém os países seguirão crescendo de dentro para fora e não ao invés e, em primeiro lugar, como resultado da qualidade de suas respostas aos desafios e oportunidades da globalização. A densidade nacional dos países vale dizer, sua coesão social, lideranças nacionalistas, estabilidade institucional e pensamento crítico, seguirão sendo as condições básicas para desdobrar políticas válidas na ordem global que emergirá depois da crise.
O surgimento do espaço Ásia-Pacífico, como um novo centro dinâmico do desenvolvimento da economia mundial, está transformando a ordem mundial em três questões principais, que são de especial importância para a Argentina e toda América latina, a saber:

· 1º) a valorização dos recursos naturais e o conseqüente aumento dos preços dos alimentos e matérias primas;

· 2º) o surgimento dum novo pólo financeiro constituído pelos grandes excedentes nos pagos internacionais das principais economias asiáticas;

· 3º) a incorporação de corporações transnacionais asiáticas às inversões internacionais e a formação de cadeias de valor a escala global.

O dilema que deve resolver América latina é se o impulso que atualmente volta a vir de fora, pela valorização dos recursos naturais, vai quedar limitado, como no passado, nos limites da produção primaria, a semi-industrialização e sociedades socialmente fragmentadas. Ou se, pelo contrário, constituem uma plataforma para o desenvolvimento integrado e a formação de economias industriais avançadas.
É cada vez maior a influência da tradição histórica e cultural no desenvolvimento dos países e seu inserção na ordem global. A comparação da experiência dos países asiáticos com a dos nossos dá lugar a reflexões sugestivas. Ambos os espaços foram objetos passivos da globalização, iniciada com o descobrimento do Novo Mundo e a chegada dos navegantes portugueses à Índia, na última década do século XV. Mas a presença européia teve conseqüências radicalmente distintas em uma e outra parte. No Oriente estabeleceram posições de dominação, mas não desarticularam as civilizações pré-existentes. É dizer, a presença européia conviveu com as culturas originárias.
Os “valores asiáticos”, fundados em culturas milenárias são distintos da experiência racionalista e cientificista das nações avançadas de Ocidente. O fato mais importante das transformações de fundo que têm lugar na atualidade radica em que esses “valores” demonstram ser compatíveis com o desenvolvimento científico e tecnológico e, por tanto, com o desenvolvimento econômico. Max Weber associa a ética protestante ao desenvolvimento do capitalismo. Resulta agora que a ética de Confúcio e Lao Tse e as organizações sociais que lhes deram origem, no marco de novas e originais formas do capitalismo e do desenvolvimento nacional, são compatíveis com a gestão do conhecimento, a industrialização e a transformação da estrutura produtiva e inserção internacional. No Oriente, a tradição é um fator de coerência étnica e social e de reserva de valores culturais ancestrais que, agora resultam aportes fundamentais à densidade nacional nos respectivos espaços territoriais, dentro dos quais se desdobram os recursos e o talento de cada sociedade.
Na América latina, as organizações dos povos originários do Novo Mundo se derrubaram ante a presença dos conquistadores. Um século depois do desembarque de Colombo, sobrevivia só cerca dos 10% da população preexistente que alcançava dum extremo ao outro da América, a uns 60 milhões de pessoas. Sobre a população nativa sobrevivente e submetida, os europeus implantaram sua própria presença e, a seguir, outro fato extraordinário: a escravidão de mais de 10 milhões de africanos destinados à produção das minas e as plantações tropicais. Na maior parte do Novo Mundo, os europeus fundaram novas civilizações baseadas na fragmentação social. Na América do Norte, a história foi diferente. Sobre as treze colônias britânicas originais, emergiu um filho, os Estados Unidos, que alcançaria a posição dominante no sistema global. A mesma origem tem o outro país desenvolvido do continente: Canadá.
Na América latina, a tradição inclui a fragmentação social, o submeti mento originado na conquista e a escravidão, a concentração e internacionalização do domínio dos recursos e o pensamento alienado associado aos interesses dos centros de poder transnacional. É dizer, condições inadequadas com a gestão do conhecimento e o desenvolvimento econômico. Assim se explica que, depois de dois séculos desde a independência, não temos logrado alcançar um nível de desenvolvimento e bem estar à altura dos recursos disponíveis. O desafio de nossos países é assim mais complexo que em outras partes, porém, neles, devemos, simultaneamente, enfrentar os desafios do futuro e remover os obstáculos históricos á construção da densidade nacional.
Desde América latina, devemos insistir com propostas para estabelecer uma ordem global mais equitativo, mas temos que concentrar-nos em resolver nossos próprios problemas. Dispomos de uma reduzida possibilidade de cambiar o mundo, mas contamos com uma capacidade decisiva para estar no mundo ao comando de nosso próprio destino.

Aldo Ferrer
Diretor Editorial de Buenos Aires Econômico

RSE -


Diagnostico

Isto mesmo é o que toda organização deve realizar quando decide trabalhar num Programa de Responsabilidade Social Empresarial:

* primeiro, um estudo da situação.

O que acontece é que em muitas ocasiões, aquele diretivo que tem a seu cargo propor uma estratégia de RSE, deve conhecer primeiro ao que se vai enfrentar. Para isso pode buscar em Google, consultar algum livro ou iniciar algum programa de capacitação que o acerca ao tema em questão.

Porém o que sempre estará latente será essa sensação de que “há algo do que já fazemos que possa ser considerado RSE”. Então, nesta instância quando cabe realizar o diagnóstico.

Propor a estratégia de RSE desde uma posição mais consolidada e com informação sólida, não só nos poupará um tempo muito valioso senão que permitirá concentrar-se ativamente naqueles pontos da gestão que necessitarão incorporar aspectos socialmente responsáveis em suas práticas cotidianas.

* Como fazer o diagnóstico de RSE?

Una opção é através de indicadores que nos permitam avaliar pontos sensíveis e a partir daí saberemos o que melhorar e o que manter.

Outra opção é realizar um diagrama de temas chave com aspectos como diálogo, direitos humanos, conciliação laboral, consumo responsável, etc. e ir avaliando através das distintas áreas da organização estes issues.

Também se pode aproveitar para incluir algum breve questionário para conhecer as áreas de maior interesse dos colaboradores ou o nível de aceitação pessoal sobre certas práticas responsáveis que logo podem volver-se de uso comum no dia a dia.

Em definitiva, o Diagnóstico de RSE é uma ferramenta essencial para poder propor-se um cambio efetivo e de impacto na gestão organizacional. Porém será o que de certa maneira nos terminará de definir o Norte a que devemos dirigir-nos para evitar navegar nas águas da confusão.

CAMBIO CLIMATICO


6 Medidas de KPMG para enfrentar o Cambio Climático

Publicado em CONFEBID09, Sustentabilidade

Dentro do marco da discussão do eixo das Primeiras Sessões Paralelas da VII Conferencia Interamericana sobre RSE (CONFEBID09), acerca de “Uma resposta responsável ao Cambio Climático”, queremos aportar estes conselhos que elaborou a consultora KPMG no passado mês de julho ao realizar seu Sustainability Insight.

Nesse documento, se propõem os desafios que se acredita que o mundo dos negócios deve afrontar de cara a Conferência de Copenhague sobre Cambio Climático (COP 15).

Estes desafios, claro estão para abordar entre todos, porém constituem desafios para a empresa em tanto é um ator social a mais.

* Acordo sobre uma base científica de estabilização de gases de efeito estufa com o objetivo de reduzir as emissões para 2020 e 2050

* Medição eficaz, elaboração de relatórios e verificação de emissões

* Incentivos para um aumento substancial no financiamento de tecnologias de baixas emissões

* Desdobrar as tecnologias de baixa emissão existentes e desenvolver outras novas

* Fundos para fazer às comunidades mais resistentes e capazes de se adaptar aos efeitos do cambio climático

* Meios inovadores para proteger os bosques e o equilíbrio no ciclo do carbono

quinta-feira, 27 de agosto de 2009


Cambiar os Hábitos

Tu és o que teu mais profundo e vigoroso desejo é. Como é teu desejo, é tua vontade. Como é tua vontade, são teus atos, como são teus atos, é teu destino.

Brihadaranyaka Upanishad .

Alguns pontos que aprendi a respeito de cambiar os hábitos.

É importante mantermos motivados e direcionados para esse cambio que queremos lograr.

Cambiar os hábitos não é fácil, há muito em jogo detrás disso. Pelo que é importante que favoreçamos o cambio desde distintos espaços, aqui te proponho alguns:

Desde a reflexão: cambiando nossos modelos mentais, lendo mais,

escutando conferencias, etc.- sobre o tema que nos interessa cambiar.

Ler sobre o tema nos permite descobrir um mundo novo.

Ver o que hoje permanecem ocultos aos nossos olhos.

Desde o planejamento: Ter um plano de cambio adaptado a nós.

A receita do outro está muito boa para o outro, mas não sempre é o melhor para mim, ou não me sinto tão à vontade com isso.

Então busco e crio um plano adaptado a mim, há meus tempos, possibilidades, necessidades, etc. Um plano que tenha em conta também em que não me foi bem em intentos anteriores para poder superar essas dificuldades.

Desde a decisão: Não baixar os braços. Como diz um mestre meu, “Ser inflexível com as metas e flexível com os métodos” disso se trata. De fazer os câmbios que necessite fazer para viabilizar meu plano. Um plano que me permita lograr minha troca de hábitos.

Desde o acompanhamento sustido: quando quero modificar algo, escrevo.

Este é um dos pontos mais importantes: cada noite dedica uns minutos a escrever sobre isso. Se estiver trabalhando para lograr minha liberdade financeira, reviso cada dia o que fiz, os gastos que tive o que poderia haver feito diferente, então daí saco novos aprendizados para os dias por vir. Cada semana levo um balanço que me permita medir e visualizar meus avanços.

Se o que estou trabalhando é uma troca de hábitos sobre outros temas, me tomo esses mesmos minutos e num caderno escrevo sobre esse dia Como foi em meu cambio? Que progresso fiz? Como me senti e me sinto? Que fiz e houvesse escolhido não fazer? De que modo o posso prever a próxima vez?

É infinitamente importante este espaço, ele nos mantém na senda, nos faz conscientes de nossos logros e crescimentos e nos permite refletir sobre os tropeços e evitar-los no futuro.

Desde suster-nos motivados: permite-nos transitar o cambio com alegria. Que queres lograr com este cambio? A que te permitirá aceder este cambio? É necessário que busques tua própria forma de motivar-te que te ajude a suster o caminho para o logro desse cambio mais além das circunstancias e as caídas temporais.

Desde manter a direção e o enfoque: no possível é importante manter o objetivo presente, já seja pondo placas em lugar visível, uma foto de alguém que nos serve como modelo ou qualquer outra forma de manter-te centrado no logro. O importante é lembrar o que quero lograr.

O caminho é a meta…

A FELICIDADE NÃO É UM LUGAR À QUE SE CHEGA, SENÃO UMA MANEIRA DE VIAJAR.

M. RUNBECK

"Que o caminho te saia ao encontro. Que o vento te sopre sempre de costas

Que o sol cálido brilhe sobre teu rosto, Que a chuva descenda mansa sobre teus campos, e até que voltemos a encontrar-nos

Que Deus te sustenha suavemente na palma de sua mão”

Antiga benção celta.

Cristina Perrucci.

Cocrear Argentina. Agosto 2009.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009


RES

NON VERBA

É possível ser uma empresa responsável?

Publicado 25-08-09, por Ana Medina (Espanha)

A RSC se vislumbra como um desafio para as organizações do século XXI e como resposta ao novo modelo de companhia que demanda a sociedade, no que a inovação e o diálogo se transformam em eixos centrais da estratégia.

A entrada em Google da expressão responsabilidade social corporativa (RSC) retorna 6,45 milhões de resultados neste buscador de Internet. Não fica atrás, responsabilidade social empresarial (RSE), com 6,01 milhões de páginas na web; sustentabilidade, com 3,2 milhões; e desenvolvimento sustentável, com 4,38 milhões de entradas. Independentemente da terminologia, estes dados mostram a importância que há cobrado a RSC, adquirindo também carta de natureza na indústria.

As empresas ao ter posto mãos à obra para integrar a RSC em suas estratégias, sem perder de vista seu principal objetivo: assegurar a rentabilidade do negócio e retribuir aos acionistas. Com a transparência e o bom governo como uma de suas bandeiras, hão elaborado programas de igualdade, conciliação e diversidade para empregados, programas ambientais e sociais para melhorar e desenvolver no âmbito em que realizam sua atividade. Neles, tratam de envolver aos fornecedores, clientes, acionistas e investidores, buscando uma vantagem competitiva.

Oportunidades

«As empresas que decidem adotar algumas medidas de responsabilidade corporativa o fazem por dois motivos: evitar riscos ou aproveitar oportunidades. “Isto as faz ser reativas no primeiro caso e proativas no segundo»,

afirma Joaquin Garralda em seu livro “Rumo à Empresa Razoável”, onde o vice-decano de Ordenação Acadêmica de IE Business School fala dos parâmetros que conformam o modelo do comportamento empresarial sustentável e responsável.

As empresas que adotam medidas o fazem para evitar riscos ou aproveitar oportunidades

O grande desafio é que as PYMES, que conformam 95% do tecido industrial espanhol, integrem a sustentabilidade em sua estratégia. Muitas delas são fornecedoras de grandes corporações, que exigem cada vez mais a seus fornecedores que atuem com boas práticas.

Com este objetivo, se aõ desenvolvido pautas e guias para que implantem políticas responsáveis em sua atividade, recolhendo recomendações sobre seu comportamento com o que se há denominado os stakeholders ou grupos de interesse (empregados, clientes, acionistas, sociedade, administrações, reguladores, fornecedores e concorrentes), tanto nas áreas social e ambiental, como de boa governança.

As sugestões da maioria dos expertos para implantar uma estratégia responsável começam por realizar uma analise e diagnóstico da situação da organização em matéria de sustentabilidade e definir um plano estratégico para integrar-la na empresa, algo que pode ajudar, ouvir a experiência de outras companhias, através da assistência a foros e palestras ou a presença nas organizações empresariais surgidas para impulsionar a RSC.

«A empresa tem deixado de estar configurada sobre o simples triangulo de atores principais: acionistas, clientes e empregados, para passar a estar penetrada por múltiplos protagonistas que geram e exigem relações preferentes»,

afirma Ramón Jáuregui, o euro-deputado socialista e um dos principais impulsores da RSC em Espanha.

E que um dos primeiros passos é identificar aos grupos de interesse, esses coletivos com os que cada companhia se relaciona em sua atividade diária. Conhecer suas expectativas através do diálogo e reuniões periódicas ajuda aos distintos departamentos a estabelecer objetivos de melhoria e projetos que permitam responder a suas necessidades.

O responsável

As grandes empresas têm criado a figura do diretor de Responsabilidade Social Corporativa ou de Desenvolvimento Sustentável. Outras, inclusive, têm constituído uma comissão específica, dependente do Conselho de Administração, que vela por seu desenvolvimento dentro da organização. Sem olvidar que a RSC é um conceito transversal, é dizer, afeta a todos os âmbitos de gestão, pelo que têm que estar presente em todos os departamentos e contar com o compromisso da alta direção. Daí que cada área de negocio proponha seus próprios objetivos de sustentabilidade e de melhoria em relação com os respectivos grupos de interesse.

Segundo os expertos, o primeiro passo é realizar uma análise da situação e definir um plano

Um exercício que pode ajudar a elaborar um informe de RSC ou de sustentabilidade. Sua preparação melhora a transparência informativa e permite recopilar dados, render contas e marcar objetivos, assim como fortalecer a colaboração interdepartamental e por em valor as atuações

responsáveis. Segundo um estudo de KPMG, o número de memórias de RSC se tem duplicado desde 2005, além do que ainda um terço das empresas espanholas segue sem publicar-las, sobre todo PYMES.

Neste sentido, hão surgido iniciativas como a do ICO e Caixa Navarra, que aõ firmado um acordo para elaborar os informes de mais 1.500 pymes seguindo a metodologia de GRI, um dos principais padrões para elaborar estes documentos. Para o diretor da Caixa Navarra, Enrique Goñi, «a RSC deve entender-se como uma vantagem competitiva e não assumir-la pode significar um motivo de exclusão do mercado».

Dicas para integrar a RSC no negócio

Presença em organizações e foros

Através da assistência a foros, debates, palestras e cursos, assim como a presença em organizações empresariais que impulsionam a responsabilidade social, as companhias têm a oportunidade de participar, escutar opiniões e recolher as experiências de outras empresas para adaptar-las a seu negócio.

Diálogo com os grupos de interesse

É importante identificar aos grupos de interesse, aqueles com os que a empresa se relaciona e aos que afeta sua atividade, tanto internos (trabalhadores, acionistas), como externos (investidores, clientes, fornecedores, administrações, reguladores ou concorrente). O dialogo permite conhecer suas expectativas e responder a suas necessidades.

Memória de sustentabilidade

A elaboração dum informe de RSC ou de sustentabilidade permite às companhias a medição, prestação de contas e comunicação dos seus objetivos aos grupos de interesse internos e externos, ao tempo que fortalece o compromisso corporativo através da colaboração entre departamentos e permite por em valor suas atuações.

Aplicar a transversalidade

A RSC deve ser transversal a toda a companhia, incluindo-se no quadro de mando e vinculando a todas as áreas de negocio. As grandes empresas têm criado a figura do diretor de RSC ou de desenvolvimento sustentável e os expertos aconselham, além disso, criar uma comissão específica, dependente do conselho de administração.

Elaborar um código ético e de conduta

Os códigos éticos e de conduta se hão transformado numa ferramenta que regula as relações internas e externas das companhias. Estes documentos corporativos servem de guia a todos os profissionais para saber como

comportar-se em aspectos como contratos, corrupção, seguridade, acosso laboral, conflitos de interesse ou presentes.

Propor objetivos por departamentos

A companhia deve realizar uma analise da situação em RSC e definir um plano de ação. Cada área de negocio deve avaliar como aplicar a sustentabilidade a seu departamento, com objetivos de melhoria em aspectos como diversidade, igualdade, bom governo, transparência, controle de fornecedores, satisfação de clientes e meio ambiente, entre outros.

ENTREVISTA A BERNARDO KLIKSBERG




RSE Valores Humanos e de Igualdade Social

Entrevista a:

Bernardo Kliksberg sobre Responsabilidade Social Empresarial:

"aquele que ajuda aos outros ajuda a si mesmo"

Não fala só de números senão de valores humanos e de igualdade social. É um economista diferente. Diz que "na América Latina a RSE está mal" e que "a ética empresarial não se atinge com imposição senão com educação".

Ao longo de 30 anos, Bernardo Kliksberg ganhou reconhecimento internacional por seus trabalhos sobre pobreza, especialmente na América Latina, se consolidou como um pioneiro da ética para o desenvolvimento, o capital social e a responsabilidade social empresarial (RSE), não conformado com isso criou uma nova disciplina: “a gerencia social”.

Bernardo Kliksberg, pioneiro da ética para o desenvolvimento, o capital social e a responsabilidade social empresarial. Filho de emigrantes judeus poloneses humildes, este Doutor em Economia e Ciências Administrativas, Contador Público e Licenciado em Sociologia e em Administração, todos os títulos da Universidade Nacional de Buenos Aires (UBA), leva escritos 47 livros, o último, Primeiro as pessoas, em co-autoria com o premio Nobel de Economia, Amartya Sen. Atualmente reside em Nova York e é assessor de organismos e agencias internacionais como a ONU, o BID, UNICEF, a UNESCO, a OEA e a OPS.

Dias atrás visitou Buenos Aires convidado pela Câmara Espanhola de Comercio da República Argentina (CECRA) para falar da importância da RSE nas PYMES. Entrevistado por Visão Sustentável, Kliksberg foi categórico ao afirmar que a RSE em Latino América está mal e que estamos 30 anos atrasados com respeito aos países nórdicos onde já está instalada e funciona como um indicador de modernidade e progresso.
“O tema da RSE não é um tema mais, senão que é parte fundamental da solução aos problemas que estamos vivendo. Bill Gates diz que há milhões de pessoas que têm suas necessidades básicas insatisfeitas porque não possuem a maneira de explicar-las de forma tal que interessem ao mercado, com o qual, quedam insatisfeitas. Por isso, ele diz que a única maneira de solucionar isto é inovando o sistema. Na Argentina há uma resistência feroz a inovar. Por isso falo que se pode ser parte do problema ou parte da solução. Se vamos pelo caminho de Gates estamos construindo a solução, se vamos pelo caminho da irresponsabilidade empresarial bastante transitado na América Latina, estamos contribuindo a agravar a situação".
- Sua idéia do consenso social mais distribuição da riqueza é sólida sem embargo, tendo em conta a natureza do ser humano, não é impraticável?

Necessita-se que exista uma grande discussão sobre a ética e a economia, pensando no mediano e longo prazo. Nas sociedades que as há havido - Finlândia, Noruega, Holanda, Suécia e Canadá – onde as pessoas têm discutido a eticidade das políticas públicas, porém não em abstrato. Eles discutiram a responsabilidade ética dos atores sociais, dos funcionários, mas também dos empresários privados, a responsabilidade social das empresas e dos meios massivos de comunicação; isto foi o que lhes permitiu desenvolver-se, crescer. A ética deve regular a economia e fazer-lhe lembrar que a meta última é que as pessoas devem viver com mais liberdade, e que não pode fazer-lo se não tem saúde, água e luz. Se a ética começa a comandar a economia, o assunto da igualdade surge como tema central.
Na Noruega a distancia entre o mais rico e o mais pobre é de 6 a 1. Está muito mal visto serem muito rico, os empresários quando discutem os salários, não o fazem por paritárias obrigatórias; há uma cultura em quanto a que a distancia não pode ser maior. Acredita-se no igualitarismo. Na América Latina há que percorrer um longo caminho para criar uma cultura pro igualdade.
- A grande maioria das empresas começou a desenvolver e programar seus programas de RE a partir da crise de 2001. Por que acredita que não se fez antes dado que as casas matrizes das transnacionais faziam tempo que os vinham desenvolvendo?
- Acredito que incidiu a cultura economicista. A cultura orienta as ações dos indivíduos, da sociedade, e é implícita e subterrânea, então quando se cultiva sistematicamente a idéia de que todo vale como se fez na década de ‘90, cada um deve perceber seu máximo egoísmo individual e não há valores que controlem isso; há atrasos éticos em muitos terrenos, e um deles foi à área da RSE. O empresário exitoso não era o socialmente responsável, senão aquele que no menor tempo acumulava a maior quantidade de lucro sem importar os métodos ou os meios dos que se valera. Então se a cultura premia à responsabilidade outros serão os estímulos, os incentivos.
Hoje estamos ante uma demanda social explosiva porque melhoraram os níveis éticos de nossa sociedade. Quando as pessoas pedem ética aos políticos para que exerçam sua função com a máxima efetividade e pulcritude também lhes está pedindo ética aos empresários. E esse código de ética o devem respeitar tanto em seu país de origem como no resto. Não pode ser que em outros países façam o que fazem em quanto à contaminação do meio ambiente, desequilíbrios ecológicos, etc., e que no próprio realizem seus atos responsavelmente porque se não a opinião pública lhes cai encima.

- Como estamos na atualidade na América Latina e especificamente na Argentina? que caminho devemos transitar?
- Estamos mal. Todas as pesquisas que manejamos indicam que estamos bastante mal – pensa Quanto dão os empresários argentinos em porcentagem das vendas que realizam se o comparamos com os países desenvolvidos?... Não damos os dados para não deprimir-nos. Agora, por suposto que há exceções, sem embargo são os menos. A maior parte dos empresários está no que eu chamo a etapa narcisista, que só vê seu umbigo. Na América Latina estamos 30 anos atrasados dado que muitos ainda pensam como o fazia Milton Friedman e já há que superar-lo. A RSE ganhou a batalha das idéias.

- Qual é o caminho a seguir?
- Acredito que o caminho central é o de favorecer a democratização. Incluso já se estão vendo câmbios favoráveis. Têm-se dado câmbios geopolíticos e se está buscando um projeto muito mais inclusivo, e o positivo é que este cambio não é gestado por um líder determinado senão pela mesma gente. Quanto mais se promova a participação cidadã maior vai ser a exigência em políticas públicas e em responsabilidade empresarial. América Latina vai neste caminho e isso é o que nos permite ver de maneira esperança-dora o futuro. Sem embargo, há que reconhecer que em matéria de RSE estamos atrasados e se o empresariado não percorre o mesmo caminho que a gente, será a mesma gente a que os vai a pressionar de maneira cada vez mais dura.

-Que significa a ética empresarial que expõe em seu livro Primeiro as pessoas?
- Significa tratar aos consumidores com jogo limpo, produtos de boa qualidade, preços razoáveis, produtos saudáveis, bom trato pessoal, empresas amigáveis com o meio ambiente, entre outros pontos. Uma empresa que ajude às políticas públicas. Bill Gates e Warren Buffet aportaram U$ 60.000 milhões e criaram a maior fundação do planeta para combater a malaria, a tuberculose, o paludismo e a AIDS. Há um clamor mundial por um pacto ético que regule o funcionamento da economia internacional. Quanto mais se demore isto, vai haver mais tensão

social e mais fraturas. Pagam-se custos muito altos por ter um mundo tão desigual.

- Agora, como se logra esta ética empresarial quando não existe a priori?
- Seguro que não por imposição. Não acredito que tenha que haver uma lei que os obrigue. Eu acredito que a educação é a única via, e Brasil, o país mais avançado em América Latina em RSE, o demonstrou. O presidente Lula Da Silva foi um ator fundamental do avance que tiveram os brasileiros, dado que logrou comprometer aos 100 empresários mais importantes do país para que começassem a traçar e executar uma agenda em RSE. Por sua vez, contam com o Instituto Ethos que vêm trabalhando neste tema e por último tem companhias, como o caso de Natura, que partem da cultura de que a empresa deve servir á sociedade, não só produzindo produtos e benefícios, senão, através de toda sua filosofia e tecnologia. O desenvolvimento de suas líneas Natura Ekos e Terra América é um exemplo para o resto das companhias que queiram trabalhar neste caminho.
Argentina vai pelo bom caminho também. Mas o componente central para que avance uma idéia orgânica da RSE é a educação do empresariado e a melhor maneira de fazer-lo é através das universidades, que é o que nós desde o Programa das Nações Unidas estamos tratando de impulsionar.

- Qual será o papel dos meios de comunicação nesta evolução da RE no país?
- Um dos atores com os que haverá que discutir mais a fundo o tema da RSE são os meios, sua própria RSE. Estão colocados em um dos campos mais delicados de toda a realidade. O importante é que quando o fazem os resultados são altamente positivos. Quando tratam, por exemplo, o tema de seguridade cidadã exclusivamente com imagens cruéis e excitando à mão dura, isso é irresponsabilidade empresarial. E é assim porque não contam o transfundo da exclusão social profunda que vive o país - um de cada três jovens argentinos está fora do sistema laboral e educativo. Então em vez de buscar soluções a essa imagem que se está projetando, se diz que têm que estar todos na cadeia.

Após de passar umas horas em sua cidade natal, Bernardo Kliksberg tomou um avião rumo a México. Um grupo de empresários o esperava para ouvir-lo falar sobre equidade e redistribuição. Seguramente, uma vez terminado o encontro, compreenderiam que o que propõe não é nenhum invento, pelo contrario, propõe a necessidade de recuperar a sabedoria mais profunda do gênero humano, a ética.

“A Bíblia diz duas coisas que são muito importantes em RSE - sintetiza–.

Uma é “Aquele que ajuda aos outros se ajuda a se mesmo”,

e a outra “Não te desentendas do sangue de teu próximo”,

em outras palavras, não podes ser indiferente a uma sociedade onde o 20 por cento dos jovens estão excluídos e onde morrem 10 mil crianças por ano por causas que se podem evitar ligadas à pobreza. Não podes ser insensível, menos se tu és empresário, dado que tu és um ator muito importante numa sociedade que necessita câmbios”.

América Latina: cifras que doem...
- 300 mil crianças morem por ano por pobreza.
- 16% das crianças sofrem de desnutrição crônica.
- 53 milhões de pessoas vivem com fome.
- 23 mil mães morem por desnutrição por ano.
- 25%, mais de 50 milhões, dos jovens estão fora do sistema educativo e do mercado laboral.
- 130 milhões vivem em tugúrios.
- 128 milhões sem instalações sanitárias.
- 210 milhões recebem águas contaminadas.
- 60 milhões sem instalações sanitárias.

* Cifras publicadas pelas Nações Unidas em 2007.

Fonte: Visão Sustentável, 24 – 08 – 09

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